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Estudo Lime x OpinionWay: 89% veem vantagens em ir ao trabalho de bicicleta, mas só 10% pedalam

Homem de terno com mochila parado de bicicleta em ciclovia, segurando ticket de transporte público.

Na França, 89% dos trabalhadores afirmam perceber pelo menos um benefício em ir ao trabalho de bicicleta. Ainda assim, só 10% colocam isso em prática. É esse contraste persistente que um novo estudo Lime x OpinionWay ajuda a explicar - com números que chamam a atenção.

A pesquisa OpinionWay, realizada para a Lime com 834 profissionais que vivem em aglomerações urbanas com mais de 20 mil habitantes, mostra que a bicicleta segue longe de ser um reflexo automático do trajeto diário. O dado é ainda mais duro quando se olha para o histórico: 39% dizem nunca ter tentado.

Um paradoxo no deslocamento: muitos benefícios, pouca adesão

Boa parte do desgaste vem do transporte do dia a dia. Três em cada quatro trabalhadores (75%) dizem se sentir desmotivados com o transporte público. No carro, o sentimento não é muito diferente: 69% relatam o mesmo nível de irritação ao volante. E, apesar desse cenário, apenas 1 em cada 10 trabalhadores sobe na bicicleta toda manhã.

O desinteresse pelo deslocamento de bicicleta fica mais difícil de entender quando se considera que 9 em cada 10 enxergam ao menos uma vantagem nessa escolha. As razões citadas são diretas e práticas: fazer atividade física sem “marcar” na agenda (55%), gastar menos dinheiro (51%) e diminuir a própria pegada de carbono (40%). Além disso, 7 em cada 10 acreditam que pedalar para o trabalho ajudaria a “retomar o controle do dia a dia”, enquanto os transportes são percebidos como algo imposto.

O que segura a mudança: clima, distância e a percepção do tempo

Se os benefícios são tão claros, por que a virada não acontece? Entre os obstáculos mencionados, o clima aparece em primeiro lugar (46%), e a extensão do trajeto vem logo atrás (43%). Só que outros resultados do estudo colocam esses argumentos em perspectiva.

Na prática, 68% dos trabalhadores têm um deslocamento de menos de 30 minutos. De bicicleta, isso levaria 37 minutos - ou seja, 8 minutos acima do limite psicológico que eles se permitem. Essa diferença pequena parece bastar para desencorajar muita gente. O bloqueio, portanto, não seria o trajeto em si, mas a forma como ele é percebido.

Outros freios também pesam: suor (41%), falta de ciclovias contínuas e seguras (1 em cada 2 trabalhadores) e medo de acidentes (37%).

Existem caminhos, desde que sejam colocados em prática

O lado positivo é que a transição pode exigir pouco. Para 62% dos trabalhadores, seria mais fácil mudar se houvesse acesso simples a uma bicicleta elétrica (com assistência) para cobrir o primeiro ou o último quilômetro - proporção que sobe para 72% entre os menores de 35 anos. Já 56% afirmam que adotariam a bicicleta se a integração entre bicicleta e transporte público fosse facilitada.

E quem deve puxar essa mudança? De acordo com o estudo, o empregador aparece como principal responsável (16%), à frente do Estado (14%) e das prefeituras (11%). Em outras palavras, a expectativa recai menos sobre uma grande transformação de infraestrutura e mais sobre ajustes do cotidiano (bicicletas disponíveis, vestiários, bicicletários/abrigos seguros).

Pequenas medidas, grande retorno potencial: 69% dos entrevistados dizem que chegariam ao trabalho com um estado de espírito melhor. E 68% afirmam que voltar para casa de bicicleta ajudaria a aliviar a tensão. E você, pronto para ir trabalhar de bicicleta?

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