É fato que a distância entre a Terra e o Sol não permanece igual o ano inteiro, mas essa variação não é o que provoca a troca das estações. O planeta percorre uma órbita elíptica ao redor do Sol e, para surpresa de muita gente, em 2026 o dia em que a Terra ficou mais próxima do Sol foi 3 de janeiro - e ela voltará a estar mais perto em 2 de janeiro de 2027. Já neste domingo, a Terra atinge o ponto em que fica mais distante do “astro-rei”. No hemisfério norte, é quando começa o verão.
Solstício de verão e a inclinação da Terra
O que realmente define a temperatura sentida na Terra não é a separação entre a estrela e o planeta, e sim quanta luz e energia a superfície terrestre consegue absorver. Essa absorção, por sua vez, está ligada à inclinação do eixo da Terra e à posição que ela ocupa na sua órbita em relação ao Sol.
Enquanto a Terra gira em torno do próprio eixo - a rotação que estabelece dias e noites - e, ao mesmo tempo, se desloca ao redor do Sol - a translação -, os extremos norte e sul do eixo terrestre vão, pouco a pouco, se afastando do Sol no inverno e se aproximando no verão. É dessa combinação de movimentos que resulta a quantidade de horas de claridade e de escuridão em cada estação.
Mais luz no hemisfério norte
No hemisfério norte, conforme nos aproximamos do solstício de verão, os dias vão ganhando cada vez mais tempo de luz e o clima fica mais quente. Isso acontece porque os pontos norte e sul do eixo da Terra ficam mais perto do Sol. Nessa época, a “estrela de fogo” aparece mais cedo, parece atravessar uma faixa maior do céu (pela nossa perspectiva) e se põe mais tarde. Por esse motivo, a energia absorvida pela Terra aumenta, já que o Sol fica menos tempo sobre a Terra.
Celebrar o renascer do Sol
As celebrações tradicionais ligadas aos solstícios - rituais de morte e ressurreição, fogueiras e fogos de artifício - eram associadas à ideia de devolver ao Sol as energias que se acreditava serem perdidas ao atravessar esses períodos críticos.
Em termos práticos, o solstício de verão indica o dia mais longo do ano. Ele simboliza o nascimento da estação, o marco inicial da luz e do calor que aproximam a vida. E, como todo começo, também sinaliza o início do declínio.
Aos poucos, os dias passam a encurtar e a durar menos, até que, no solstício de inverno, os papéis se invertam no ciclo eterno que sustenta o equilíbrio da natureza.
Solstícios e equinócios
A palavra solstício vem do latim solstitium, com o sentido de “sol parado”. A explicação é que, no movimento aparente anual, o Sol parece ficar imóvel por um instante.
Nos solstícios, ocorre a diferença máxima entre a duração do dia e da noite: em um hemisfério, a noite é a maior do ano, enquanto no outro esse mesmo dia é o mais longo. Depois disso, essa diferença começa a diminuir gradualmente.
No hemisfério norte, o solstício marca o primeiro dia do verão em 21 ou 22 de junho, dependendo do ano. Nesse caso, acontece o oposto do solstício de inverno: é o dia mais longo do ano e a noite, a mais curta.
Já nos equinócios, o tempo de dia e de noite é igual em qualquer ponto da Terra - com exceção dos polos. É daí que vem o nome, do latim aequinoctium, que significa “dia igual a noite”.
No passado, antes que a ciência explicasse por que solstícios e equinócios acontecem, as mudanças entre a duração do dia e da noite assustavam as pessoas. Eram frequentes as lendas em torno dessas datas e também cultos pedindo que o Sol voltasse a brilhar no céu depois de um solstício de inverno.
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