Então saiu um Lotus Exige novo. E ele parece… meio diferente.
Sim, dá para perceber na hora que não se trata de uma simples reestilização. O Exige, o modelo mais extremo da Lotus e mais voltado para pista, passou por uma reformulação completa: ganhou desenho novo, uma asa bem chamativa e entre-eixos maior para caber o V6 com compressor.
O que mudou no Lotus Exige
V6 com compressor? O que isso está a fazer num esportivo leve e delicado como o Lotus Exige?
Antes, o Exige usava um quatro-cilindros 1.8 pequeno. Já o novo Exige S adopta o mesmo V6 3.5 do Evora - e isso altera a personalidade do carro.
Ou seja: ficou mais pesado, imagino.
Ficou, sim: cerca de 240kg a mais. Só que a potência compensa com folga. Com 345bhp, o Exige S chega a uma relação peso-potência semelhante à de um Porsche 911 Turbo e entrega 0 a 100 km/h (0 a 62 milhas por hora) em exatos quatro segundos, mesmo usando um câmbio manual de seis marchas em vez de uma caixa de dupla embreagem super-rápida. É desempenho de gente grande.
Motor V6 supercharged e desempenho do Exige S
Mas o Exige nunca foi sobre potência…
Não mesmo: o foco sempre foi a pureza de condução, não a aceleração bruta. Só que, dentro da Lotus, a leitura era que o Exige precisava mudar de rumo - ficar mais habitável e viável para o dia a dia. A ideia é que você consiga ir a um evento de pista sem depender de um SUV com engate e um reboque.
O problema é que, ao acrescentar conforto de uso quotidiano (e aquele V6 enorme), o peso sobe e a proposta corre o risco de perder nitidez. Ainda assim, 1176kg não é muito no panorama geral - e a Lotus tem fama de fazer milagres com acerto de chassis.
Dirigibilidade na pista e no dia a dia
Era o que eu suspeitava. Então, no fim, ele é bom mesmo?
Talvez este seja: a) um dos melhores carros de motorista que a Lotus já produziu e b) um dos automóveis com melhor comportamento dinâmico à venda hoje. Sem exagero. É simplesmente sensacional.
O Exige S, sozinho, mostra que a Lotus não perdeu nada da capacidade de fazer um carro andar, contornar e comunicar pelo volante melhor do que quase qualquer outro no planeta. Não é apenas a forma como ele atravessa estradas sinuosas com uma rapidez absurda graças à aderência fora do comum e ao empurrão forte do V6; é, sobretudo, o quanto ele continua puro e divertido.
Dá para rodar devagar pela cidade e, ainda assim, tirar prazer da resposta de direção e de como a suspensão lida com as irregularidades com muito pouca cerimónia. Eu desconfiava dessa nova direção do Exige e do peso extra, mas saí totalmente convencido: este é, sim, o caminho certo.
Então ele já não é mais rival de um Caterham ou de um Atom?
Não. Pense nele como um Porsche 911 GT3.
Os meus olhos devem estar a enganar-me… eu acho que acabei de ler 911 GT3.
Leu corretamente. O Exige pode não ter o mesmo pedigree - nem um motor tão carismático -, mas é assim que faz sentido encará-lo: como um 911 GT3 por £30,000 a menos.
Certo, você gostou. E os pontos fracos?
Em viagens longas, ele é barulhento, e o rádio sofre para vencer o ruído de rodagem. O engate do câmbio manual também é um pouco duro.
Só que este é um carro de condução extrema: é preciso aceitar concessões. Uma delas pode ser o seu ouvido. Outra, as costas na hora de entrar e sair, escalando para dentro e para fora. Um preço pequeno a pagar.
E o futuro da Lotus
Mas eu nunca vou conseguir comprar um, porque a Lotus está com problemas, certo?
Calma. Sim, a Proton - a empresa malaia dona da Lotus - foi comprada por um peixe ainda maior, e esse novo grupo está a avaliar as alternativas. Pelas declarações mais recentes à imprensa, há luz no fim do túnel, e seguimos esperançosos de que os planos ambiciosos de modelos traçados por Dany Bahar um dia se concretizem.
Depois de guiar este Exige, a ideia de nunca viver o supercarro Esprit de 550bhp é assustadora.
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