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O segredo do Chevrolet Monte Carlo de 1971 em Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio

Carro esportivo vermelho clássico, modelo Montecarlo 1971, exposto em museu com quadros automotivos ao fundo.

Embora Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006) gire em torno da cultura JDM (Japanese Domestic Market), o destaque aqui vai para um legítimo americano: um Chevrolet Monte Carlo de 1971.

Logo na primeira corrida exibida no filme, o clima está bem distante do Japão onde a maior parte da história se desenrola. A disputa acontece entre dois “músculos” dos EUA - um Dodge Viper SRT-10 de 2003, que na época ainda era bem novo, e um Chevrolet Monte Carlo de 1971, já clássico.

Mesmo sem nunca passar despercebido na tela, o “Chevy” Monte Carlo guardava um segredo enorme sob o capô: um V8 com gigantescos 9,4 l de deslocamento. Esse detalhe foi exposto por Craig Lieberman, consultor técnico dos três primeiros longas da franquia.

Chevrolet Monte Carlo de 1971: por que ele foi a escolha do Sean Boswell

Antes de entrar nos dados desse motor que passa com folga dos nove mil centímetros cúbicos, vale entender por que a produção preferiu esse Monte Carlo aparentemente simples em vez de um Camaro ou de um Dodge Challenger, mais valorizados e com visual mais “polido”.

A decisão está ligada ao protagonista, Sean Boswell, vivido por Lucas Black, que no filme é o dono do carro.

A ideia era soar plausível: um adolescente com poucos recursos, mas com habilidade para montar e modificar o próprio automóvel. Nessa lógica, o Monte Carlo - mais barato que outros nomes famosos entre os muscle cars - funciona como uma escolha mais crível, como o próprio Craig Lieberman explica no vídeo.

(Quase) um motor de caminhão em um carro “pequeno”

Apesar do aspecto cansado e do visual que parece inacabado, o Monte Carlo era um verdadeiro monstro, equipado com um dos V8 “big block” (bloco grande) da GM.

No filme, dá para ver o número “632” no topo de uma das bancadas de cilindros, referência ao deslocamento em polegadas cúbicas (ci). Ao converter esse valor para centímetros cúbicos, o resultado é 10 356 cm³.

Segundo Lieberman, porém, o deslocamento real desse V8 era de 572 ci, o que equivale a 9373 cm³ - arredondando, 9,4 l. Só para situar, o conhecido “small block” (bloco pequeno) que equipa, por exemplo, o Chevrolet Corvette, mesmo com esse nome, tem 6,2 l.

Assim, ainda que o Dodge Viper do rival “fanfarrão” do protagonista saia de fábrica com um enorme V10 de 8,3 l, o Monte Carlo o supera em mais de 1000 cm³. Isso, ao menos em “poder de fogo”, faz dele um adversário convincente para o Viper muito mais moderno.

Potência, combustível e a preparação do V8

Lieberman também afirma que, com gasolina comum, esse Monte Carlo de 1971 entregava saudáveis 790 cv. Já com gasolina de corrida, a potência subia para 811 cv - enquanto o Viper ficava pouco acima de 500 cv.

Como V8 “big block” desse tipo costuma ser comprado como “crate engine” (motor pronto) para projetos de carros preparados, seria natural que esse conjunto também não estivesse totalmente original. Um exemplo é o carburador - sim, ainda é carburador -, que é um Holley 1050, além do escape específico da Hooker.

No começo eram 11

Como costuma acontecer em produções desse tipo, foram construídas várias unidades do Chevrolet Monte Carlo. O ex-consultor técnico conta que, para filmar essa cena, entraram em ação 11 carros - a maior parte sem o V8 de 9.4, e alguns destinados apenas a “stunts” específicas. Ao que tudo indica, “sobreviveram” cinco exemplares.

Um dos “carros-heróis”, equipado com o “big-block”, ficou com a Universal Studios. Já os outros Monte Carlo usados em acrobacias acabaram espalhados por diferentes lugares do mundo, nas mãos de colecionadores e fãs da saga “Velozes e Furiosos”.

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