Dá para quase ouvir o folhear impaciente das páginas da Top Gear enquanto me sento para escrever esta primeira volta com o novo Mini One D de £ 11.390. Parece conclusão óbvia, não é? Mal valeria o seu tempo? Mini é excelente, Mini recebe motor a diesel. Motor a diesel é excelente, e os dois vivem felizes para sempre. Fim.
Expectativas e preconceitos sobre diesel
Tudo bem: para ser justo, isso chega bem perto da realidade. Sei que, às vezes, parece que nós, jornalistas, fazemos parte de algum plano diabólico para varrer os motores a gasolina do mapa e cobrir o planeta numa névoa de fumaça preta de diesel - como o vilão 'Dr Polluter' de um desenho infantil ecologicamente consciente. Só que nem todo “bebedor de óleo” merece elogio automático. Pegue o 1.9 PD da VW: torque ele tem de sobra, daqueles de arrancar toco e “devastar uma floresta”, mas com o acelerador cravado ele é tão discreto quanto um show do Limp Bizkit.
Motor 1,4 litro do Mini One D: Toyota e BMW na mesma bancada
Enfim, já estou me desviando. O primeiro ponto que você precisa saber sobre o 1,4 litro do novo Mini D é que ele não é um motor da BMW. Na prática, trata-se de uma versão modificada do D-4D de injeção por trilho comum do Yaris, revisada e adaptada para o One por um grupo de engenheiros da Toyota e da BMW. Dá até para imaginar: debates animados, com sushi na mesa, sobre ângulos em 'vee' e tolerância de alinhamento de carroceria.
Com a adoção de um sistema de injeção Bosch de segunda geração, a potência “salta” de 74 para 75bhp a 4.000rpm e, mais importante, o torque cresce para úteis 133lb ft a 2.000rpm (cerca de 180Nm).
Câmbio de seis marchas, consumo e resposta
De cara, a impressão é bastante positiva. Nada de ficar batucando os dedos no volante esperando a luz da resistência apagar - até porque ela nem existe - e o motor se acomoda numa marcha lenta com um ronco baixo e distante.
A coisa melhora quando você baixa a mão para a manopla do câmbio e percebe que são seis, e não cinco, marchas disponíveis. Em carro a diesel, a relação de marchas pode fazer toda a diferença entre acertar em cheio ou estragar o conjunto; aqui, a marca de Munique acertou em cheio. A caixa emprestada do Cooper S tem as cinco primeiras marchas bem próximas, pensadas para favorecer aceleração, enquanto a sexta funciona como overdrive e ajuda o carro a chegar ao seu excelente consumo combinado de 58,9mpg (aproximadamente 20,9 km/l).
A adoção do acelerador eletrônico 'drive-by-wire' também contribui para reduzir o atraso de resposta, e o conjunto mecânico se mostra macio e surpreendentemente disposto a subir de giro até o limitador em 5.000rpm.
Afinal, escolher o D ou não?
Chegamos à pergunta central: D, ou não D? Ele é, sem dúvida, refinado - na verdade, mais silencioso do que o 1.6 quando você está viajando a tranquilos 113 km/h - e, em termos de desempenho no mundo real, costuma levar vantagem sobre o equivalente a gasolina na maior parte das situações.
E, fundamentalmente, como o motor todo em alumínio é bem leve (por volta de 100kg), ele não tirou do Mini a vontade de contornar curvas. Ainda assim, este não é um diesel de 'performance' no estilo do PD do Seat Ibiza: falta a “pegada” necessária até para incomodar o controle de tração de série, mesmo com piso molhado.
Mas ninguém compra um Mini One por causa da capacidade de disparar até 96 km/h - se esse fosse o seu foco principal, você assaltaria a pensão da sua avó e levaria um Cooper. Você compra o One porque ele faz você se sentir bem, porque hoje ele é bem construído e porque vem com um excelente pacote de pós-venda 'TLC' de cinco anos. E, com o novo D, você também vai comprá-lo porque ele é o carro diesel pequeno mais descolado do mercado. Fim.
Euan Sey
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