O foguete de bolso morreu - viva o foguete de bolso? Na transição inevitável do automóvel para a eletrificação, Alpine, CUPRA, Peugeot, Abarth e MINI já se movimentam para dar uma nova cara ao esportivo compacto, que vai trocar as octanas pelos elétrons.
Ainda dá para encontrar foguetes de bolso à venda (cada vez em menor número) e, neste ano, esse cantinho do mercado até ganhou fôlego com a chegada do ótimo Hyundai i20 N. Mesmo assim, o destino desses pequenos e indisciplinados modelos a combustão parece praticamente definido: com as regras de emissões apertando, é questão de (poucos) anos até que sejam obrigados a sair de cena.
Só que, por trás das cortinas da indústria, uma geração inédita de foguetes de bolso já está sendo preparada - e ela será um “animal” bem diferente daquele que conhecemos até aqui.
Isso significa deixar para trás os foguetes de bolso a gasolina que tantos gostam: os que fazem barulho quando o acelerador vai ao assoalho, os que já vêm com estalos e pipocos de fábrica, e os que mantêm três pedais para ampliar a interação e o controle.
A espécie que assume o posto será 100% elétrica e também 100% mais… simples. Desempenho mais fácil de acessar, entrega totalmente linear, sem aquelas pausas ineficientes para trocar de marcha. A dúvida é se eles vão “grudar na pele” como alguns dos foguetes de bolso atuais - e também como certos ícones do passado. Em poucos anos, teremos a resposta.
Hoje, o retrato mais próximo desse futuro atende pelo nome de MINI Cooper SE. A versão elétrica do conhecido MINI entrega 135 kW ou 184 cv e já mostra números respeitáveis, como os 7,3s no 0-100 km/h, além de um chassi à altura, que garante a ele a postura dinâmica mais afiada entre os pequenos elétricos disponíveis atualmente.
Com uma nova geração do clássico MINI de três portas prevista para 2023, a expectativa cresce em torno das versões mais esportivas e, espera-se, de uma autonomia melhor - no modelo atual, são apenas 233 km.
Resposta francesa
Outras novidades para esse nicho também estão no radar, e a primeira a dar as caras deve ser, muito provavelmente, o Peugeot 208 PSE. Os rumores indicam 2023 como o ano mais provável para a apresentação, junto com a reestilização do bem-sucedido hatch francês.
O e-208 já existe, com 100 kW ou 136 cv e bateria de 50 kWh, mas a aposta é que o futuro 208 PSE (Peugeot Sport Engineered) traga potência extra para entregar mais desempenho.
Por enquanto, não passam de especulações quantos cavalos - ou melhor, quantos quilowatts - serão adicionados. De acordo com a Car Magazine, o futuro 208 PSE terá 125 kW de potência ou 170 cv. O salto é modesto, porém deve ser suficiente para cravar sete segundos, ou um pouco menos, no 0-100 km/h. Para comparação, o e-208 cumpre a mesma prova em 8,1s.
A bateria deve permanecer em 50 kWh por limitações físicas da plataforma CMP, o que deve resultar em uma autonomia de 300 km, ou ligeiramente mais.
Ainda assim, a maior curiosidade recai sobre o chassi. Se o 508 PSE - o primeiro Peugeot Sport Engineered lançado - servir de pista do que pode vir no 208 PSE, dá para manter a esperança por esse foguete de bolso 100% elétrico.
No ano seguinte, em 2024, deve aparecer o rival com maior potencial: o Alpine baseado no futuro Renault 5 elétrico. Mesmo sem nome definitivo, já se sabe que o foguete de bolso elétrico da Alpine chegará com mais “poder de fogo”.
Se o Renault 5 elétrico vai oferecer 100 kW de potência (136 cv), o Alpine deve adotar o mesmo motor do novo Mégane E-Tech Electric, com 160 kW (217 cv), o que tende a garantir um 0-100 km/h abaixo dos seis segundos.
Ele pode até usar o motor do Mégane elétrico, mas é pouco provável que leve a bateria de 60 kWh do modelo, que rende mais de 450 km de autonomia. O cenário mais provável é a bateria de 52 kWh, a maior prevista para o Renault 5 elétrico, que deve assegurar algo em torno de 400 km.
Assim como o Peugeot 208 PSE, o Alpine também deve ser de tração dianteira, na melhor tradição dos hatches esportivos - ou, neste recorte específico, dos foguetes de bolso. E deve contrastar bastante com os Renault Sport que marcaram as últimas décadas nesse segmento.
Italianos também preparam foguete de bolso elétrico “envenenado”
Saindo da França e seguindo rumo ao sul, a Itália também deve ter 2024 como o ano de estreia do primeiro escorpião elétrico da Abarth.
Quase nada é conhecido sobre o futuro foguete de bolso elétrico italiano, mas a aposta mais lógica é que ele seja uma versão “envenenada” do novo Fiat 500 elétrico. O compacto elétrico usa um motor de 87 kW (118 cv), suficiente para 9,0s no 0-100 km/h - e a expectativa é que a Abarth supere esse número com folga. Falta saber quanto.
Hoje ainda é possível comprar os Abarth 595 e 695 com o 1.4 Turbo cheio de força e personalidade. E, apesar das várias limitações - como ficou claro no nosso teste mais recente com o foguete de bolso da marca do escorpião -, é difícil resistir ao charme dessa proposta. Resta ver se o novo escorpião elétrico vai seduzir do mesmo jeito.
Rebelde espanhol
Por fim, sem perder importância, em 2025 deve chegar a versão de produção do CUPRA UrbanRebel, o chamativo conceito revelado há quase um mês no Salão de Munique.
Tente imaginar o conceito sem os apêndices aerodinâmicos exagerados e a imagem que sobra fica bem próxima do que deve ser o modelo final.
A versão de rua do UrbanRebel vai integrar uma nova geração de elétricos compactos do Grupo Volkswagen. Eles usarão uma variação mais curta e simplificada da plataforma MEB, com foco em torná-los o mais acessíveis possível.
A tração também deve ser dianteira e, ao que se diz, o CUPRA UrbanRebel terá um motor elétrico de 170 kW ou 231 cv, alinhando seu desempenho ao do Alpine.
Sobre o foguete de bolso elétrico espanhol, quase não há mais informações - mas, curiosamente, já existe uma noção de preço, mesmo faltando quase quatro anos para ele chegar.
A nova proposta 100% elétrica da CUPRA, que ficará abaixo do novo Born, deve custar 5000 euros a mais do que o futuro Volkswagen baseado na mesma arquitetura, antecipado pelo conceito ID. Life.
Em outras palavras, a versão de produção do UrbanRebel deve partir de 25 mil euros, embora esse valor dificilmente corresponda à configuração mais esportiva da linha.
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