Diz-se com frequência - inclusive neste próprio espaço - que o novo BMW Série 3 é, ao volante, quase impecável de tão bom. Em pouco tempo, ele vai estar em praticamente toda esquina. Quem comprar será tanto o público bem informado, que leu as nossas avaliações, quanto quem simplesmente escolhe um BMW porque “todo mundo compra” - logo, deve ser a escolha certa, não é?
Por que olhar além do BMW Série 3 e do Audi A4
Só que e se você não quiser o BMW ou o Audi A4 - seja por serem quadradões demais, por estarem em todo lugar, ou por custarem milhares a mais - mas ainda assim quiser um sedã? Ou, mais do que querer, precisar de um sedã, por causa das quatro portas e do porta-malas, ou porque a política de carro da sua empresa obriga. Nesse cenário, vale considerar o VW CC.
Volkswagen CC: nome novo, base conhecida (Passat CC)
O Passat CC deixou de existir como nome. Agora ele vira um modelo independente: Volkswagen CC. Na prática, porém, ele continua sendo um Passat CC reestilizado - ou seja, é um Passat usando um traje mais sofisticado.
E isso não é um problema. O Passat sempre foi um carro competente, e aqui o “traje” cai muito bem: linhas mais curvas, perfil arqueado e, sim, uma referência discreta (e bem-vinda) ao Mercedes CLS. Na reestilização, a dianteira corporativa da VW foi aplicada e, felizmente, não parece algo improvisado.
Ao volante: chassi, direção e conforto
Na parte estrutural, não houve alterações no chassi. Isso significa que, se a ideia for extrair o máximo prazer de direção em uma estrada sinuosa, o BMW Série 3 ainda é a escolha mais afiada. Mesmo assim, o CC entrega uma boa sensação ao dirigir, especialmente em rodovias mais abertas: ele simplesmente obedece ao volante com pouca necessidade de correções. (Se você quer um VW esportivo, enfie as crianças no banco traseiro de um Scirocco).
A impressão geral é de um carro bem montado, com carroceria sólida e suspensão bem controlada, sem perder uma dose razoável de maciez. O carro avaliado era a versão com amortecimento adaptativo, mas a suspensão, na verdade, não foi modificada em relação ao modelo anterior - e, como o antigo já funcionava bem com amortecedores convencionais, não há motivo para que este CC não funcione também.
Cabine, bancos e equipamentos do Volkswagen CC
Os bancos profundos, com formato bem “concha”, passam a sensação de terem saído de um GT de categoria superior. O desenho do painel e dos revestimentos envolve o motorista de um jeito mais apertado do que em um sedã tradicional. Teto e colunas também criam um ambiente mais íntimo, reforçando a proposta de cupê. E equipamentos não faltam: navegação, DAB, ar-condicionado e faróis de xenônio aparecem até na configuração de entrada.
Motores: 2.0 TDI, 1.8 e 2.0 turbo, e adeus ao V6
A gama segue o roteiro típico da VW, com o 2.0 TDI em duas calibrações, de 140 e 170, além dos turbos a gasolina 1.8 de 160 e 2.0 de 210. No Reino Unido, a opção V6 foi encerrada - ninguém comprava. Sinceramente, a menos que você viva com o carro sempre carregado, o 1.8 a gasolina dá conta com folga: ele sobe de giro com prazer e suavidade. Também é mais leve do que os diesel, e isso deixa o conjunto mais ágil do que no 2.0 TDI. Ainda assim, o diesel não incomoda, principalmente porque o modelo reestilizado ganhou um bom reforço de isolamento acústico.
No fim, o que você tem é um carro elegante, refinado e excelente para viajar, com aparência e sensação de algo mais especial do que se esperaria. A troca de nome é a maior novidade desta reestilização - mas, verdade seja dita, não havia muita coisa que precisasse ser mudada.
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