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Spyros Panopoulos Automotive Chaos: primeiro olhar e números absurdos

Carro esportivo vermelho metálico com detalhes pretos em showroom moderno com vista urbana ao fundo.

A grega Spyros Panopoulos Automotive entrou no nosso radar no ano passado, quando revelou pela primeira vez o Project Chaos - um hipercarro extremo que, segundo a própria marca, inauguraria uma nova categoria: a dos “ultracarros”.

Agora, finalmente, dá para ver um primeiro vislumbre (ainda em formato digital) do “ultracarro” Chaos, além de conhecer as suas especificações e números “de doidos” - tão exagerados que até o Devel Sixteen (o tal dos 5000 cv) teria motivo para prestar atenção.

Começando pelo Chaos “Earth Version”, a opção de “entrada” promete 2077 cv de potência e 1389 Nm de torque (com limitador previsto ficar entre as 10 000 rpm e 11 000 rpm), 7,9s para chegar aos… 300 km/h, mais de 500 km/h de velocidade máxima e menos de 8,1s no clássico quarto de milha (mais rápido que o Rimac Nevera).

No topo da linha aparece o Chaos “Zero Gravity”, a configuração máxima deste ultracarro, com 3106 cv e 1983 Nm (limitador previsto ficar entre as 11 800 rpm e 12 200 rpm). Aqui, a promessa é de impressionantes 1,55s para ir aos 100 km/h, 7,1s até os 300 km/h e um quarto de milha (teoricamente) resolvido em 7,5s!

Modéstia é uma palavra que o SP Automotive Chaos definitivamente não conhece.

Para chegar a esses números, a marca fala em um V10 (a 90º) de 4,0 l, com dois turbocompressores, mandando toda a força para as quatro rodas do Chaos por meio de um câmbio de dupla embreagem com “sete ou oito velocidades”, como se lê no site da SP Automotive.

Materiais exóticos e impressão 3D para tornar a fantasia realidade

Além dessas declarações - no mínimo - surpreendentes, que inevitavelmente terão de se confirmar no mundo real, outro destaque do Chaos está na forma como ele é construído e nos materiais envolvidos.

O SP Automotive Chaos se apoia em grande parte na fabricação aditiva, mais conhecida como impressão 3D, com a promessa de extrair o máximo desempenho de cada componente sem que isso resulte em massa demais.

Basta olhar para os números anunciados: 1388 kg (sem sabermos se é peso a seco ou já com fluidos) no Chaos “Earth Version” e, ainda mais impressionantes, 1272 kg no Chaos “Zero Gravity”. Para um “monstro” com esse nível de potência e tração integral, são valores chamativos - um Bugatti Chiron com 1500 cv, por exemplo, “atira-se” para perto das duas toneladas.

Para chegar lá, a impressão 3D teria permitido otimizar o desenho de uma grande variedade de peças, criando “esculturas” complexas (reparem no virabrequim do motor abaixo, por exemplo) que usam bem menos material sem abrir mão das características de resistência exigidas.

A impressão 3D, em um processo que a SP Automotive chama de Anadiaplasi, teria sido aplicada em quase tudo: do bloco e várias peças do motor (algumas alternativas só estarão disponíveis na versão “Zero Gravity”) a 78% da carroceria, passando pelas rodas de 21″ e 22″, pinças de freio e até os quatro escapamentos.

E os materiais - impressos ou não - continuam no mesmo nível de ousadia. Fibra de carbono quase parece comum quando o Chaos cita o uso de ligas de titânio e magnésio, carbono-kevlar, inconel (nos escapamentos) e zylon (polímero sintético) na monocoque.

Na suspensão de duplo triângulo sobreposto, por exemplo, a marca menciona liga de titânio ou magnésio. Já os discos de freio são de carbono-cerâmica (442-452 mm na dianteira, dependendo da versão, e 416-426 mm na traseira), com pinças em titânio ou magnésio.

Não parece, mas é grande

O SP Automotive Chaos tem um visual “ultra” agressivo, porém trabalhado para a aerodinâmica, recorrendo, por exemplo, a túneis Venturi. Nessa primeira apresentação digital, ele até passa uma sensação de carro compacto - mas a realidade é justamente o contrário.

O “ultracarro” supera em tamanho praticamente todos os supercarros e hipercarros: são 5,053 m de comprimento, 2,068 m de largura e apenas 1,121 m de altura. O entre-eixos é de longos 2,854 m.

O modelo que aparece nas imagens é só uma representação digital, mas vale citar a altura do solo praticamente inexistente e o enorme balanço dianteiro - combinação que tornaria impossível encarar até a menor lombada. Só quando surgir o primeiro exemplar real será possível entender o quanto essa versão digital reflete o carro definitivo.

O interior, por sua vez, é tão exótico quanto o exterior e foi pensado para apenas dois ocupantes. O volante, impresso em 3D (claro), lembra mais o manche de um avião e incorpora uma tela sensível ao toque. Há alguns comandos físicos na região central e o passageiro também ganha uma tela.

Assim como do lado de fora, os materiais do habitáculo não poderiam ser mais “fora da caixa”: da fibra de carbono ao zylon, passando por titânio e magnésio - e, para completar, revestimentos em Alcantara.

O pacote tecnológico anunciado pela SP Automotive para o Chaos também chama atenção: óculos VR, realidade aumentada, conectividade 5G, reconhecimento por impressões digitais e câmeras de reconhecimento facial (que permitem ler as expressões faciais que permitem adaptar a condução do Chaos ao estado de humor e capacidades do condutor) estariam entre os recursos.

Entregas arrancam já em 2022

Como dá para imaginar, o Chaos não será um carro de produção ampla: a SP Automotive fala em no máximo 20 unidades… por continente. Considerando a excentricidade dos materiais, do método construtivo e o volume limitado, não surpreende que o preço comece na casa dos sete dígitos.

O Chaos “Earth Version” parte de 5,5 milhões de euros, enquanto o ainda mais exótico (pelos materiais e pela construção) Chaos “Zero Gravity” sobe para astronômicos 12,4 milhões de euros!

Fantasia ou realidade?

As fichas e o desempenho prometidos para o Chaos parecem “de outro mundo”, mas a Spyros Panopoulos Automotive, apesar de jovem como marca, se apoia em um histórico de 23 anos de inovação quando se considera a trajetória do seu fundador homônimo, Spyros Panopoulos.

A experiência dele em materiais e técnicas de construção foi construída no universo das competições e do tuning (ele era o dono da eXtreme Tuners) e inclui colaborações com vários fabricantes no desenvolvimento e na produção de peças com especificações de alta performance para motores de combustão interna.

Ainda assim, só quando virmos o Chaos ser testado de forma adequada e independente - o próprio Spyros Panopoulos já disse que iria providenciar um exemplar para ser testado pelo Top Gear - será possível tirar esse “ultracarro” e os números que ele anuncia do “mundo da fantasia” em que parecem estar.


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