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Toyota Gazoo Racing Europe no WEC: 8 Horas de Portimão na 100ª corrida e a era Hypercar

Carro esportivo branco e vermelho exposto em salão automotivo com outros veículos ao fundo.

Toyota Gazoo Racing Europe no WEC: a 100ª corrida em Portimão e a era Hypercar

Disputadas no momento em que a Toyota completava sua 100ª corrida no Campeonato Mundial de Endurance (WEC), as 8 Horas de Portimão ganharam um peso especial para a marca. Em uma temporada em que os novos regulamentos dos Hypercar viraram o “centro das atenções”, fomos entender melhor quais são os obstáculos que a equipe japonesa tem pela frente.

Para isso, conversamos com dois nomes centrais na operação da Toyota Gazoo Racing Europe no mundial de resistência: Rob Leupen, diretor da equipe, e Pascal Vasselon, diretor técnico.

De como enxergam o novo regulamento ao que pensam sobre o traçado do Algarve, passando pelos desafios esportivos e técnicos do ano, os dois responsáveis pela Toyota Gazoo Racing Europe nos deixaram “abrir a porta” para “espiar” um pouco os bastidores do WEC.

Novo foco? A economia

Razão Automóvel (RA) - O quanto é importante para a Toyota competir?
Rob Leupen (RL) - É muito importante. Para nós, isso é a soma de várias coisas: formação, descoberta e testes de novas tecnologias e, também, a exposição da marca Toyota.

Regulamentos Hypercar e custos: desafio dentro e fora da engenharia

RA - Como vocês encaram os novos regulamentos? Consideram um retrocesso?
RL - Para engenheiros e para quem gosta de automobilismo, qualquer regulamento novo traz um desafio. Pelo lado dos custos, sim, pode parecer um passo atrás. Mas, do ponto de vista de engenharia, depois de um ou dois anos de regras novas, ficamos mais preparados para olhar para tecnologias novas. Não se trata de construir um carro do zero todo ano, e sim de otimizá-lo - e otimizar também o desempenho do time. Ao mesmo tempo, estamos avaliando alternativas para o futuro, como o hidrogênio. Também estamos direcionando esforços para uma abordagem mais “consciente” em custos, sem abrir mão do alto nível de tecnologia, com carros mais competitivos em um cenário igualmente competitivo. E, claro, precisamos preparar 2022 para a chegada de marcas como Peugeot ou Ferrari; ou, na categoria LMDh, Porsche e Audi. Vai ser um grande desafio e um grande campeonato, com grandes marcas disputando entre si no mais alto nível do esporte a motor.

Desenvolvimento “congelado”, tokens e aprovação da FIA

RA - Em termos de desenvolvimento do carro, existe um objetivo específico entre o início e o fim da temporada?
Pascal Vasselon (PV) - Os regulamentos “congelam” os carros - ou seja, os Hypercars, depois de homologados, ficam “congelados” por cinco anos. Vale destacar que essa categoria não prioriza desenvolvimento. Ainda existe algum desenvolvimento, por exemplo, em configurações do carro. Se uma equipe estiver enfrentando problemas de confiabilidade, segurança ou desempenho, pode usar “tokens” ou “fichas” para poder evoluir. Porém, a solicitação precisa ser analisada pela FIA. Já não estamos no cenário da LMP1, em que todas as equipes evoluem continuamente. Hoje, quando queremos desenvolver o carro, precisamos de uma justificativa forte e da autorização da FIA. É uma dinâmica totalmente diferente.

RA - Vocês acham que os novos regulamentos podem aproximar os carros de competição dos carros convencionais? E nós, consumidores, podemos nos beneficiar desse “encurtar” do fosso tecnológico?
RL - Sim, isso já está acontecendo. A gente vê aqui a tecnologia do TS050, com melhorias na confiabilidade do sistema híbrido e na eficiência dele, e isso vai chegando aos carros de rua passo a passo. Vimos isso, por exemplo, no último Super Taikyu Series, no Japão, com um Corolla de motor a combustão alimentado a hidrogênio. É tecnologia que chega ao público por meio do automobilismo e que pode ajudar a sociedade e o meio ambiente. Por exemplo, já conseguimos reduzir de forma significativa o consumo de combustível ao mesmo tempo em que aumentamos a performance.

RA - Em campeonatos como o WEC, que exigem muito espírito de equipe, é difícil administrar o ego dos pilotos?
RL - Para nós, isso é simples: quem não consegue se integrar ao time não corre. Todo mundo precisa chegar a um compromisso: fazer o carro que está guiando ser o mais rápido possível na pista. E isso significa que, se a pessoa tiver um ego muito grande e pensar só em si, se não conseguir trabalhar com os companheiros, ela “trava” a equipe - inclusive engenheiros e mecânicos. Por isso, entrar com a mentalidade de “eu sou a grande estrela, eu faço tudo sozinho” não funciona. É preciso saber dividir.

Portimão, um circuito único na Europa

Testes noturnos, custo e o “nosso” Sebring

RA - Portimão é um dos poucos circuitos onde vocês podem testar à noite. Existe outro motivo para irem até aí?
PV - No começo, íamos a Portimão porque a pista era muito irregular e era o “nosso” Sebring. A gente ia apenas para testar suspensão e chassi. Além disso, saía bem mais barato do que o circuito americano. Agora a pista foi repavimentada, mas ainda assim continuamos indo porque é um circuito interessante.

RA - E o fato de vocês já terem estado aí antes pode ser uma vantagem em relação às outras equipes?
PV - É sempre bom, porque já testamos o traçado, mas não acho que seja uma grande vantagem.

RA - A Toyota já disse que o próximo passo é a eletrificação total. Isso quer dizer que, no futuro, vamos ver a Toyota sair do WEC e entrar em um campeonato exclusivamente elétrico?
RL - Eu não acredito que isso vá acontecer. Quando falamos de carros totalmente elétricos, falamos de um contexto específico - normalmente urbano - em que dá para ter um carro menor ou com menos autonomia em quilômetros. Eu acho que é necessário combinar soluções: 100% elétrico nas cidades, combustível puro em países ou regiões onde não há acesso à eletricidade ou ao hidrogênio para veículos grandes, como ônibus ou caminhões. Não dá para focar em uma única tecnologia. Eu acredito que, no futuro, as cidades vão caminhar cada vez mais para a eletrificação, que as áreas rurais vão apostar em uma combinação de tecnologias e que novos tipos de combustíveis vão surgir.

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