A Razão Automóvel acompanhou de perto a apresentação dos resultados anuais da Dacia - ou, se preferirem, os números da “galinha dos ovos de ouro” do Grupo Renault. Metáforas à parte, a performance da marca romena segue chamando atenção ano após ano.
Vamos aos fatos. Em 2022, enquanto os mercados onde a Dacia atua caíram 5,5%, a trajetória da marca foi na direção oposta: as vendas avançaram 6,8% em relação a 2021.
No acumulado, a Dacia comercializou 573 800 carros em 2022 e ainda teve outro marco para comemorar: a venda do automóvel “8 milhões” desde 2004 - ano em que a marca renasceu sob o comando do grupo francês. Como veremos mais adiante, esse desempenho internacional também se repete no nível nacional. Mas por partes.
Sucesso entre os particulares
Não é novidade que uma fatia importante do êxito da Dacia vem dos clientes particulares (pessoas físicas). Diferentemente do mercado corporativo - que em Portugal responde por mais de 70% do volume de vendas de carros novos -, entre os particulares a sensibilidade a preço é maior.
Além disso, nesse segmento não há uma distorção de mercado tão evidente causada pelos incentivos fiscais concedidos às empresas.
Com isso, ao atingir 7,6% das vendas de automóveis de passageiros para clientes particulares, a Dacia registrou em 2022 uma participação recorde na Europa.
Um exemplo é a França - o mercado em que a Dacia mais vende. Por lá, a marca romena emplacou 130 800 automóveis e chegou a 8,6% de participação.
Nesse mesmo mercado, a Dacia respondeu por 15,8% das vendas para clientes particulares. Na prática, isso significa que, em 2022, um em cada seis compradores particulares na França levou um Dacia para casa. E foi também a primeira vez que um Dacia apareceu no TOP 3 de vendas no país.
Em Portugal não é muito diferente
Em Portugal, onde a Dacia também lidera entre as vendas para particulares, a marca romena alcançou 18,8% de participação - ou seja, um em cada cinco clientes particulares no país comprou um Dacia.
Na Bélgica, a Dacia também foi a escolha preferida de pessoas físicas e, até no “exigente” mercado alemão, a marca apresentou bons números em 2022. Com um aumento de 50% no volume vendido, os 60 300 veículos entregues a clientes particulares garantiram à Dacia a sexta posição nesse segmento.
Os best-seller
A base desse sucesso está, sobretudo, em dois modelos: Sandero e Duster.
Começando pelo Dacia Sandero, com 229 500 unidades comercializadas, o compacto romeno foi, pelo sexto ano seguido, o carro mais vendido para particulares na Europa.
Já as 197 100 unidades do Dacia Duster vendidas em 2022 representam uma alta de 5,8% na comparação com 2021. Vale lembrar que, desde 2018, o Duster é o SUV mais vendido para clientes particulares na Europa.
Mas não para por aí. Em seu primeiro ano de mercado, o Jogger somou 56 800 unidades vendidas. E o pequeno Dacia Spring, primeiro elétrico da marca, terminou 2022 como o terceiro modelo 100% elétrico mais vendido para particulares, com 48 900 unidades.
GPL também ajuda
Outro ponto que parece impulsionar os resultados da Dacia é a ampla oferta de versões com motor bifuel, a gasolina e GPL.
No total, um em cada três clientes da marca opta pelas versões bifuel - e, no caso do Jogger, esse percentual sobe para 58%.
E o futuro?
Durante a apresentação de resultados da Dacia - evento acompanhado pela Razão Automóvel - a marca romena também falou sobre o que vem pela frente.
Sem divulgar metas específicas de vendas, a Dacia citou os modelos que chegam ainda neste ano e em 2024. Alguns dos quais já abordados neste vídeo:
O lançamento mais relevante no curto prazo será o novo Jogger Hybrid 140, o primeiro híbrido da marca.
É um modelo que abre um novo capítulo na história da Dacia, mas que em Portugal terá um desafio importante: apesar de ser mais ecológico do que as alternativas apenas com motor a combustão, esse híbrido é prejudicado pela tributação portuguesa, que leva em conta a cilindrada.
Os executivos da Dacia citaram valores: apenas em ISV, esse modelo paga 10 vezes mais do que seu “irmão” com motor TCe.
Ainda assim, o 2023 da Dacia não vai girar apenas em torno do novo híbrido. Neste ano, chega ao mercado a versão mais potente do Dacia Spring, com 65 cv - um aumento de 50% em relação ao Spring que já conhecemos.
Além disso, no restante da linha, todos os modelos passarão a contar com o nível de equipamentos EXTREME. Será um ano cheio de novidades, marcado também pela continuidade da atualização da rede de distribuição e pela adoção, em todos os mercados, da nova identidade visual.
Diante desse conjunto de mudanças, a marca romena projeta um 2023 ainda mais forte. Mesmo assim, os representantes presentes no evento preferiram não indicar números específicos.
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