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Jaguar F-Type Conversível com câmbio manual: um retorno inesperado

Carro esportivo conversível Jaguar verde metálico exibido em salão automotivo moderno.

Câmbio manual no Jaguar F-Type Conversível: por que isso existe

Um câmbio manual? Que coisa bem à moda antiga...

É verdade: um manual de seis marchas, com três pedais na área dos pés e sem borboletas atrás do volante, está longe de soar como a tecnologia mais moderna do mundo. Ainda assim, o motivo para colocar um câmbio manual no Jaguar F-Type Conversível atende a um pedido bem específico: o mercado dos Estados Unidos.

Não deixa de ser curioso que justamente o país que inventou e adotou com tanta força o câmbio automático continue a ser, na prática, o único com influência - e apetite - suficientes para exigir um manual.

Procura e posicionamento do F-Type frente ao Porsche 911

Mas eles não vão vender quase nada disso, vão?

Nos EUA, a expectativa é que 20 por cento dos F-Type V6 (já que o manual não existe no V8) sejam encomendados com câmbio manual. Deste lado do Atlântico, a tendência é ficar em torno da metade desse número.

Não é um volume gigantesco, mas a consequência é dupla: de um lado, amplia um pouco o alcance do F-Type; de outro, fortalece bastante a imagem de que ele é um carro para Motoristas de Verdade. Isso também reforça a intenção da Jaguar de encarar o Porsche 911 como rival direto. Somando as versões conversível e as com tração integral (4WD), agora existem 15 variações do F-Type à escolha.

Como é o câmbio manual ZF de seis marchas

Então fale do câmbio manual.

Trata-se de um câmbio ZF de seis marchas. Ele reduz o preço em £1,800 em relação ao automático de oito marchas e dispensa o “rev matching” (o software de “blip” de giro) que Nissan e Porsche popularizaram. Aqui, quem quer a redução bem-feita precisa dar sua própria aceleradinha - no melhor estilo punta-tacco.

Isso não parece um trabalhão?

Não. Eu estava com receio de que fosse daqueles manuais pesados, truncados e lentos, que drenam a graça e a velocidade de um esportivo. Também temi que ele tremesse ao arrancar e que, quando o trânsito apertasse, você parecesse um iniciante. Felizmente, não é o caso.

A alavanca e o pedal são leves, a embreagem é progressiva e suave, e o engate é rápido, com curso relativamente curto. Ao que tudo indica, existe um sistema antiapagamento (anti-stall), o que talvez explique por que eu não tive problemas. Os pesos dos pedais combinam muito bem entre si, e o conjunto dá uma boa prova de que um câmbio manual ainda faz sentido num carro como este.

Na prática: envolvimento, engates e torque do V6

Mesmo assim, dá mais trabalho do que o automático, certo?

Sim - e, se você é do tipo que gosta de conduzir o F-Type com o cotovelo apoiado na porta, o automático de oito marchas continua impecável. Ele troca mais rápido do que qualquer pessoa consegue, tem borboletas e responde com prontidão.

O manual é para quem quer participar mais do carro. E vale dizer: ele não é perfeito. A troca pode ser veloz, mas há uma leve falta de precisão nos contornos do engate; a alavanca não “corta” o trilho com a exatidão de um Porsche 911 manual.

Por outro lado, o V6 supercharged tem tanto torque que você não fica escravizado pela alavanca. No uso urbano, ele puxa a terceira sem esforço a partir de 20mph (cerca de 32 km/h) e, embora as relações intermediárias estejam escalonadas de modo agradável e próximo, dá para ficar na quarta e deixar o motor trabalhar forte.

Combina com o F-Type? Consumo e emissões

E no fim: o manual combina com o F-Type?

Combina, sim. Simples assim. É gostoso de usar e acrescenta uma camada extra ao carro. Fica mais interativo, exige mais de você - e recompensa mais também.

Só cuidado para não bater os nós dos dedos e acionar o pisca-alerta naquelas reduções apressadas de quarta para terceira. E vale o aviso: o consumo oficial piora em 4.1mpg (queda de 4,1 milhas por galão), enquanto as emissões de CO2 aumentam em 31g/km. Se eu fosse encomendar um F-Type e já tivesse resistido à tentação de um V8 R com tração integral (4WD), um V6 S manual seria a minha escolha.

Direção elétrica no Jaguar F-Type

Antes de terminar: o F-Type agora também tem direção elétrica, não tem?

Tem. E a melhor coisa que posso dizer é que eu mal percebi. O F-Type já não tinha um grande “tato” de direção antes, e continua sem ter. Pelo menos o acerto é preciso, bem ponderado em peso e relativamente conectado ao que acontece no asfalto. É o máximo que dá para esperar hoje em dia...

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