Um utilitário grande demais para agradar aos ambientalistas
O Q7 definitivamente não é o tipo de carro que costuma conquistar os mais “verdes”. Grande, espalhafatoso e visto como poluente, é exatamente o modelo que alguns ambientalistas radicais “pendurariam você pelas pálpebras” por escolher para rodar.
Só que este Audi Q7 3,0 TDI reestilizado resolveu dar uma boa organizada na própria reputação.
AdBlue no Audi Q7 3,0 TDI: NOx sob controlo
Ele é o primeiro carro à venda no Reino Unido a trazer o sistema ‘AdBlue’, que injeta ureia nos gases de escape para neutralizar as emissões de Óxidos de Nitrogénio (NOx), responsáveis por aquele ar mais carregado, típico de smog. Ureia? Como qualquer médico lembra, é o mesmo composto presente na urina. Hum.
Esse recurso já aparece há algum tempo em escapes de camiões: os motoristas compram no posto e completam como se fosse líquido do limpador do para-brisa. E, nos Estados Unidos, a tecnologia não é novidade, porque equipa alguns Audi, Mercedes e Volkswagen a diesel por lá - resultado das rígidas leis de ‘clean air’ criadas para reduzir o smog associado aos diesel. A questão é: o que isso muda do lado de cá?
CO2, consumo e padrões europeus (e por que não há benefício fiscal)
À primeira vista, quase nada. Não existe incentivo financeiro para usar o sistema e você não paga menos imposto como acontece com um carro de baixo CO2. No fim, a explicação passa pelo facto de o CO2 ser um gás de efeito estufa e acompanhar diretamente o consumo: reduzir isso de um dia para o outro significaria decretar o fim de carros grandes como o Q7 e derrubar uma fatia relevante da indústria automóvel. A saída do governo tem sido tributar.
Já o NOx é um poluente do ar altamente tóxico, mas não tem ligação direta com o consumo - e pode ser reduzido de forma imediata com soluções como o AdBlue, até em carros de desempenho. Por isso, o controlo fica a cargo de normas da União Europeia, bem menos rígidas do que as americanas.
Pelo menos por enquanto. Este 3,0 litros TDI já atende às futuras regras ‘EU6’, que só passam a valer em 2015. Ainda assim, não há qualquer alívio fiscal para quem compra um carro que atinge o padrão antes do prazo. Se os políticos não estivessem tão ocupados a reembolsar novos relvados de croqué, perceberiam que aí existe uma oportunidade perdida para ajudar o condutor preocupado com o ambiente - ou o dono de SUV que ainda quer dormir tranquilo.
Ou seja: a Audi está seis anos à frente. O problema é que, sem um motivo financeiro para escolher esta versão, a tarefa de divulgar as vantagens cai nas mãos dos primeiros compradores, que terão de fazer barulho para o mercado andar.
Reestilização do Q7: alterações discretas
E, com toda a conversa sobre emissões, quase passa batida a reestilização subtil do Q7. Dá para resumir rapidamente: novas lanternas traseiras em LED, luzes diurnas dianteiras que contornam os faróis, grade redesenhada, para-choques novos e alguns apliques no painel. O pacote de sempre.
V8 4,2 TDI ou o 3,0 TDI?
Só que, honestamente, os retoques visuais ficam em segundo plano; o diesel super-limpo é o verdadeiro destaque. Ainda assim, vale citar o V8 4,2 litros TDI. É um motor que bate como marreta e os seus 560 lb ft de binário (cerca de 759 Nm) parecem ainda mais adequados às 2,5 toneladas do Q7. Mas optar por ele é pedir a ira dos ambientalistas - e, provavelmente, cutucar a própria consciência.
Melhor ficar com o novo Audi Q7 3,0 TDI e ver a sua auréola brilhar mais do que nunca.
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