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Husqvarna vai fechar fábrica de Rio de Mouro, em Sintra, até o fim de 2026 e ameaça 100 empregos

Homem com colete laranja embala caixas em ambiente industrial com motosserra e capacete sobre a mesa.

A Husqvarna, multinacional sueca voltada à fabricação de ferramentas e equipamentos industriais, pretende encerrar até o fim de 2026 a unidade de Rio de Mouro, no município de Sintra. A decisão coloca em risco cerca de 100 postos de trabalho e deve encerrar a produção de ferramentas diamantadas da empresa em Portugal.

A medida ocorre em meio a uma reorganização internacional do grupo sueco, que justifica a mudança com a busca por maior rentabilidade e pela concentração em áreas consideradas mais lucrativas. Em Portugal, a Husqvarna registrou faturamento de cerca de 21 milhões de euros no ano passado.

A informação foi divulgada pelo "Jornal de Negócios", que citou João Reis, diretor operacional da divisão de "ferramentas diamantadas + pedra" da Husqvarna. Segundo ele, a empresa optou por descontinuar atividades industriais em Portugal, Bélgica e Grécia, como parte do reposicionamento global.

Entre os trabalhadores de Rio de Mouro, o anúncio foi recebido como um choque, em um ambiente já marcado por insegurança nos últimos meses. O SITE - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autônomas - afirma que a administração vinha se preparando para o encerramento enquanto recorria a mecanismos públicos de apoio.

"Nós acompanhamos esta empresa regularmente e só agora percebemos qual era a verdadeira intenção da administração, que era avançar com o despedimento e encerramento da fábrica", afirmou ao JN Benny Freitas, dirigente sindical responsável por acompanhar o processo.

Tentativa de "lay-off"

De acordo com o sindicalista, a empresa tentou recentemente acionar instrumentos de "lay-off". O sindicato diz ter denunciado a iniciativa por entender que poderia envolver apoios públicos que, na prática, acabariam facilitando um processo de demissão coletiva. "Tentou recorrer a recursos públicos para financiar este despedimento", acusa Benny Freitas, lembrando que, ao mesmo tempo, a multinacional continua distribuindo dividendos aos acionistas.

Agora, o SITE quer solicitar esclarecimentos ao Governo e à Prefeitura Municipal de Sintra sobre possíveis apoios públicos concedidos à empresa ao longo dos últimos anos. "Quando existem esses contratos, há cláusulas que preveem a salvaguarda dos postos de trabalho. As empresas não podem ficar só com a parte dos empréstimos do Estado e depois não garantir as outras cláusulas", sustenta o dirigente sindical.

Fundada em 1689 como fabricante de mosquetes, a Husqvarna é uma das companhias industriais mais antigas ainda em atividade no mundo. Em Portugal, a planta de Rio de Mouro é dedicada à fabricação de ferramentas diamantadas usadas principalmente nos setores de pedra e construção.

Realocação interna em equação

Segundo João Reis, a empresa ainda analisa alternativas de "realocação interna", embora reconheça que a parte produtiva deixará de existir. As áreas administrativas também estão passando por reavaliação.

A administração entende que ainda é cedo para fechar o impacto total da decisão, mas admite que cerca de 100 trabalhadores podem ser atingidos. A retirada gradual da operação deve se estender até o fim de 2026, incluindo a possibilidade de encerramento definitivo das instalações em Rio de Mouro.

Do lado sindical, a preocupação é que o município perca mais uma unidade industrial, em uma região já marcada, nas últimas décadas, pela redução do emprego produtivo. Benny Freitas afirma que o sindicato seguirá acompanhando o processo e não descarta assembleias, protestos e outras formas de contestação.

Adaptação a outro tipo de produção

O dirigente também argumenta que a fábrica dispõe de tecnologia, máquinas e capacidade técnica que poderiam ser direcionadas para outro tipo de produção, evitando o fechamento integral da unidade. "Essa hipótese não devia estar fechada", afirma.

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