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Aliança Toyota, Subaru, Mazda, Yamaha e Kawasaki aposta em combustíveis neutros em carbono

Carro esportivo cinza prata em showroom moderno com motocicleta azul e carro cinza ao fundo.

Para chegar à tão buscada neutralidade carbônica, não basta apenas eletrificar. A aliança formada por Toyota, Subaru, Mazda, Yamaha e Kawasaki Heavy Industries decidiu concentrar parte do trabalho em ampliar o leque de combustíveis capazes de ser usados no motor de combustão interna.

Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, em Glasgow, Escócia, durante a COP26, diversos países, cidades, empresas e - naturalmente - fabricantes de automóveis assinaram uma declaração com o objetivo de acelerar a eletrificação até 2040 e retirar o motor de combustão interna da equação.

COP26, eletrificação e a lógica de manter opções

Ainda assim, essa união não significa oposição aos veículos elétricos. Toyota, Subaru e Mazda também já divulgaram planos para ampliar a eletrificação em suas linhas. O ponto defendido por elas é manter alternativas disponíveis e, sobretudo, permitir que o cliente escolha a tecnologia mais adequada às suas necessidades.

As três iniciativas

Para as cinco empresas, investir em eletrificação não implica, necessariamente, descartar o motor a combustão interna - mesmo considerando os obstáculos ligados à produção, ao transporte e ao uso desses novos combustíveis.

Por isso, o grupo decidiu atuar em três iniciativas, anunciadas e colocadas em prática pela primeira vez no fim de semana de 13 e 14 de novembro, durante as 3H da Super Taikyu Race (campeonato de provas de resistência), em Okayama:

  1. participar de corridas usando combustíveis neutros em carbono;
  2. investigar o uso de motores (combustão) a hidrogênio em motos e outros veículos;
  3. seguir competindo com motores (combustão) a hidrogênio.

Iniciativa 1: combustíveis neutros em carbono nas pistas

Naquele mesmo fim de semana, alinhada com a iniciativa 1), a Mazda competiu na classe ST-Q (categoria para carros de competição não homologados, ou seja, de caráter experimental) com um Demio protótipo (o “nosso” Mazda2) equipado com uma versão do motor Diesel 1.5 Skyactiv-D, ajustada para funcionar com diesel produzido a partir de biomassa, fornecido pela Euglena Co., Ltd.

A Mazda pretende realizar o maior número possível de testes de validação - tanto para elevar a confiabilidade das tecnologias empregadas quanto para colaborar com a expansão do uso da próxima geração de bio-diesel.

Toyota e Subaru confirmaram participação na temporada 2022 da Super Taikyu Series, também na classe ST-Q, com um GR86 e um BRZ, respectivamente. Ambos serão abastecidos com combustível sintético, igualmente derivado de biomassa, com a meta de acelerar o desenvolvimento das tecnologias associadas.

Iniciativa 2: motor (combustão) a hidrogênio para motos

Quanto à iniciativa 2), Yamaha e Kawasaki iniciaram conversas para desenvolver em conjunto um motor a hidrogênio para motos. Em breve, Honda e Suzuki também se juntarão à iniciativa, buscando caminhos para atingir a desejada neutralidade carbônica por meio do uso de motores de combustão interna em veículos de duas rodas.

Iniciativa 3: o motor a hidrogênio da Toyota

Na iniciativa 3), volta um assunto já tratado pela Razão Automóvel: o motor a hidrogênio da Toyota, que a marca desenvolve desde 2016 em parceria com Yamaha e Denso.

Por enquanto, o Toyota Corolla que corre com uma versão do motor do GR Yaris, adaptado para usar hidrogênio como combustível, já disputou quatro provas (incluindo a de Okayama). Desde a estreia - 24 Horas Fuji Super TEC -, a evolução do conjunto tem sido contínua e os resultados chamam atenção.

Após as duas primeiras corridas, a Toyota informou que o motor a hidrogênio do Corolla já entregava mais 20% de potência e 30% de binário. E, depois da terceira prova, a atualização mais recente elevou novamente esses números em mais 5% e 10%, respectivamente, já superando o desempenho do motor equivalente a gasolina.

Mesmo com o ganho de potência e binário, a Toyota afirma que o consumo de combustível permaneceu igual. Se voltassem aos valores de potência e binário da primeira corrida (24 Horas Fuji Super TEC), o consumo seria 20% menor.

Desafios

Além das iniciativas voltadas ao uso de combustíveis neutros em carbono, há desafios relevantes ligados à produção e ao transporte. A Toyota tem trabalhado com diversos municípios e empresas para assegurar o fornecimento de hidrogênio verde necessário para a próxima temporada da Super Taikyu Series. Esse hidrogênio virá de fontes variadas, desde o biogás gerado a partir de esgoto até energia solar e geotérmica.

No transporte, o principal obstáculo é aumentar a eficiência do processo como um todo - dos caminhões responsáveis pela logística (tipo de combustível utilizado e tipo de motorização) até os tanques de armazenamento de hidrogênio.

Atualmente, os caminhões que transportam hidrogênio utilizam tanques metálicos que, além de pesados, não suportam pressões internas elevadas, limitando o volume de hidrogênio transportado. Para contornar isso, a Toyota, em parceria com a CJTP (Toyota and Commercial Japan Partnership Technologies), passará a usar tanques mais leves, de fibra de carbono, capazes de operar com pressões maiores - recorrendo às mesmas tecnologias já aplicadas no Mirai.


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