Starship está prestes a tentar seu 12º voo de teste depois de 7 meses sem decolar. E, desta vez, a SpaceX já não tem margem para tropeços: IPO histórico, missões lunares, fusão com a xAI… Hoje, o foguete superpotente virou o eixo das atividades do gigante espacial.
A SpaceX trabalha com a meta de 21 maio para executar o 12º voo de teste da Starship, seu lançador gigante e disruptivo. É um lançamento muito aguardado, já que o veículo não voa há 7 meses. E se, por muito tempo, a empresa de Elon Musk defendeu a lógica de testar rápido, falhar rápido e aprender rápido, o ano de 2025 colocou essa filosofia sob pressão.
O cenário também mudou de forma drástica para esse colosso do setor. Agora, a palavra de ordem é eficiência: mais do que nunca, a SpaceX é cobrada por resultados. A ponto de um novo fracasso da Starship poder virar sinônimo de catástrofe.
A V3 entra em cena
Até aqui, cada versão da Starship foi, principalmente, uma etapa de aprendizado. A V3, que será colocada à prova pela primeira vez em 10 maio, se aproxima muito mais do que seria um foguete operacional - aquele que sustenta toda a visão da SpaceX. E a diferença em relação às gerações anteriores é enorme.
Para ilustrar, as Starship V2 conseguiam colocar apenas cerca de 35 toneladas em órbita baixa, pouco acima do Falcon 9, o cavalo de batalha histórico da SpaceX. Já Elon Musk afirma que a V3 chegará a 100 à 150 toneladas. Trata-se de um salto impressionante, viabilizado por uma reformulação quase total: novos motores Raptor mais leves e mais potentes, sistema de propulsão do segundo estágio completamente redesenhado e um novo local de lançamento.
No papel, a mudança é revolucionária. Ainda assim, especialistas preferem cautela: alcançar esse patamar logo nos primeiros voos seria um feito sem precedentes na história da exploração espacial.
A NASA e Artemis: bilhões em jogo
Com Artemis II tendo acabado de encantar o mundo, a próxima etapa já está em preparação. Artemis III precisa realizar acoplamentos em órbita baixa da Terra já no ano que vem, enquanto Artemis IV prevê um pouso na Lua em 2028. A Starship foi escolhida como módulo de pouso lunar pela NASA em 2021, o que garantiu à SpaceX mais de 4 bilhões de dólares.
Para isso, o foguete terá de provar capacidades técnicas extremamente elevadas, com destaque para o reabastecimento em órbita - uma manobra nunca realizada nessa escala. Pelas estimativas, seriam necessários entre 10 e uma vingtaine de voos de reabastecimento para cada missão lunar.
Ao mesmo tempo, a China acelera seu próprio programa lunar, com um objetivo declarado: levar astronautas à Lua antes de 2030. Os Estados Unidos não podem se dar ao luxo de ficar para trás: se a Starship atrasar, a NASA vai recorrer à Blue Origin e ao seu módulo Blue Moon nas primeiras missões. Para a SpaceX, o impacto seria devastador.
Justificar a fusão com xAI: Starship está no centro de tudo
No começo de 2026, Elon Musk fundiu a SpaceX com a xAI, sua startup de inteligência artificial (IA), em uma operação que avaliou o conjunto em 1 250 bilhões de dólares. A ideia foi combinar a capacidade de lançamento da SpaceX com as ambições de IA da xAI para posicionar mais de 1 milhão de data centers em órbita. Seria uma infraestrutura colossal, alimentada por energia solar quase permanente, capaz de rodar modelos de IA diretamente do espaço - um plano tão vertiginoso quanto ambicioso.
Só que, para esse projeto sair do papel, é preciso colocar tudo lá em cima. E, hoje, apenas a Starship tem essa capacidade. O mesmo vale para as novas gerações de satélites Starlink, maiores e mais potentes, que ficaram pesadas demais para o Falcon 9. Sem um foguete gigante operando de verdade, o serviço de satélite pode abrir espaço para o concorrente Amazon Leo ganhar terreno.
A entrada em Bolsa histórica se aproxima
A SpaceX deve entrar em Bolsa por volta de 12 junho. E os números são estonteantes: a avaliação esperada ultrapassa 2 000 bilhões de dólares. Um patamar que colocaria a SpaceX entre as empresas mais valiosas do planeta.
Mas essa valorização astronômica se apoia em uma promessa: a de uma Starship capaz de cumprir o que foi anunciado. Os investidores que estão prestes a colocar bilhões na mesa precisam acreditar nisso. Um novo insucesso ainda hoje, porém, enviaria um sinal desastroso ao mercado. Como sustentar um financiamento desse tamanho para uma companhia cujo foguete mais importante não consegue voar com confiabilidade?
Ainda mais porque as promessas são gigantescas. A SpaceX montou toda a narrativa do seu IPO em torno da Starship: os data centers orbitais, a expansão do Starlink, as missões lunares e, no longo prazo, Mars. Se o foguete não entregar, todo esse storytelling desaba.
Toda a indústria espacial espera
O setor inteiro prende a respiração. Muitas empresas do segmento espacial basearam seu modelo de negócios na promessa de uma Starship comercial: constelações de satélites, data centers orbitais, missões tripuladas privadas e assim por diante. O foguete superpesado precisa reduzir em dez vezes o custo do quilograma enviado à órbita em comparação ao Falcon 9, saindo de alguns milhares para algumas centenas de dólares.
Sem essa virada de preço, partes inteiras do New Space simplesmente não se sustentam. A transição, inclusive, já começou dentro da própria SpaceX, que diminuiu o ritmo do Falcon 9. Um sinal ainda mais claro: a empresa retirou o foguete de sua área no Kennedy Space Center, agora reservada exclusivamente para a Starship. E não para por aí: uma plataforma marítima também foi colocada em segundo plano para atuar como transportadora da Starship.
De acordo com as estimativas, uma Starship realmente comercial só estaria disponível em 2028 ou 2029. E cada mês de atraso empurra para frente os planos de dezenas de atores que aguardam na fila.
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