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Impressões do Rolls-Royce Ghost Series II

Carro de luxo Rolls-Royce silver com placa Gost II exibido em showroom moderno com piso de mármore.

Eu nem sabia que The Apprentice tinha voltado à televisão?

Você devia desconfiar. Não é o Rolls-Royce Phantom do Lord Vader - digo, do Lord Sugar - fazendo a clássica voltinha pelo centro de Londres. O carro da vez é o novíssimo Rolls-Royce Ghost, agora na versão Series II. E dá para cravar logo de saída: ele é absurdamente bom.

Por quê?

Já chegamos lá. Antes, vale destrinchar o que mudou no Series II - porque entender essas mudanças é entender o jeito Rolls-Royce de trabalhar. Nada de revoluções chamativas: são ajustes pontuais, aqui e ali, só que com um nível de capricho nos detalhes que exige muito esforço.

O que mudou no Rolls-Royce Ghost Series II

Como assim?

Praticamente todos os painéis da dianteira foram redesenhados. Os faróis passaram a ser unidades de LED mais fortes, receberam um refinamento discretíssimo e agora exibem luzes diurnas contínuas contornando toda a moldura.

O capô ganhou um “canal de esteira” ao centro, criado para imitar o rastro de vapor de um jato saindo das asas do Spirit of Ecstasy (que, por sua vez, foi inclinado 7 graus para a frente). A grade, por inteiro, também passou a ficar 13mm mais alta do que no Series I.

E, embora a largura do carro não tenha aumentado, os para-choques foram reesculpidos para dar essa impressão. A chamada “linha de flutuação” - o vinco que corre pela lateral na direção do para-lama dianteiro - também recebeu mais inclinação.

Interior, acabamento e tecnologia a bordo

Ainda nesse tema de inclinação, os bancos traseiros foram levemente virados um para o outro; os dianteiros são totalmente novos (“o melhor banco que já construímos”, diz a RR). Há pequenos adornos de metal polido aplicados individualmente ao redor dos mostradores do painel de instrumentos e existe a opção de duas novas lâminas de madeira.

E, a propósito, a lâmina de madeira da Rolls é “mais única do que uma impressão digital humana”, porque nunca existem duas iguais.

Na parte de tecnologia, aparece uma nova tela de alta definição de 10.25 polegadas e um painel tátil no comando giratório de cristal (um toque - com o perdão do trocadilho) que reproduz o gesto de “pinça” típico de smartphones.

Tem mais alguma coisa?

O sistema de som cresceu, ficou melhor e entrega um resultado apropriadamente grandioso. Mais importante ainda: o Series II passa a trazer o excelente Sistema de Transmissão Assistida por Satélite que vimos pela primeira vez no Wraith.

Esse recurso analisa dados do GPS e o seu estilo de condução para escolher a marcha ideal na caixa ZF de oito marchas. Para melhorar ainda mais o conforto ao rodar, há novos coxins hidráulicos no eixo traseiro. E, se você optar pelo “Pacote de Condução Dinâmica”, entram em cena novas torres dianteiras e traseiras, uma nova caixa de direção, amortecedores recalibrados e um volante mais espesso.

Ao volante: como é o Ghost

E na prática, como ele é?

Brilhante. Protetor. O conforto não é absolutamente imune a críticas - as partes mais cruéis do asfalto ainda conseguem chegar à cabine de forma bem sutil, provavelmente por causa do Pacote Dinâmico do nosso carro -, mas, no conjunto, ele é simplesmente uma forma magnífica de viajar. Silencioso, sereno, contido e majestoso no jeito como avança pela estrada, engolindo imperfeições e mantendo o seu corpo em completo sossego.

O motor continua o mesmo V12 de 6.6 litros, com 563bhp e 575lb ft (780 Nm) de torque, mas você não apostaria nisso, porque ele é praticamente inaudível. O que chega até você é só o podeeeer. E, para um carro que pesa 2,470kg, a pancada é de verdade. Dá para deixar pilotos profissionais sem graça com isso. Ainda assim, imaginamos que a Rolls não aprovaria esse tipo de travessura.

A nova caixa de câmbio “presa” ao GPS é, como já tínhamos percebido no Wraith, igualmente excelente. Sem aletas, sem drama: apenas avanço. Em nenhum momento o carro hesitou na hora de escolher a marcha certa. Assustadoramente preciso. E, sim, também existe um toque moderado de esportividade; o volante privilegia a prudência quando o assunto é sensação, mas não chega a ser pesado a ponto de exigir qualquer esforço indigno.

De todo modo, como já dissemos antes, não dá para enquadrar o Ghost nos critérios comuns de avaliação de estrada - porque ele está acima disso.

Tudo se explica pelo sentimento que o Ghost transmite. Da opulência do interior - o carpete grosso e profundo, o detalhamento inacreditável da madeira, o áudio soberbo e um couro que parece vindo de um planeta dedicado exclusivamente a isso - até a postura na via, ele se comporta como um assistente pessoal de elite, perfeitamente treinado. Tudo o que faz serve para tirar pressão de você, nunca para colocar. Uma coisa fina, fina.

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