Poucas coisas na vida parecem imutáveis, mas eu colocaria os facelifts dos carros alemães ao lado do velho clichê da “morte e impostos”. Nem dá para dizer que acontece mês a mês: às vezes, mal passa uma semana sem alguém anunciar mais um. Audi, Mercedes, BMW - todas fazem esse tipo de “pequena cirurgia” com a mesma frequência. E o “novo” Série 3 não foge à regra.
Facelift do BMW Série 3 e o custo ambiental das mudanças
Do ponto de vista ambiental, isso vira um problema. A BMW tem defendido essa agenda com mais força do que a maioria, mas basta pensar no desperdício e na energia envolvidos para readequar linhas de produção por causa de peças tão pequenas. O cenário piora quando o resultado final fica praticamente indistinguível do modelo anterior. No caso aqui, as alterações se resumem aos faróis, ao capô e às lanternas traseiras. Ainda assim, não deixou o carro mais feio (mesmo que isso pudesse acontecer por uma margem infinitesimal), então há pelo menos esse alívio.
iDrive e navegação: a verdadeira mudança por dentro
Se você optar pelo sistema de navegação, o interior ganha bem mais relevância. O motivo é que, nessa configuração, vem o iDrive - e ele foi revisado de maneira considerável. Sai o comando único giratório com dois botões e entra um seletor com sete botões. Na prática, fica possível alternar entre rádio e navegação sem a chatice de ter de voltar ao menu principal o tempo todo. E, finalmente, a BMW instalou um botão de “Voltar”.
Essa atualização deixa o conjunto muito mais simples de operar. Além disso, todo o sistema de navegação agora roda a partir de um disco rígido interno, o que acelera o funcionamento. E, para quem se preocupa com atualizações, o procedimento é direto: a concessionária só conecta o carro e você recebe um novo mapa.
Motor 330d: mais potência, mais eficiência e a mesma suavidade
Outro ponto em que a BMW está tentando “preparar o carro para o futuro” é o motor. A maior parte das opções mecânicas deste facelift permanece igual, mas o 330d recebe ajustes que o tornam 13 bhp mais potente e, ao mesmo tempo, sete por cento mais eficiente (49.6 mpg). Esse diesel continua sendo um motor excelente - responde como um a gasolina e é tão suave que acelerar não vira um sofrimento para quem tem alguma “sensibilidade mecânica”. Não chega a ser tão silencioso quanto alguns concorrentes, porém o típico ruído de diesel aqui está longe de ser estridente.
BluePerformance, NOx e o paradoxo do “verde”
Ainda mais marcante do que o desempenho são os ganhos de eficiência. A BMW está fazendo o possível para se antecipar a qualquer regulamentação ecológica que possa aparecer nos próximos 10 anos. Por isso, nos Estados Unidos dá para especificar a tecnologia BluePerformance, voltada a cumprir exigências de NOx. Como isso não é um tema que esteja, no momento, no topo das prioridades dos nossos líderes políticos, essa opção não aparece por aqui.
Outras montadoras e governos deveriam observar o quão seriamente a BMW está levando essa pauta ambiental. E o pessoal de marketing da própria BMW também deveria: reprojetar componentes para essas pequenas mudanças estéticas dificilmente pode ser chamado de algo “ecológico”.
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