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EDP Renewables garante que desistência de Bluepoint Wind e Golden State Wind nos EUA não afeta 2026

Homem em reunião empresarial apresentando dados para duas pessoas com vista para o mar e turbinas eólicas.

Miguel Stilwell de Andrade, presidente executivo da EDP Renewables, afirma que a decisão de abandonar dois dos três projetos de eólica offshore que a empresa vinha tocando nos Estados Unidos - após um acordo fechado com o governo de Donald Trump - não deve trazer efeito negativo para os resultados de 2026. Ele também sustenta que a EDP não será “obrigada” por Washington a direcionar capital para combustíveis fósseis no país.

Acordo e impacto nas contas da EDP Renewables em 2026

Segundo o executivo, o desenho do acordo faz com que a companhia recupere o que já havia colocado nos empreendimentos, sem gerar resultado extra.

"Basicamente, devolvem-nos o capital que estava investido. Portanto, não há ganho nem perda. Recebemos o valor de volta e encaixamos o que já está registado nas nossas contas. Em vez de termos o dinheiro empatado lá, conseguimos reinvestir, mas no nosso caso não vai ser diretamente em gás natural ou petróleo", disse ao Expresso.

O montante em questão é de 200 milhões de dólares, o que corresponde a cerca de €171 milhões.

Bluepoint Wind e Golden State Wind: como ficou a desistência dos projetos de eólica offshore

No fim de abril, o governo dos EUA informou que os consórcios responsáveis pelos projetos Bluepoint Wind e Golden State Wind - nos quais a Ocean Winds North America (controlada por Engie e EDP) tem 50% - concordaram em abrir mão dos empreendimentos. Em troca, receberiam uma compensação referente aos valores já pagos para obter o direito de desenvolver os parques em águas norte-americanas.

De acordo com Washington, as empresas se comprometeriam a reinvestir em "projetos de energia convencional, confiáveis".

Como funciona o reembolso e o reinvestimento exigido pelos EUA

Stilwell diz que a EDP não precisa ser a investidora nesses ativos.

"A EDP não tem de fazer esses investimentos. Basta que a BlackRock ou a Canada Pension Plan Investment Board (CPP Investments) o façam, para que o dinheiro nos seja devolvido. Nós não temos intenções de fazer esse investimento diretamente, mas eles farão. A expectativa é que o valor reverta para a Ocean Winds assim que os investimentos sejam feitos, o que se espera que aconteça ao longo dos próximos meses, seguramente antes do final de 2026", afirmou ao Expresso.

O governo americano detalhou que a Global Infrastructure Partners, da BlackRock, se comprometeu a "investir até 765 milhões de dólares [€654 milhões]", valor equivalente à proposta original do projeto offshore Bluepoint Wind, em uma instalação de gás natural liquefeito (GNL) nos EUA. Na sequência, o Departamento do Interior cancelará o contrato e devolverá o valor pago ao consórcio (do qual a empresa da BlackRock faz parte), no mesmo montante aplicado no projeto de GNL.

No caso do Golden State Wind, cujo consórcio é formado pela Ocean Winds e pela Reventus Power (da CPP Investments), o compromisso foi de "encerrar voluntariamente o seu contrato de arrendamento para energia eólica offshore" na região de Morro Bay, na Califórnia. Pelos termos do acordo divulgados pelo governo Trump, as empresas poderão "recuperar aproximadamente 120 milhões de dólares [€102 milhões] após um investimento de valor equivalente em ativos de petróleo e gás, infraestruturas energéticas e/ou projetos de GNL nos Estados Unidos".

O mesmo comunicado afirma ainda que "A Bluepoint Wind e a Golden State Wind decidiram não prosseguir com nenhum novo projeto de energia eólica offshore nos Estados Unidos“, e destaca que "estes acordos históricos garantem o reembolso integral dos custos com parques eólicos offshore, que se mostraram inviáveis ​​sem subsídios dos contribuintes".

O que disseram Trump, o Departamento do Interior e os parceiros

“O presidente Trump está focado em fornecer energia acessível e confiável aos cidadãos americanos”, declarou o secretário do Interior, Doug Burgum. “As empresas que concorreram a estes projetos offshore basicamente compraram, em 2022, um produto que só era viável com o apoio de subsídios massivos dos contribuintes americanos. Agora estão a investir em infraestruturas de energia acessível, confiável e segura", acrescentou.

Já o procurador-geral adjunto, Stanley E. Woodward Jr., afirmou que o Departamento de Justiça atuou no processo porque "litígios prolongados não beneficiam nenhuma das partes envolvidas".

"Esperamos continuar a investir em fontes de energia convencionais para aumentar a independência energética dos EUA e garantir energia acessível”, disse Salim Samaha, presidente da área de GNL da Global Infrastructure Partners, da BlackRock, que detém 50% da Bluepoint Wind.

“”A nossa prioridade é a alocação disciplinada de capital e o fornecimento de soluções energéticas confiáveis ​​que criem valor a longo prazo”, afirmou Michael Brown, CEO da Ocean Winds North America, que tem 50% tanto na Bluepoint Wind quanto na Golden State Wind.

Contexto: projetos em “hibernação” e peso dos EUA no plano 2026-2028

Antes de os acordos serem divulgados, Miguel Stilwell de Andrade já havia informado que os três projetos de eólica offshore da EDP nos EUA - desenvolvidos com a Engie por meio da joint venture Ocean Winds - estavam "em modo de hibernação", com as iniciativas suspensas "à espera de tempos melhores". A meta, segundo ele, seria "evitar custos acrescidos no futuro", diante da incerteza sobre a viabilidade dos projetos, em um ambiente no qual a administração Trump vinha demonstrando oposição ao avanço da eólica no mar.

Ainda assim, a empresa - hoje chamada EDP Renewables - reforça que os EUA "permanecem como o principal mercado, representando cerca de 60% do plano de investimento de €7,5 mil milhões para 2026-2028". Ao final do primeiro trimestre de 2026, a América do Norte respondia por quase 53% da capacidade eólica do grupo EDP e por cerca de 56% da capacidade solar fotovoltaica.

Também a CEO da Engie, Catherine MacGregor, reconheceu que a companhia mantinha conversas sobre um possível abandono dos seus projetos de eólica offshore nos EUA. Pela Ocean Winds, EDP e Engie vinham desenvolvendo os projetos Southcoast Wind, com 2,4 gigawatts (GW), Bluepoint Wind (outros 2,4 GW) e Golden State Wind (2 GW). Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a EDP informou um acordo com o Departamento do Interior dos EUA para abandonar as concessões Bluepoint Wind e Golden State Wind, em troca de cerca de 200 milhões de dólares (em linha com o valor contabilístico dos projetos).

Em março, o governo dos EUA já havia anunciado um acordo de 1 bilhão de dólares com a francesa TotalEnergies para que a empresa deixasse um projeto de eólica offshore.

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