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A israelense BE1 – Defense Technologies & Solutions LTD esteve em visita à Argentina, onde realizou reuniões com autoridades militares das Forças Armadas e com representantes do Ministério da Defesa. De acordo com fontes ligadas à empresa, o objetivo foi apresentar um conjunto de soluções concentradas em três frentes consideradas centrais: sistemas aéreos não tripulados (UAV), defesa Anti-drones e guerra eletrônica. Com sede em Modiin e unidade de fabricação em Kfar Saba (Israel), a companhia procura aproveitar o atual alinhamento entre Buenos Aires e Tel Aviv para oferecer não apenas equipamentos, mas também programas de adestramento voltados ao uso das novas tecnologias.
Três eixos: UAV, Anti-drones e guerra eletrônica
Nas apresentações feitas a interlocutores militares e à equipe do Ministério da Defesa, a BE1 organizou seu portfólio em três linhas principais. A primeira reúne soluções de UAV; a segunda é composta pela família de sistemas Anti-drones BE1-HORIZON, descrita como já testada em diferentes cenários operacionais no exterior; e a terceira abrange inibidores de RF e sistemas de guerra eletrônica concebidos para emprego tático, estacionário e embarcado/veicular.
A empresa também destacou que sua proposta pretende apoiar as Forças Armadas argentinas tanto na etapa de aquisição quanto na de capacitação do efetivo, tratando o adestramento como um fator tão relevante quanto o próprio material. A BE1 se define como uma empresa israelense de médio porte que atua em conjunto com grandes integradores do setor, e informou que suas soluções teriam sido testadas em condições de combate tanto em Israel quanto na Ucrânia.
A família HORIZON: detecção, alerta e neutralização
Dentro do segmento Anti-drones, o produto mais proeminente apresentado pela BE1 foi a família HORIZON, estruturada em três camadas técnicas: detecção de RF, classificação e alerta automáticos e neutralização. Segundo a empresa, existem versões ajustadas a diferentes necessidades operacionais:
BE1-HORIZON III 360E: solução de grande porte e longo alcance, baseada em um esquema de quatro camadas que contempla detecção, aquisição, neutralização e destruição total, destinada à proteção de locais estratégicos.
BE1-HORIZON D360 V3 / D360BP V4: sistema tático portátil do tipo MAN-PACK, voltado à proteção de infantaria e unidades de manobra. Forma uma cúpula invisível de detecção de até 1,5 km de raio e uma cúpula de neutralização de até 500 m em 360°. Aponta, em tempo real, a localização exata do drone, do operador e a posição de referência; é compatível com os protocolos 2,4 / 5,8 GHz e Wi‑Fi usados em drones civis; e permite enfrentar ataques em enxame.
BE1-HORIZON D360VM V3: solução reativa montada em veículo, projetada para proteger veículos, comboios ou embarcações em deslocamento.
BE1-HORIZON D360DFS V3: sistema estacionário com recursos de COMINT, capaz de indicar a direção de aproximação do drone com precisão angular de 10°.
BE1-BLUEWAVE D360DF V3: versão naval voltada à integração em navios, cruzeiros, embarcações e iates.
Conforme a documentação técnica da companhia, todas as variantes podem ser operadas por meio de um software de comando e controle denominado C2. O uso pode ser feito via tablet, com visualização cartográfica, listas negra/branca, acionamento automático ou manual das bandas de interferência, gestão de usuários e um sistema interno de registros e relatórios.
Inibidores e guerra eletrônica: do MAN-PACK ao veículo
Na área de guerra eletrônica e inibidores de RF, a BE1 apresentou uma família escalável, que vai de aplicações em ambientes internos a plataformas veiculares de alta potência. Entre os itens destacados, estão:
BE1-W e BE1-W-T: inibidores de celular, Wi‑Fi, Bluetooth e GNSS para uso interno e tático (mochila), com até seis bandas e 5 W por banda.
BE1-40P e BE1-60P: inibidores táticos portáteis destinados a primeiros respondentes, equipes SWAT, negociadores de reféns e unidades de proteção VIP, com cobertura HF/VHF/UHF/celular/Wi‑Fi.
BE1-4/8-RA: inibidor reativo MAN-PACK desenvolvido especificamente para proteção de militares e de equipes EOD contra artefatos explosivos improvisados acionados por rádio (RCIED).
BE1-2000 Variant X: sistema modular de alta potência instalado em veículo para proteção de comboios contra RCIED, cobrindo HF, UHF, VHF, satélite, GNSS, 2G/3G/4G LTE, Wi‑Fi 5G e Bluetooth, em configuração reativa ou ativa.
BE1-FM2KW: unidade potente e programável de interferência em FM, com alcance superior a 20 km.
BE1-1001.P: jammer modular para presídios, voltado ao bloqueio de comunicações celulares dentro de unidades penitenciárias.
No plano doutrinário, a BE1 se posiciona como uma das referências em guerra eletrônica de pequena escala, afirmando ter capacidade de entregar soluções sob medida e desenvolver variantes específicas conforme os requisitos do cliente.
Adestramento e experiência prévia na América Latina
Durante a passagem pela Argentina, a BE1 voltou a sublinhar o adestramento como componente essencial para o uso dessas capacidades, em sistemas nos quais a proficiência operacional tem peso equivalente ao do equipamento. A empresa mantém uma sede LATAM em San Salvador (El Salvador), responsável pela gestão da presença regional, e registra histórico de atuação em diferentes forças latino-americanas, incluindo México, Honduras, Guatemala e a própria Argentina - onde, segundo materiais institucionais, teria trabalhado com equipes SWAT e unidades de forças especiais. A companhia também menciona projetos com autoridades penitenciárias e de segurança na África, Europa e Ásia.
Segundo informações divulgadas pela empresa, suas soluções já foram empregadas em cenários como proteção de quartéis-generais, cobertura Anti-drones de instalações governamentais e fornecimento de equipamentos de proteção pessoal para tropas de manobra, com instalações documentadas em Maurício, Gana, México, Honduras e Ucrânia.
Marco bilateral: a intensificação do vínculo Argentina–Israel
A visita ocorre no contexto da fase atual de aceleração do relacionamento bilateral entre Argentina e Israel. Como a Zona Militar noticiou em abril de 2026, a pauta de cooperação militar entre os dois países vem se fortalecendo, com ênfase especial na modernização do Exército Argentino. Foram apontados três eixos principais: armamento individual, uma nova plataforma de artilharia autopropulsada sobre rodas e a atualização dos TAM VCTP.
Paralelamente, o Ministério da Defesa liderado pelo tenente-general Carlos Presti manteve conversas com diversas empresas israelenses sobre propostas de reequipamento. Entre os temas, aparecem munições merodeadoras, drones MALE e novos veículos blindados de combate sobre rodas (VCBR 8×8), dentro do guarda-chuva mais amplo do programa de aquisições das Forças Armadas. Nesse cenário, a oferta da BE1 é apresentada como complementar ao esforço geral, com foco direto em Anti-drones e guerra eletrônica - áreas em que a experiência israelense, reforçada por lições de conflitos em curso no Oriente Médio e no Leste Europeu, passou a ser vista como um ativo de referência internacional.
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