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VW Golf GTI da Milltek com 312bhp: teste completo

Carro Volkswagen Golf GTI preto com faróis ligados, em curva de pista molhada e fundo de árvores.

Ah, ótimo: alguém resolveu mexer num Golf GTI.
Sim, o Golf GTI virou um carro tão respeitado como pau-para-toda-obra que mexer nele chega a parecer quase indecoroso. É como se a Laura Ashley começasse a vender acessórios de bondage. Ainda assim, como a própria VW não tem vergonha de colocar mais potência na mesma base (veja o nosso teste recente do novo Golf R), talvez valha aliviar para a Milltek. Afinal, o que eles extraíram do 4 cilindros 2,0 litros turbo é, bem, impressionante.

Potência e torque do Golf GTI preparado pela Milltek

E quanto isso significa, exatamente?
Você deve lembrar que um Golf GTI de fábrica sai com 217bhp. Se você escolhe o Performance Pack de £995, esse número sobe 10bhp, para 227bhp. A Milltek foi mais longe. Bem mais longe. Aqui, o “mais” é 312bhp.

Caramba, é um salto enorme. O que foi feito?
Para começar pelo óbvio: a Milltek é uma empresa de escapamentos, então este carro recebeu um escapamento novo, maior, com duto de 3 polegadas (cerca de 76 mm). Isso reduz a contrapressão e facilita a saída dos gases. Também há um filtro de ar maior, ajudando o motor a “respirar” com menos restrição. E, por fim, a Milltek deixou uma empresa chamada Shark mexer na ECU. São alterações bem típicas no mundo de preparação, mas não é todo dia que elas resultam em ganhos tão grandes - o que diz muito sobre como os motores de série da VW trabalham folgados.

Certo, mas e o torque? Aposto que não subiu tanto…
Bom… 332lb ft, na verdade: um aumento de 74lb ft.

O que muda em suspensão e no controlo de tração

Ufa. E a suspensão, recebeu algo para dar conta do recado?
Você provavelmente notou que ele está um pouco mais baixo do que um GTI padrão, então sim, houve mudanças: ele usa molas e barras estabilizadoras Eibach. Porém, não existe qualquer ajuste no gerenciamento eletrónico do controlo de tração, nem um diferencial autoblocante para ajudar a lidar com esse torque.

Então ele puxa o volante de forma absurda (torque steer)?
Curiosamente, não. Na prática, a dianteira se comporta de maneira espantosamente civilizada - por três motivos principais. Primeiro, dá a sensação de que a VW acertou em cheio a geometria de suspensão deste carro: ele segue reto, com boa precisão, e transmite um comportamento dócil e fácil de administrar. Segundo, a eletrónica evoluiu enormemente desde a época em que a VW nos entregou um “diferencial eletrónico” meio de mentirinha. E, por último, o torque foi limitado na primeira e na segunda marcha.

Imagino que isso seja para poupar o câmbio, certo?
Temos de assumir que sim. Só não caia no erro de achar que ele fica lento na primeira e na segunda, porque não fica - é apenas que a terceira e a quarta empurram este carro para um patamar além de quase tudo o que ainda poderia se chamar de hatch esportivo. O problema é que, para aproveitar todo o fogo no ventre deste Golf, você precisa usar todo o giro; e se você estica a terceira… digamos apenas que você passa de 70mph.

Na estrada: ritmo, compromissos e “atitude”

Então ele é rápido de verdade?
É mesmo tão veloz quanto a maioria de nós jamais precisaria que um carro de rua fosse - muito atlético e cheio de fôlego, capaz de acompanhar um Boxster ou um 911 desavisado. E, em grande parte, sem grandes concessões. Em grande parte. Porque o nosso carro de teste tinha alguns detalhes pequenos que precisam de acerto; o principal é a altura mais baixa, que fazia os pneus rasparem nas caixas de roda quando você passava numa lombada ou conseguia comprimir a suspensão o suficiente numa curva. Também havia um pouco mais de “quique” no conjunto. Mesmo assim - e mesmo com um turbo ligeiramente mais sonolento - as mudanças não transformaram o carro num “mais rápido, porém pior”. Em vez disso, ele passa a impressão de ter um toque extra de atitude. Não parece mal-educado, apesar do barulho de borracha raspando.

Qual é a melhor parte?
O conjunto mecânico. O motor deixa claro o quão preparável é o 2,0 litros turbo do Grupo VW; e, quando você reduz marchas, aparece um “tsss” do turbo. O outro destaque - por mais estranho que pareça - é o controlo de tração, porque você só percebe o quanto ele trabalha quando o desliga. Nesse momento, o turbo faz o possível para desestabilizar as rodas dianteiras, algo em que ele é bem competente, a menos que você seja muito progressivo no acelerador. Aí o subesterço, que até então estava bem contido, rapidamente vira o protagonista em rotatórias molhadas. Nada surpreendente.

Então é melhor deixar a tração ligada?
Coloque no modo Esporte e você vai se surpreender com a eficácia sem ser intrusiva. No GTI isso já acontece, claro, mas aqui as rodas dianteiras têm mais 85bhp para administrar. O conjunto é rápido e composto e, para aqueles casos perdidos que, como eu, ligam para esse tipo de coisa, dá para frear com o pé esquerdo e usar o acelerador ao mesmo tempo. Normalmente você não consegue isso em produtos do Grupo VW - o carro entende que usar os dois pedais juntos significa que você está batendo e corta a resposta do acelerador. Para quem tem uma inclinação à la Tommi Makinen, isso é frustrante sem fim.

Preço das modificações e o que faz mais sentido

Estranho. Vamos voltar ao que importa, como dinheiro.
Certo, então aqui vai. A preparação da ECU custa £695 e é a responsável pelos maiores ganhos de potência. O escapamento Milltek Sport sai por £1,924; molas e barras estabilizadoras custam £570; e aquelas belas rodas BBS ficam em £1,920. Todos os preços incluem IVA. Ainda assim, se fosse o meu dinheiro, eu manteria o máximo possível da discrição do Golf e ficaria apenas com a ECU e o upgrade de escapamento.

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