A Milken Global Conference acontece até 06 de maio em Beverly Hills, Los Angeles, reunindo chefes de Estado, representantes diplomáticos, empresários e investidores de vários países.
FMI: Kristalina Georgieva e o choque energético no Estreito de Ormuz
Em um painel sobre a economia mundial durante a conferência, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que o choque energético desencadeado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz tem alcance global e que "nenhum país evitará o impacto dos preços altos".
A dirigente reforçou a natureza internacional do mercado: "O petróleo é um produto global negociado globalmente", disse. E acrescentou: "Vejo que parte da audiência envolvida em políticas públicas está a ignorar isto", apontou.
Projeções do FMI: inflação, crescimento e o risco de um cenário pior
Georgieva observou que, até agora, o efeito da crise sobre os preços do petróleo ficou abaixo do que se imaginava inicialmente, mas que a hipótese mais favorável já saiu do radar. "Um impacto moderado e uma ligeira desaceleração do crescimento já não é o cenário de referência", alertou.
De acordo com os cálculos do FMI, o quadro tende a ser mais difícil, com pressão adicional sobre a inflação - ainda que, por enquanto, as condições financeiras não estejam se apertar. Ela ponderou, porém, que, se a situação se prolongar até 2027 e o barril de petróleo ficar em torno dos 120 dólares, "então podemos esperar um resultado muito pior".
Na avaliação apresentada, o encarecimento da energia deve se espalhar para outros itens: os alimentos tendem a ficar mais caros porque os fertilizantes sobem, a fabricação de chips será impactada e o problema pode ganhar gravidade.
"Este é um impacto nos preços de evolução lenta que precisamos de ter em conta", destacou, ao lamentar que o choque energético não esteja trazendo à tona o melhor dos líderes políticos.
Ela também criticou a postura de curto prazo de governos diante do problema: "Os decisores ainda agem como se isto fosse durar apenas alguns meses e estão a pôr em prática medidas para reduzir o impacto nos consumidores e empresas", apontou. "Toda a gente aqui sabe que, se a oferta encolhe, a procura também tem de diminuir".
Chevron: demanda, escassez na Europa e paralelo com os anos 70
No mesmo painel, o CEO da petrolífera Chevron, Mike Wirth, fez uma leitura alinhada à ideia de ajuste via demanda. "Ainda não assistimos a uma grande disrupção na procura", notou. "A procura precisa de se ajustar à restrição da oferta e a atividade vai ter de diminuir", avisou. "Este não é um bom cenário. As economias emergentes terão a menor capacidade de absorver o choque".
Wirth afirmou que, em breve, a Europa deve começar a enfrentar escassez física de petróleo, repetindo o que já ocorre na Ásia, e avaliou que conter a alta de preços não é uma boa política.
"Potencialmente veremos um efeito tão fundamental quanto o choque energético dos anos 70", previu Wirth.
Para Georgieva, o aspecto positivo possível é que choques energéticos anteriores estimularam ganhos de eficiência no uso de energia - e ela disse esperar que isso se repita agora. Como exemplo, citou a Espanha, que ampliou a aposta em energias renováveis e, por isso, deve ter melhores condições de resistência.
A diretora do FMI ainda mencionou um segundo choque em curso: o avanço da Inteligência Artificial. "Quando se olha para o choque energético e a IA juntos, os países com fontes de energia mais fiáveis e de baixo custo são os que irão beneficiar mais da IA", afirmou.
Na visão de Georgieva, a transformação tecnológica é inevitável. Será "IA ou morte", disse.
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