A Honda, considerada uma referência global em fiabilidade, vai ter de chamar 880.000 veículos para reparo - um lembrete de que até marcas no topo não estão imunes a um problema de fabrico.
No setor automóvel, alguns grupos já transformaram campanhas de recall quase em “rotina”: a Stellantis com airbags perigosos e com o seu motor problemático, sucessor do 1.2 PureTech; mais recentemente, Volkswagen e Cupra por risco de incêndio; e o mesmo aconteceu com a BMW em fevereiro. Ainda assim, é incomum ver um fabricante japonês nessa lista: Toyota (fora o caso Takata), Lexus, Mazda, Subaru, Suzuki e a própria Honda costumam ser exemplos quando o assunto é fiabilidade.
Mesmo assim, a Honda Motor Co. comunicou um recall de 880.514 veículos nos Estados Unidos, comercializados em 23 estados do Nordeste e do Meio-Oeste. De acordo com a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), em informações repercutidas pela FoxBusiness, os chassis dos modelos afetados podem “se fracturar em movimento”.
Os invernos americanos: inimigos dos chassis
O ponto crítico é comum a todos os veículos abrangidos: o berço traseiro (subchassi traseiro) pode corroer na região dos pontos de fixação da suspensão, a ponto de colocar em risco a integridade estrutural do conjunto traseiro. Na área do recall, as estradas recebem muito sal durante o inverno - e o cloreto de sódio aplicado no asfalto é um dos maiores inimigos de componentes de aço como esse.
Se a suspensão ceder com o carro a alta velocidade, o eixo traseiro pode sair de alinhamento, provocando uma guinada brusca, e o acidente torna-se praticamente inevitável. Ainda bem que a Honda estima que apenas 1% dos veículos afetados apresente o defeito, e não há registo de feridos.
Quais modelos entram no recall da Honda
No total, quatro modelos, em diferentes anos e gerações, fazem parte da campanha:
- Pilot (2016–2022)
- Ridgeline (2017–2023)
- Passport (2019–2023)
- Acura MDX (2014–2020)
A Acura é a divisão premium da Honda, num papel semelhante ao da Lexus dentro da Toyota. São veículos pouco comuns no Brasil, mas que têm vendas muito fortes nos EUA.
Notificação aos proprietários e reparo nas concessionárias
Os proprietários serão avisados em 7 de julho (um nível de organização que outras fabricantes poderiam observar) para levarem os carros às concessionárias Honda/Acura. O berço traseiro será verificado e, caso haja sinais de ferrugem, será instalado um kit de reforço ou a peça será substituída por completo.
Trata-se de um conserto totalmente gratuito, como determina a legislação federal norte-americana, que obriga as montadoras a assumirem todos os custos para os proprietários. Mesmo que a maioria não encontre qualquer problema, a marca ganha pontos pela transparência e rapidez, quando poderia simplesmente deixar a situação “cozinhar” e esperar a NHTSA abrir uma investigação. No mercado, o mais comum é o recall aparecer depois de acidentes - raramente antes. Aqui, porém, a Honda reforça a própria reputação e ainda dá uma lição de ética a muitos concorrentes ocidentais.
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