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Mazda CX-60 estreia a Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture e discute a partilha

Carro branco Mazda Skyactiv 60 exibição em showroom moderno com iluminação natural e outras motos ao fundo.

A Razão Automóvel acompanhou a pré-apresentação mundial do novo Mazda CX-60, o primeiro modelo da marca japonesa a usar a inédita plataforma Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture.

Não é uma base “comum” para os padrões atuais - ela foge bastante do caminho que a maioria dos fabricantes vem escolhendo.

Trata-se de uma plataforma totalmente nova, com tração traseira, preparada para receber motores a combustão de até seis cilindros em linha e capaz, inclusive, de acomodar baterias para versões híbridas plug-in.

Desenvolvida do zero pela Mazda (e estreando no Mazda CX-60)

Conversamos com Joachim Kunz, gerente sênior de desenvolvimento técnico (Co-Creation) da Mazda, sobre os benefícios da Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture e sobre a possibilidade de, no futuro, ela ser compartilhada com outros fabricantes.

O papo aconteceu nos bastidores do evento de apresentação do Mazda CX-60, justamente o primeiro carro a estrear essa nova plataforma.

Assista ao vídeo:

Na prática, a Mazda apostou “todas as fichas” nessa arquitetura, que vai servir de base para seus modelos de topo. Por isso, ficam fora do plano os compactos e os familiares menores.

Com tração traseira - embora possam existir versões com tração integral - e espaço suficiente para abrigar conjuntos mecânicos mais sofisticados, com até seis cilindros, a plataforma parece desenhada para “voos mais altos” e pode acabar despertando o interesse de outras marcas.

“Por enquanto, só está previsto o uso desta plataforma em modelos Mazda”, afirmou o executivo. Ainda assim, a experiência mostra que esse tipo de plano pode mudar - e a própria marca não descarta essa possibilidade.

Compartilhar a plataforma. Por que não?

Perguntamos ao representante da Mazda se haveria chance de a nova plataforma ser dividida com outras marcas - incluindo Toyota e Lexus, como alguns rumores já sugeriram.

Afinal, não seria a primeira vez que alguém procura a Mazda para comprar uma plataforma. Vale lembrar, por exemplo, que o Fiat/Abarth 124 Spider utiliza a mesma base do Mazda MX-5.

Uma plataforma sob medida para Toyota e Lexus?

A Toyota também dispõe de uma plataforma de tração traseira, a GA-L, que serve de alicerce para modelos como Lexus LC, LS e o novo Toyota Mirai.

O ponto é que os veículos que usam a GA-L são todos de grande porte, situados um ou dois segmentos acima da maior parte dos modelos que devem derivar da Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture da Mazda.

Isso coloca modelos menores, como Lexus IS e RC - posicionados no mesmo segmento de mercado do CX-60 - em uma situação delicada. Eles também têm tração traseira, mas utilizam a antecessora da GA-L, a plataforma N.

Não está claro até que ponto a GA-L pode ser “encurtada” para dar origem aos sucessores desses carros; é justamente aí que a nova plataforma de tração traseira da Mazda pode se tornar uma alternativa ideal.

Devemos ver uma nova geração do Lexus RC em 2023 ou 2024 - já o IS recebeu uma atualização profunda em 2020 e saiu de linha na Europa; uma geração totalmente nova deve chegar depois.

Será que o novo RC pode adotar a nova plataforma de tração traseira da Mazda? Essa hipótese vem sendo debatida.

Além disso, há o Toyota GR GT3, protótipo de um novo cupê apresentado no começo do ano e destinado aos campeonatos de endurance. A Lexus já afirmou que o novo RC vai “beber” bastante desse protótipo.

Mas qual é a base do GR GT3? O carro é, sem dúvida, de tração traseira, porém não deriva do GR Supra (plataforma BMW) nem do GR86 (plataforma Subaru), os outros dois esportivos de tração traseira da Toyota.

E ainda existem as proporções do modelo, praticamente idênticas às do Mazda RX Vision, o conceito de um cupê chamativo com motor Wankel mostrado originalmente lá em 2015.

Compartilhamento de recursos: alguns exemplos recentes

No cenário atual da indústria automotiva - marcado por instabilidade nas cadeias de suprimentos e incertezas sobre metas ambientais -, ganhar escala é mais importante do que nunca.

Essa necessidade já gerou, recentemente, algumas parcerias improváveis. Hoje, por exemplo, a Mazda comercializa o Toyota Yaris como Mazda2. E a Suzuki faz exatamente o mesmo com o Corolla.

E não se trata de uma exclusividade entre marcas japonesas. A Toyota lançou o novo GR Supra com uma plataforma desenvolvida em parceria com a BMW e, como já mencionamos, o Fiat/Abarth 124 Spider compartilha a base com o Mazda MX-5.

A pressão para reduzir custos e elevar a margem operacional - algo que atravessa toda a indústria automotiva - indica que esse tipo de parceria deve continuar. E a plataforma Skyactiv Multi-Solution Scalable Architecture aparece como uma forte candidata.


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