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Teste do Noble M12 GTO 3-R (Top Gear, 2004)

Carro esportivo vermelho em alta velocidade na estrada sob céu azul com nuvens.

Esta avaliação foi publicada pela primeira vez na Edição 124 da revista Top Gear (2004).

Uma supercarro diferente: sem barras estabilizadoras

Este Noble não usa barras estabilizadoras. Talvez isso não seja nenhuma invenção moderna, e é bem capaz de alguém escrever para dizer que o Humber Jape ou o Austin Sausage já viviam sem elas lá por 67 a.C.

Ainda assim, num mundo em que 99,99 (recorrentes) por cento dos carros actuais trazem esse componente no chassi como se fosse obrigatório, dá gosto ver alguém a pensar fora do óbvio - com o perdão do trocadilho involuntário. No fim das contas, a peça liga uma roda à outra do lado oposto. Assim, se a roda dianteira do lado esquerdo passa por cima de uma tampa de bueiro, a vibração acaba a viajar para a roda dianteira do lado direito.

E é exactamente isso que ajuda a explicar por que o Noble consegue surpreender com uma rodagem tão macia. Calma: você deve estar a pensar por que diabos alguém estaria a falar de conforto num texto sobre um supercarro leve, muito potente e com motor central. Acontece que o Noble guarda algumas surpresas debaixo dos para-lamas.

  • Texto: Colin Ryan
  • Imagens: Jim Forrest

Britânico, de baixa produção - e melhor do que se espera

A primeira surpresa, para mim, é ver um fabricante britânico de desportivos em pequena escala a colocar na rua algo realmente bom - e sem quebrar depois do entusiasmo inicial. (Né, Jensen e Trident?) A segunda é que um carro com aparência de projecto dos anos 1970 - por dentro e por fora - consegue entregar resultado hoje em dia. Apesar dos retrovisores externos meio grosseiros.

Fica claro que este carro foi pensado mais para conduzir do que para ditar moda. Então, é dar partida: pode ser girando a chave ou apertando o botão - estranhamente, tanto faz.

Motor e desempenho do Noble M12 GTO 3-R

Atrás dos dois bancos concha profundamente desconfortáveis (ainda bem que existe aquela rodagem macia) não está o antigo Ford V6 2,5 litros turbo. Esta versão nova, a topo de linha - Noble M12 GTO 3-R, pelo nome completo - vem com um Ford V6 3,0 litros turbo, a debitar 352bhp a 6.200rpm, com 350lb ft de binário entre 3.500 e 5.000rpm.

Ao volante, a sensação é que tudo “acorda” por volta das 4.000rpm. E acorda no sentido de: "É vida, Jim, mas não como a conhecemos". Toda essa força a empurrar um carro feito de materiais leves só pode dar num resultado - aceleração absurda. Os números oficiais dizem 0-60mph em 3,9s e 0-100mph em 9,0s. Com a técnica certa de arranque, eu não duvido.

Na percepção pura, é um dos carros que mais aceleram que já conduzi. O motor soa melhor com o vidro um pouco aberto, e isso só aumenta a adrenalina quando o mundo, de repente, entra no modo fast forward. Em compensação, aqui não aparecem aqueles estouros, assobios, estrondos e “whooshes” assustadores (mas divertidos) que acompanhavam o Noble original que levámos ao Nürburgring. Agora o som é mais de jacto. E, quando você desliga a ignição, ele até parece um jacto a perder potência - ou seja, ainda tem diversão no fim da viagem.

Só que é bom ter cuidado neste ponto: o Noble dispensa travões com ABS e precisa de quase 55 metros para parar vindo de 70mph, e isso em piso seco.

Chassi, câmbio e aderência

O que separa o 3-R do GTO “normal” é o conjunto de faróis carenados, o diferencial autoblocante Quaife e a caixa de seis marchas. A transmissão tem aquele engate meio duro quando o motor está em baixa, mas vai ficando mais preciso à medida que tudo gira mais rápido. Mesmo assim, vale ser firme nas mudanças. No nosso carro de teste, ao reduzir de terceira para segunda, a alavanca chegava a saltar para fora da segunda - algo apenas irritante em estrada, mas uma das últimas coisas que você quer quando está a voar baixo em Brands.

Uma das primeiras necessidades - e algo que o 3-R tem de sobra - é aderência. Isso já é característica dos outros Noble, mas, caramba, merece destaque. Com pneus Bridgestone 225/40 na frente e 265/35 atrás, montados em rodas de liga leve de 18 polegadas de desenho muito bonito, e com amortecedores que parecem ter recebido um toque de magia, este carro faz o que você pedir e vai exactamente para onde você o apontar. Por outro lado, eu gostaria de um pouco mais de feedback na direcção.

A combinação entre agarrar e andar é estimulante sem fim. E quanto maior for o seu talento ao volante, mais fundo vai a sua admiração.

Uso diário, preço e veredicto

Para viagens longas e/ou para o uso do dia-a-dia, porém, o Noble não é exactamente perfeito (o grande raio de giro é um incômodo na cidade). E o nicho que o 3-R precisa seduzir também tem de ter carteira forte: o preço é de nada modestos £52,500.

Mas, se a ideia é curtir o interior com santo-antónio integrado, preso pelos cintos de arnês (também há cintos convencionais), e fazer punta-tacco com pedais bem próximos enquanto você tenta ser o rei do track day, então este é o carro certo.

Veredicto: Mais ou menos um carro de corrida, mas caro

3.0-litre twin-turbo V6
352bhp, RWD
0-60mph in 3.7 secs, max speed 170mph
1,080kg
£52,500

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