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Ferrari Luce: o primeiro Ferrari 100% elétrico chega em 2026

Carro esportivo Ferrari vermelho brilhante em exposição interna com luz natural entrando pela janela.

A Ferrari vive um dos períodos mais consistentes de sua história recente. Em 2025, voltou a registrar números financeiros recordes, com margens em alta, carteira de pedidos praticamente garantida até o fim de 2027 e uma recuperação relevante na bolsa, depois do tombo acentuado de outubro do ano passado.

O mais curioso é que isso aconteceu mesmo com uma leve queda no volume de vendas. Só que vender mais nunca foi a grande obsessão da Ferrari. A lógica do fundador, Enzo Ferrari, continua valendo: “A Ferrari sempre entregará um carro a menos do que o mercado pede”.

Por isso, pode causar surpresa a marca italiana prometer 20 novos modelos até 2030, num ritmo de cinco por ano a partir de 2026. É um número alto, sem dúvida, mas a meta não é ganhar escala. A tese da Ferrari é clara: “mais modelos, volumes limitados”. Ainda assim, uma dessas cinco estreias de 2026 muda o jogo.

Luce é o Ferrari mais disruptivo de sempre

2026 vai entrar para a história como o ano em que nasce o primeiro Ferrari 100% elétrico. Pela primeira vez, existirá um Ferrari sem um cuore mecânico: nada de V12, V8 ou V6. Só elétrons. O conjunto terá quatro motores elétricos (um em cada roda), com promessa de mais de 1000 cv. Eles serão alimentados por uma bateria de 800 V, com 122 kWh brutos, e a autonomia prometida passa de 500 km.

O nome é Ferrari Luce e ele não se parece com nenhum outro Ferrari - mas não será um supercarro. A proposta fica mais perto de um Purosangue: um crossover de quatro portas e quatro lugares. A apresentação completa está marcada para maio, porém a marca italiana já revelou o interior do Luce e, por si só, ele já representa… uma revolução.

Interior do Ferrari Luce: menos minimalismo, mais tato e materiais duráveis

Desenvolvido em parceria com a LoveFrom - o coletivo criativo fundado por Sir Jony Ive (conhecido por ter desenhado o iPhone) e Marc Newson -, o Luce vai na contramão do minimalismo e do excesso de digitalização que dominam muitos elétricos atuais.

As telas continuam presentes, mas os instrumentos reinterpretam o analógico, e os comandos físicos voltam com força. Botões, manípulos e interruptores reforçam uma experiência tátil que nenhuma tela consegue substituir. Também há uma mudança clara nos materiais: nada de fibra de carbono; em seu lugar, alumínio 100% reciclado usinado em CNC e vidro (Corning Fusion5) no lugar de plástico. A intenção é priorizar durabilidade, precisão e… um envelhecimento digno.

Se o exterior acompanhar o que o interior sugere, o Luce pode ir além de ser apenas o primeiro Ferrari elétrico. Ele pode funcionar como uma declaração de intenções sobre para onde a marca pretende levar o design.

Quatro incógnitas

Das cinco novidades prometidas pela Ferrari para 2026, apenas o Luce está oficialmente confirmado. As outras seguem no campo da especulação, ainda que dentro do esperado.

Uma das estreias com maior chance de acontecer neste ano é a versão conversível do Amalfi, o cupê V8 biturbo que sucedeu o Roma. O restante é um enigma: desde versões mais extremas do 12Cilindri e do 296, passando por uma nova variação do Purosangue, até uma nova adição à família Icona - a última foi o Daytona SP3, em 2021 -, todas as possibilidades estão na mesa.

É difícil que alguma delas roube os holofotes do Luce. Ainda assim, vale ressaltar que esse elétrico não marca o começo do fim da combustão em Maranello. O segundo elétrico que estava previsto foi adiado, por enquanto, em dois anos (2028), por falta de interesse dos clientes da marca.

Aliás, a Ferrari revisou as projeções sobre a composição de sua gama até 2030, invertendo o peso dos elétricos em relação aos modelos a combustão: agora serão 40% a combustão, 40% híbridos e 20% elétricos. A Ferrari, assim como as fabricantes de volume, está se ajustando ao ritmo real do mercado.

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