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Um ano depois: os robotáxis da Tesla e as promessas de Elon Musk

Carro elétrico branco Tesla Model S em showroom moderno com piso preto brilhante e carregador ao fundo.

Elon Musk vendia uma revolução no transporte, e o mercado comprou a ideia. Só que, um ano depois do lançamento dos robotáxis da Tesla, os números estão bem mais distantes do sonho apresentado.

Em julho de 2025, Musk fez a habitual conversa trimestral com investidores após a divulgação do balanço financeiro da Tesla. Desta vez, porém, o entusiasmo era evidente: a empresa tinha acabado de colocar seus primeiros robotáxis em operação em Austin, no Texas.

Segundo ele, até o fim daquele ano, metade da população dos Estados Unidos poderia chamar um táxi autónomo da Tesla pelo smartphone. Meses depois, elevou ainda mais a aposta ao anunciar que 500 veículos estariam em circulação apenas em Austin antes de 31 de dezembro de 2025.

Não é a primeira vez que Elon Musk faz previsões extremamente otimistas - e, muitas vezes, enganosas. A promessa tecnológica virou, inclusive, uma das suas ferramentas de comunicação preferidas. Ao mesmo tempo, é justo reconhecer alguns acertos marcantes: a Tesla ajudou a popularizar o carro elétrico, enquanto a SpaceX mudou o acesso ao espaço ao viabilizar foguetes reutilizáveis. Foram apostas que se confirmaram.

Por isso, quando ele fala em robotáxis, o mercado tende a acreditar. A capitalização de mercado da Tesla subiu, impulsionada quase inteiramente pela visão de um futuro em que cada Tesla se tornaria um táxi autónomo e lucrativo. Mas, na prática, o que aconteceu um ano depois?

Os números reais

Hoje, a Tesla tem apenas 59 robotáxis em circulação, limitados a três cidades do Texas: Austin, Dallas e Houston, segundo a Bloomberg. E, no dia a dia, a experiência está longe do ideal. Utilizadores relatam esperas que podem chegar a 30 minutos, desembarques no local errado - por vezes, a várias centenas de metros do destino - e uma disponibilidade irregular. Em três corridas a cada dez, ainda há um monitor humano dentro do veículo para supervisionar a operação. Com esse cenário, é difícil chamar isso de revolução.

Enquanto isso, a concorrência avança em outro ritmo. A Waymo, subsidiária da Alphabet, já registrou mais de 600 veículos autónomos no Texas, ou seja, um volume dez vezes maior do que a frota da Tesla. O serviço do grupo de Mountain View opera há vários anos com uma confiabilidade elogiada pelos utilizadores. A empresa também está a testar os seus robotáxis em Londres.

Vários acidentes

O balanço também levanta dúvidas do ponto de vista da segurança. Desde o início do serviço, a Tesla declarou 17 incidentes à NHTSA, a agência norte-americana responsável pela segurança no trânsito. Embora a maior parte seja atribuída aos operadores humanos, dois casos envolvem diretamente o sistema de condução autónoma da fabricante.

Ainda assim, a rentabilidade do programa só é esperada a partir de 2027, no mínimo. Até lá, a Tesla segue a construir a infraestrutura necessária em várias cidades dos Estados Unidos, à espera de uma expansão que, desta vez, terá de entregar o que promete.

A nossa análise

Elon Musk sempre operou dessa forma: anunciar planos grandiosos para mobilizar o mercado e a opinião pública. Algumas dessas promessas acabaram por se concretizar - por vezes, com anos de atraso. Outras ainda permanecem no papel.

Mas o cenário mudou. Hoje, Musk é muito mais observado, e os recentes problemas comerciais da Tesla enfraqueceram a sua credibilidade. Investidores que por muito tempo foram tolerantes começaram a exigir resultados concretos.

E há um agravante: a concorrência não espera. Talvez esteja a chegar ao fim a fase em que promessas, por si só, bastavam para elevar a cotação em Bolsa. Neste tema, Musk precisa cumprir o que diz: ele promete uma frota de Teslas autónomos desde 2016, pelo menos.

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