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Ford Ranger Stormtrak, Wolftrak e Raptor SE: teste em dose tripla no off-road espanhol

Picape Ford Ranger Raptor vermelha em estúdio com piso cinza e parede branca.

Falta bem pouco para a gente conhecer a nova geração da Ford Ranger - mas os primeiros detalhes já apareceram. Ainda assim, a marca do “oval azul” fez questão de reforçar os trunfos daquela que é a “picape mais vendida na Europa” - provavelmente a frase mais repetida pelos executivos - e preparou três edições especiais: Stormtrak, Wolftrak e Raptor SE.

São três séries com pacote de equipamentos mais completo, pensadas para dar novo fôlego às vendas desta geração da Ford Ranger, que já está em “fim de ciclo”.

Mas será que ela ainda faz sentido? Foi isso que tentamos responder em um teste em “dose tripla” na Espanha. A resposta está nas próximas linhas - ou no resumo no final do artigo.

Ford Ranger. Fora de estrada sem medo

Não é todo dia que a gente encontra um roteiro de avaliação como o que a Ford montou para apresentar a Ranger. Teve lama, terra, asfalto e até inclinações mais agressivas para medir, na prática, as aptidões off-road da picape.

Mesmo com a chuva dos dias anteriores - que elevou o nível de dificuldade de cada obstáculo - a Ranger “subiu” tudo.

Entre os desafios, um dos mais divertidos aconteceu ao volante da Wolftrak. A Ford organizou um pequeno teste de slalom, em que a proposta era completar o trajeto primeiro com a tração 4x4 acionada e, depois, só com tração traseira e o bloqueio de diferencial ativado.

Como seria de esperar, foi com a tração integral «desligada» que nos divertimos mais.

Se os técnicos da Ford tivessem permitido, eu ainda estaria lá - entretido “enrolando” cones com a Ford Ranger Wolftrak. Ela pode até ser a menos potente do trio, mas os 170 cv e 420 Nm do motor Ford EcoBlue 2.0 (Diesel) seguem dando conta do recado, com força suficiente para fazer o eixo traseiro “sair” com vontade. Só que essa não é a proposta principal desta versão.

Dentro do trio, a Ford Ranger Wolftrak é a mais voltada ao uso profissional. Na caçamba, há suportes em ferro tubular e, por dentro, aparecem menos “mordomias” do que nas Stormtrak e Raptor SE.

Ainda assim, o pacote de equipamentos da Ranger Wolftrak continua bem resolvido - apesar de não contar com câmbio automático, disponível nas outras duas versões - o que ajuda a explicar o preço de 44 800 euros em Portugal.

Vamos sujar as rodas?

A Ford Ranger segue entregando capacidade off-road acima da média - algo que já tínhamos verificado antes com a mais radical Raptor. E foi justamente na Stormtrak que começamos a colocar as “perguntas mais difíceis” para o sistema de tração e para as suspensões da Ranger.

Com a reduzida acionada, o sistema de tração ativado, o diferencial traseiro travado, 213 cv de potência e 500 Nm de torque máximo, fica difícil impedir o avanço da Ford Ranger Stormtrak. Mesmo quem tem pouca experiência tende a se sentir seguro para encarar trilhas mais pesadas.

Por causa da chuva e da passagem de vários grupos de jornalistas por ali nos dias anteriores, o percurso de testes já estava bastante castigado. Ainda bem que a Ford manteve o trajeto original e, assim, tivemos cruzamentos de eixo que levaram ao limite o trabalho das suspensões e do conjunto de tração da Ranger.

Passados os trechos mais complicados, vale destacar o equipamento de série desta versão, claramente direcionado a quem não busca apenas um veículo de trabalho. Com bancos de couro, cobertura elétrica da caçamba, detalhes exclusivos na carroceria e câmbio automático de 10 marchas, a Ford Ranger Stormtrak mira, sem rodeios, um público que quer um modelo com competências que vão além do uso profissional - e que também procura um veículo de lazer.

Ainda assim, não dá para esperar na Ranger Stormtrak materiais no mesmo nível dos SUVs da Ford. As origens desta picape continuam evidentes. Em contrapartida, o bom isolamento acústico e o ajuste correto da suspensão ajudam a “esquecer” com relativa facilidade essa base. Preço? 56 000 euros.

A diferença de valor é explicada pelo motor mais forte, pelo câmbio automático de 10 marchas, pela caracterização específica, pelos bancos em couro, pelas rodas de 18″, pela caçamba com comando elétrico e pelo sistema de infoentretenimento SYNC3, entre outras “mordomias” que, há poucos anos, pareciam impensáveis em um veículo deste segmento.

Ford Ranger Raptor SE. A versão mais desejada

É a configuração mais cara - no nosso país, sai por 68 900 euros, apenas mais 900 euros do que a Raptor “normal”. Também é a mais desejada, a mais divertida e - talvez por isso… - a menos comprometida com o lado profissional. A Ford Ranger Raptor SE reúne tudo isso e ainda vai além.

Vinda da divisão Ford Performance, esta versão não só traz uma aparência mais agressiva, como também adota um conjunto de suspensões mais sofisticado, pensado para dirigir com a “faca entre os dentes”.

Na dianteira, há braços duplos em alumínio trabalhando junto com suspensões fornecidas pela FOX Racing - uma marca com muita experiência nesse tipo de veículo. Na prática, essas mudanças resultam em bitolas dianteiras mais largas, mais estabilidade e uma capacidade de absorver obstáculos sem paralelo no segmento.

A Ford Ranger Raptor SE é definitivamente a pick-up mais divertida do mercado.

Na traseira, além das suspensões FOX Racing, contamos com um arranjo multilink desenhado para maximizar o desempenho em condução esportiva. A capacidade de carga e de trabalho fica prejudicada, mas, em troca, a picape ganha uma competência de progressão em ritmo forte que, em alguns momentos, chega a desconcertar.

Em termos de resposta mecânica, dá para perceber que os 213 cv poderiam vir acompanhados de mais “cavalos”. Não por falta de mérito do motor, e sim pelo trabalho brilhante da Ford no desenvolvimento do conjunto chassi/suspensões.

Na estrada, independentemente da versão, a Ford Ranger surpreende pelo conforto - com vantagem para a Raptor SE - e pelos consumos, que podem ficar na casa dos 8,0 l/100 km se aproveitarmos ao máximo o câmbio automático de 10 velocidades.


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