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O mundo automotivo já não é o que era

Carro esportivo elétrico prata exibido em showroom moderno com três pessoas ao fundo.

Correndo o risco de virar, num piscar de olhos, um daqueles velhinhos que aproveita o melhor da vida jogando sueca nas mesas de um parque, sou obrigado a admitir: o mundo automotivo já não é o mesmo.

Quando olho para o cenário atual - do que está vendendo nas concessionárias aos lançamentos que não param de aparecer - vou chegando à conclusão de que o futuro não tem nada a ver com aquilo que eu imaginava.

Não dá para negar que carro sempre foi um bem de consumo, mas, do jeito que as coisas caminham, parece que ele deixou de ser aquele objeto de paixão e de culto com o qual eu cresci.

Do objeto de paixão ao “gadget” do mundo automotivo

De repente, o automóvel virou mais um gadget para exibir ao amigo ou ao vizinho. Tudo indica que ele está sendo desenhado para não incomodar ninguém e para agradar ao maior número possível de clientes do mundo automotivo - ou, sendo mais honesto, para satisfazer gestores de frota.

Mais do que elegância, conforto, potência e dinâmica ao volante, as prioridades do mundo automotivo passaram a girar em torno de caber num formato que sirva para tudo. E, claro, precisa ser elétrico: isso já está mais do que decidido, nem que seja por imposição de regulamentações.

No cenário ideal, um modelo novo seria “alimentado” por uma única pilha AAA. E essa pilha teria de entregar energia suficiente para um SUV de três toneladas rodar cinco mil quilômetros. Esse seria o carro dos sonhos para a maioria dos consumidores do mundo automotivo, num futuro que está bem mais perto do que a gente imagina.

E tem mais: parece que falta cada vez menos para chegar o dia em que a gente realmente vai deixar de dirigir. Estamos nos aproximando do momento em que seremos apenas passageiros, dentro de um carro que se conduz sozinho até um destino previamente escolhido na nossa agenda.

Apenas o que precisamos e não o que gostamos

Os objetos bonitos, de culto e de paixão que ainda sobrevivem custam uma fortuna - um absurdo. E o que acaba sobrando para considerar é, muitas vezes, uma solução de contingência, o mais “racional” possível. No mundo automotivo de hoje, parece que só temos “autorização” para pensar no que precisamos, e não no que gostamos.

Para a carroceria, a promessa é de 50 tons de cinza - não esses que você está pensando; falo mesmo dos mais “sem graça”. Por dentro, a cabine vai se enchendo de peças cada vez mais idênticas às de outros 100 modelos, de anos diferentes.

E tudo isso sem qualquer ousadia conceitual: fica só a preocupação de ser diferente por ser diferente, mas o resultado acaba virando algo que é quase igual ao que já vimos antes.

Nomes, números e a perda do encanto no mundo automotivo

No mundo automotivo de hoje e de amanhã, até os nomes dos carros perderam a graça. Reuniões longuíssimas para batizar um modelo acabam, agora, gerando apenas números ou letras - na maior parte das vezes, difíceis de entender ou de guardar.

E, quando aparecem alguns poucos nomes, eles vêm direto de outras épocas, numa tentativa inútil de ressuscitar um sentimento ou uma paixão que já se perdeu.

A magia acabou. O fascínio acabou. A paixão acabou. Hoje, tudo vira número, seja qual for.

Eu sempre acreditei que a evolução constante do mundo automotivo traria algo melhor no horizonte. Só que não. O que parece estar vindo é apenas algo que “cumpre”, mas não “fascine”. Vai ser só mais uma coisa - e nada demais.

Aquele mundo automotivo mais empolgante, que fazia a gente sonhar, parece ter ficado para trás. Mas, por favor, agora me provem que eu estou errado…

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