Durango Hellcat? Sounds like backwater moonshine.
À primeira vista, esse nome parece coisa de destilaria clandestina no meio do nada. Só que, em vez de “pinga proibida”, o que a Dodge fez aqui foi engarrafar exagero em forma de SUV: o Durango SRT Hellcat, um utilitário de três fileiras já meio datado, mas com um V8 gigantesco despejando 710 hp só pela diversão. E, para registro, ele cumpre exatamente o que promete.
Sounds intense for a family hauler.
E é mesmo. A gente está bem no coração da era “**** it” da Dodge - aquela fase em que, se você quer V8, toma V8. Ótima notícia para quem é viciado em potência e tem dinheiro para queimar em gasolina. E agora, nos 50 estados dos EUA, dá para acelerar em “harmonia Hellcat”, depois de a marca ter dito antes que ele não estaria disponível nas 17 regiões que seguem as regras de emissões do CARB (California Air Resources Board).
Quando está se comportando, o Durango Hellcat faz uns respeitáveis 13 MPG combinados (aprox. 18,1 L/100 km) - e quase nunca existe um cenário em que você vai querer dirigir desse jeito.
Wasn’t this discontinued?
A Dodge voltou atrás em tantas decisões nos últimos anos que fica difícil acompanhar, mas a resposta curta é: o Durango Hellcat era para ser uma série limitada, do mesmo jeito que os Rolling Stones “iam” fazer uma turnê de despedida. Acontece que, quando um monte de gente continua aparecendo com pilhas de dinheiro, não há muito motivo para parar.
So what have we got?
Temos o Hemi V8 6,2 litros supercharged, o conjunto mecânico de todos os Dodges “Hellcat”, incluindo Charger e Challenger. Eram o topo da cadeia, superados apenas pelo Challenger Demon em potência entregue de fábrica. Enquanto os muscle cars da Dodge tiveram sua própria trajetória, o Durango foi seguindo ali, meio nos bastidores. Bom, não exatamente silencioso, mas você entendeu.
O motor cospe 710 hp e 645 lb ft de torque (cerca de 874 Nm), enviados às quatro rodas por um câmbio automático de oito marchas. Ele vem com uma caixa de transferência que permite dividir o torque entre os dois eixos conforme os modos de condução. Mesmo no automático, o Durango Hellcat puxa para trás, com divisão 40/60, e só os modos snow e tow repartem de forma igual. Já sport e track ficam felizes em mandar, respectivamente, 65% a 70% da força para a traseira.
How does it drive then?
“Arisco” é a palavra que vem à cabeça na hora. Levantado numa suspensão esportiva com amortecedores Bilstein, o Durango Hellcat fica alto e pronto para “apanhar” do asfalto em velocidade, numa pegada que lembra a Ford F-150 Raptor R preparada para Baja - um veículo que, perto dele, chega a parecer quase sensato.
Mesmo nas configurações mais mansas, o supercharger do Hemi chia empolgado ao menor toque no acelerador. Em sport ou track, o SUV da Dodge dispara pela estrada como um cachorro babão atrás do graveto - e com a mesma elegância. Isso aqui não é máquina refinada; é um “segura minha (metafórica) cerveja” sobre rodas.
Em ritmo forte numa estrada de interior, o Durango Hellcat pula como cavalo de rodeio, ameaçando sair da linha o tempo todo - muito porque ele te incentiva a forçar. A resposta do acelerador é imediata e, apesar de exigir braço, raramente passa a sensação de que você perdeu o controle, desde que não invente de jogar de lado e sair voando por cima de um barranco.
What’s it like inside?
Bem espaçoso, como dá para imaginar. No Hellcat, a terceira fileira é opcional, mas ainda assim você tem 17.2 cu ft de porta-malas (aprox. 487 L). Sem a terceira fileira, são 43.3 cu ft (cerca de 1.226 L), chegando a 85.1 cu ft (aprox. 2.409 L) se você usar todo o espaço atrás da primeira fileira.
Fora isso, é tão “antigo” quanto o visual externo. Claro, ele recebeu alguns retoques para modernizar, mas a idade aparece - especialmente quando colocado ao lado de uma leva nova de Charger Sixpacks com cabines bem mais caprichadas. Ao volante, há um painel meio analógico, meio digital, acompanhado por uma tela de 10 pol com os menus de sempre, navegação e opções de entretenimento. É meio bagunçado, mas há muita informação e um monte de configurações para fuçar, principalmente para ajustar os diferentes aspectos dinâmicos do SUV.
Se o interior do Durango ou o desenho externo não te conquistarem, o pacote Jailbreak libera uma quantidade absurda de combinações de personalização por um custo extra. Isso permite escolher entre várias cores de pintura, faixas esportivas correspondentes, cores de bancos e emblemas, além de uma lista longa demais de outros itens para deixar o Durango Hellcat com a sua cara.
What’s the final takeaway?
O Dodge Durango é um SUV competente e já vem com uma dose natural de atitude, então não surpreende que uma versão SRT Hellcat tenha sido imaginada - e ainda por cima colocada em produção. Ele é um grande e parrudo utilitário de três fileiras, com utilidade suficiente para servir bem uma vida inteira de tarefas; enfiar um motor absurdamente forte sob o capô não muda isso. O que muda é que ele vira uma máquina de sorrisos indomável, nascida para ser a estrela de qualquer aprontação em estradinha rural. Grande, feio e comicamente imprático, o Durango SRT Hellcat só dá para definir como “uma diversão danada”.
No momento em que este texto foi escrito, o Durango Hellcat está à venda - mas, como o McRib, pode sumir só para voltar quando a gente mais “precisa”. De qualquer forma, ele começa em $80,590, com o Jailbreak chegando a $81,585.
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