Levantamento expõe falhas recorrentes de manutenção na aviação comercial da Índia
Um levantamento realizado na Índia traçou um panorama preocupante da aviação comercial no país, indicando centenas de aeronaves com problemas de manutenção que reaparecem ao longo do tempo.
De acordo com informações reunidas pela agência de aviação civil indiana, 377 das 754 aeronaves comerciais em operação no país apresentam falhas de manutenção classificadas como recorrentes - isto é, ocorrências que desaparecem e, depois, voltam a ser registadas. O recorte inclui relatos feitos por pilotos e mecânicos entre janeiro do ano passado e abril deste ano.
Air India reúne a maior parte dos registos
Dentro do Grupo Air India - formado pela companhia principal e pela subsidiária de baixo custo Air India Express - a situação é ainda mais expressiva: 191 aeronaves, equivalentes a 72% da frota total de 267 aviões, foram apontadas com problemas repetitivos. O volume é descrito como particularmente alarmante pelo jornal The Telegraph India.
IndiGo, SpiceJet e Akasa Air também aparecem nos dados
Na IndiGo, concorrente de grande porte, o total é inferior ao da Air India, mas ainda elevado: 148 jatos com falhas recorrentes, dentro de uma frota total de 405 aeronaves - a maior do país em número de aviões.
Entre as companhias menores, a SpiceJet teve 16 dos seus 43 jatos identificados com o mesmo tipo de ocorrência. Já na Akasa Air, foram 14 aviões, num universo de 32.
O que diz a Air India e o contexto de segurança
Um porta-voz da Air India argumentou que o total elevado se deve ao volume de verificações realizadas: “Nós temos feito, como excesso de cuidado, várias inspeções na nossa frota, por isso os números são tão altos“, acrescentando que a maior parte das ocorrências está ligada a itens de cabine - como telas quebradas e mesinhas defeituosas - sem impacto na segurança do voo.
Nos últimos anos, a aviação civil na Índia vem sendo observada com atenção por organismos e imprensa internacionais após uma sequência de episódios ligados à segurança, incluindo fraudes em habilitações de funcionários e, mais recentemente, a queda - ainda sem explicação por parte do governo indiano - de um Boeing 787, que deixou 260 vítimas.
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