Enquanto a SpaceX se prepara para concluir a maior abertura de capital (IPO) da história - um movimento capaz de levar Elon Musk a um patamar inédito de riqueza -, o bilionário volta a publicar mensagens incendiárias em meio à crise em Belfast. Dá para entregar um poder tão extraordinário a alguém cujas posições polarizam tanto?
A SpaceX está prestes a realizar a maior IPO já registrada. A operação deve impulsionar Elon Musk ao status de primeiro trilionário do planeta e, principalmente, fortalecer ainda mais seu império tentacular no ecossistema tecnológico e espacial.
A IPO da SpaceX e o “risco Musk” nos documentos oficiais
Essa abertura de capital, porém, chega num momento em que as intervenções públicas de Musk se tornaram cada vez mais divisivas. A ponto de a própria SpaceX considerar necessário tratar isso como risco formal: nos documentos da oferta, as “ações e declarações do Sr. Musk”, que “frequentemente recebem uma imensa atenção midiática”, aparecem como um fator de risco do prospecto. Não é difícil entender o motivo.
Belfast: violência contra bairros com população imigrante
Como costuma fazer, o empresário reagiu rapidamente a um episódio ocorrido na Europa - mais especificamente em Belfast, na Irlanda do Norte. Em 8 de junho, houve um ataque com faca, e vídeos da agressão se espalharam rapidamente online. Depois, veio a informação de que o suspeito é um refugiado sudanês que vive legalmente no Reino Unido.
O caso foi o estopim para uma escalada de violência na cidade: manifestantes violentos incendiaram veículos e casas, mirando sobretudo áreas com alta concentração de moradores imigrantes.
O que Elon Musk publicou no X
No X, Elon Musk compartilhou uma lista de pontos de encontro para as manifestações e incentivou os participantes a se mobilizarem “de forma repetida e barulhenta”.
Ele também demonstrou apoio ao Restore Britain, partido de extrema direita que defende expulsões em massa de migrantes, e amplificou declarações de seu líder, Rupert Lowe, que pede a saída de “um número considerável de pessoas” do país. “Esse é o caminho a seguir”, escreveu o bilionário.
Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, condenou a violência e apontou o papel das redes sociais. Já a Ofcom, reguladora britânica do setor digital, tem lembrado as plataformas de suas obrigações legais, citando incidentes com caráter racista e casos de incêndio criminoso. Musk, por sua vez, rejeita qualquer responsabilidade e afirma que o que alimenta a revolta são os atos violentos em si - e não as redes sociais.
Isso não é novidade…
Não é a primeira vez. Elon Musk já foi criticado por falas com conotação antissemita e por ter dado visibilidade, em sua plataforma, a teorias de supremacia branca. No ano passado, ele já havia se envolvido à distância em um ato de extrema direita em Londres, defendendo uma mudança radical de governo no Reino Unido. A mesma linha apareceu na Alemanha.
Impactos na imagem e no desempenho da Tesla
Essas atitudes, inclusive, pesaram na queda drástica das vendas da Tesla no continente europeu.
Além disso, Musk também expressou em diversas ocasiões o temor de um desaparecimento gradual das populações brancas - um discurso que se aproxima das teorias da “grande substituição”. Só que, no momento em que ele está prestes a alcançar um poder econômico e industrial sem precedentes na história, suas posições passam a levantar dúvidas ainda mais sérias: ele não apenas terá influência sobre os mercados financeiros, como também poderá controlar infraestruturas estratégicas e ainda tentar influenciar políticas migratórias - sem sofrer consequências.
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