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Boeing e o F/A-18E/F Super Hornet: Northrop Grumman conclui as últimas seções e a linha vai até 2027

Técnico caminhando ao lado de caça militar estacionado em hangar durante manutenção.

O programa F/A-18E/F Super Hornet, conduzido há muitos anos pela Boeing, atingiu um marco simbólico: a Northrop Grumman concluiu as últimas seções de fuselagem traseira e os estabilizadores verticais destinados a aeronaves novas. O passo sinaliza que a reta final de produção se aproxima para um caça que dominou os convoos da Marinha dos EUA por mais de duas décadas - mesmo com modernizações e iniciativas de substituição ganhando ritmo.

Northrop Grumman conclui as últimas fuselagens do Super Hornet

Em uma teleconferência recente de resultados, a Northrop Grumman confirmou que encerrou, em 2024, a fabricação do seu lote final de componentes estruturais do F/A-18E/F.

Entre as peças entregues estão as seções traseira e central da fuselagem e as duas derivas (estabilizadores verticais). A empresa também era responsável por integrar, nessas seções, a complexa rede interna de tubulações, chicotes elétricos e subsistemas antes do envio para a Boeing, onde ocorre a montagem final.

"A última fuselagem traseira/central de um Super Hornet totalmente novo está agora concluída, encerrando um capítulo importante na história de produção do jato."

A Boeing confirmou que se tratam das últimas unidades desse conjunto para Super Hornets de fabricação nova. A empresa ainda tem aeronaves a entregar, porém elas já estão no fluxo de produção e serão finalizadas com base em estoques existentes de componentes.

Linha do Super Hornet caminha para um encerramento em 2027

A Boeing informou que as entregas de F/A-18E/F novos estão programadas para terminar em 2027. Esse prazo foi postergado em relação ao objetivo anterior, de 2025, depois que a Marinha dos EUA incluiu a encomenda de mais 17 Super Hornets no orçamento de 2024 - o que, na prática, estendeu a vida da linha por mais dois anos.

A produção do EA-18G Growler, versão de ataque eletrônico derivada do Super Hornet, já foi encerrada. As encomendas da Marinha dos EUA e da Força Aérea Real Australiana foram concluídas no fim da década de 2010, e não há Growlers novos saindo de fábrica.

A Boeing enfatiza, contudo, que a história de ambas as aeronaves não termina do ponto de vista operacional.

"A Boeing continuará modernizando e sustentando Super Hornets e Growlers por pelo menos a próxima década, mesmo com a redução gradual da produção de aeronaves novas."

Todo Super Hornet Bloco II que entrar no programa de Modificação de Vida Útil (Service Life Modification, SLM) deverá receber o pacote de atualização Bloco III, transformando células existentes em algo muito próximo do padrão mais recente.

A espinha dorsal do poder aéreo embarcado dos EUA

O Super Hornet e o Growler vêm sendo, há anos, os principais jatos de alta performance da Marinha dos EUA no mar. Os primeiros esquadrões operacionais de Super Hornet foram ativados em 1999, e o EA-18G entrou em serviço na frota uma década depois.

Na primavera de 2025, dados oficiais da Marinha dos EUA indicavam:

  • 325 F/A-18E Super Hornet monoposto
  • 250 F/A-18F Super Hornet biposto
  • 160 EA-18G Growler

Essas aeronaves formam o núcleo de ataque das alas aéreas embarcadas, cobrindo defesa aérea, ataque ao solo, apoio aéreo aproximado e guerra eletrônica. Elas também operam a partir de bases em terra, reforçando ações dos EUA no Oriente Médio, no Caribe e em outras regiões.

Nos últimos dois anos, Super Hornets e Growlers foram empregados intensamente em missões de combate no Oriente Médio, incluindo ataques contra alvos houthis no Iêmen apoiados pelo Irã. Também tiveram participação destacada no reforço militar dos EUA em torno da Venezuela e em operações relacionadas à captura de Nicolas Maduro.

Operadores internacionais e disputas de exportação perdidas

Fora dos Estados Unidos, a Força Aérea Real Australiana é a única operadora de Super Hornets e Growlers ao mesmo tempo. A Austrália voa 24 F/A-18F Super Hornets biplaces e 12 EA-18G Growlers a partir de bases como a RAAF Amberley.

O Kuwait é outro cliente relevante. A Boeing entregou 28 Super Hornets em 2021 para a Força Aérea do Kuwait, divididos entre 22 F/A-18E e seis F/A-18F. Houve indícios de atrasos para integrar esses jatos à estrutura de linha de frente do país, e a situação operacional segue relativamente pouco clara.

Apesar de uma campanha agressiva de exportação, a Boeing repetidamente ficou atrás em competições importantes de caças:

País Variantes de F/A-18 propostas Alternativa escolhida
Alemanha F/A-18E/F e EA-18G F-35A
Finlândia F/A-18E/F e EA-18G F-35A
Índia F/A-18E/F com capacidade de operar em porta-aviões Dassault Rafale

A Alemanha chegou a ser vista como um caso quase certo para uma frota mista de Super Hornet e Growler, principalmente para preservar seu papel na missão de compartilhamento nuclear da OTAN. No fim, Berlim optou pelo F-35A, que pode carregar bombas nucleares de queda livre dos EUA após certificação.

A Finlândia, tradicional operadora do Hornet da geração anterior, avaliou um pacote de Super Hornet/Growler, mas também migrou para o F-35A como caça de próxima geração.

A Índia atraiu atenção considerável. A Boeing demonstrou que o Super Hornet consegue decolar dos porta-aviões indianos com rampa ski-jump, além de operar em convoos equipados com catapultas. Mesmo com essas demonstrações, Nova Délhi reforçou a escolha pelo Rafale francês para funções tanto em terra quanto embarcadas.

De Hornets a caças de sexta geração

A Marinha dos EUA pretende substituir o F/A-18E/F e o EA-18G por uma nova família de sistemas de sexta geração centrada no programa F/A-XX. Esse esforço sofreu paralisações repetidas, com políticos e o Pentágono disputando custos, cronogramas e requisitos.

Agora, o Congresso tenta recolocar o F/A-XX em velocidade maior, defendendo que a Marinha não consegue manter vantagem por tempo indeterminado com projetos de caças concebidos nos anos 1990 diante do avanço acelerado das capacidades aéreas da China.

Do lado da Força Aérea dos EUA, a Boeing já obteve uma vitória relevante ao ser selecionada para construir o F-47, um caça de sexta geração separado para o serviço baseado em terra.

Boeing remodela seu portfólio de defesa

O declínio gradual da linha do Super Hornet faz parte de uma mudança mais ampla dentro do negócio de defesa da Boeing, especialmente em sua unidade de St. Louis.

"St. Louis está sendo transformada de uma fábrica de Super Hornet em um polo de treinadores avançados, caças de próxima geração e aeronaves autônomas."

A Boeing apontou diversos programas prioritários que passam a absorver recursos à medida que o F/A-18 perde espaço:

  • T-7A Red Hawk, treinador totalmente digital para a Força Aérea dos EUA
  • MQ-25 Stingray, a primeira aeronave autônoma de reabastecimento baseada em porta-aviões
  • F-15EX Eagle II, a evolução mais recente do clássico caça de superioridade aérea F-15
  • Produção de asas do 777X, apoiando o lado comercial do grupo

A empresa também apresenta essa transição como uma forma de liberar capacidade para "a próxima geração de aeronaves avançadas tripuladas e não tripuladas", categoria que inclui tanto caças de sexta geração quanto drones que voarão ao lado deles.

Ascensão das aeronaves de combate colaborativas

À medida que a produção de caças tripulados diminui, a Boeing amplia o foco em sistemas não tripulados.

Além do MQ-25 - um drone de reabastecimento já associado às operações de porta-aviões da Marinha dos EUA - a empresa promove o MQ-28 Ghost Bat. Desenvolvido inicialmente na Austrália como um drone de "ala leal", o MQ-28 agora está sendo testado pela Força Aérea dos EUA e vem despertando interesse também no meio naval.

O MQ-28 integra uma categoria mais ampla conhecida como Aeronaves de Combate Colaborativas (Collaborative Combat Aircraft, CCA). São plataformas não tripuladas projetadas para operar em cooperação com caças tripulados, levando sensores adicionais, armamentos ou sistemas de interferência eletrônica.

"Em futuras alas aéreas embarcadas, drones como o MQ-28 poderiam assumir as missões mais arriscadas, enquanto os jatos tripulados gerenciariam e direcionariam o combate."

A Boeing propôs uma variante do Ghost Bat compatível com operação embarcada e tem contrato para desenvolver conceitos de CCA para a Marinha dos EUA. A ideia é que os convoos do futuro acomodem menos caças tripulados, porém uma combinação maior de drones reutilizáveis e jatos com tripulação atuando como nós de comando.

O que Bloco III e Modificação de Vida Útil (SLM) realmente significam

Com o fim dos Super Hornets novos se aproximando, a atualização Bloco III se torna o elemento central para manter a frota relevante.

O Bloco III não é uma aeronave totalmente nova; trata-se de uma modernização ampla aplicada a jatos existentes. Entre os aprimoramentos típicos estão:

  • Radar melhorado e fusão de sensores para acompanhar mais alvos a maiores distâncias
  • Telas de cabine e capacidade de processamento aprimoradas para elevar a consciência situacional
  • Ajustes para reduzir a assinatura de radar em áreas específicas da célula
  • Extensão de vida útil por meio de reforços estruturais

A Modificação de Vida Útil (SLM) é o processo de levar aeronaves mais antigas a uma linha de manutenção e reconstrução profunda, desmontá-las, reparar danos por fadiga, reforçar componentes críticos e, então, integrar os sistemas do Bloco III. Isso permite à Marinha prolongar a vida útil de cada célula enquanto mantém as capacidades atualizadas.

O que isso indica para as futuras alas aéreas embarcadas

Ao longo da próxima década, é provável que os porta-aviões dos EUA operem um grupo aéreo misto: Super Hornets Bloco III modernizados, EA-18G Growlers com conjuntos de ataque eletrônico renovados, um número crescente de drones-tanque MQ-25 e, mais adiante, drones no estilo CCA, como um MQ-28 adaptado para emprego embarcado.

Isso cria uma força em camadas. Os Super Hornets mantêm a maior parte das missões de ataque e caça. Os Growlers continuam a cegar radares e comunicações inimigas. Drones ampliam alcance, adicionam sensores e absorvem risco em espaços aéreos fortemente defendidos. Quando o F/A-XX chegar, assumirá gradualmente as missões de mais alto nível, sobretudo em cenários contestados contra adversários de poder equivalente.

Para quem não está familiarizado com a terminologia, "ataque eletrônico" inclui desde interferir em radares e rádios inimigos até empregar mísseis antirradição contra sistemas de defesa aérea - exatamente o tipo de função em que os Growlers se destacam. Já o termo "colaborativo" em CCA indica que os drones não atuam isoladamente: eles se conectam, por enlaces de dados seguros, a aeronaves tripuladas e entre si, compartilhando dados de alvos e reagindo rapidamente a ameaças em evolução.

A última fuselagem traseira produzida para um Super Hornet simboliza a transição de um modelo legado, centrado em caças tripulados, para esse futuro combinado. As aeronaves permanecerão no convoo por muitos anos, mas o esforço industrial, o talento de projeto e o investimento estão claramente se inclinando para sistemas de sexta geração e parceiros autônomos que definirão como os porta-aviões lutarão nos anos 2030 e além.

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