Esta avaliação foi publicada pela primeira vez na edição 132 da revista Top Gear (2004).
Primeiras impressões: Ford Fusion vs VW Polo Dune
Por algum motivo, o Ford Fusion me dá enjoo de verdade. Além de ter a “descolação” de rua de um único sapato ortopédico, ele parece o desenho de uma criança tentando fazer um carro com uma caixa: genérico, sem graça, chato, burro. Ele me remete a bege e pelos na orelha - aquele momento da vida em que você compra um carro por causa do para-brisa bifocal e do dreno de colostomia de série.
E isso, francamente, não ajudava muito o VW Polo Dune, porque no papel ele segue uma linha parecida. Os dois são superminis com suspensão mais alta e para-choques “bombados”, e ambos usam a mesma base do modelo normal.
Visual e proposta do VW Polo Dune
Ainda assim, o Polo consegue parecer bem bacana. E não, eu não enlouqueci nem voltei a beber absinto. O Dune tem um charme atrevido, com para-choques mais robustos e uma simpatia “parruda” que o Ford simplesmente não oferece nem como opcional. Talvez seja por causa das rodas de liga brilhantes de 17 polegadas (43,2 cm) combinadas com os 20mm de elevação. Talvez seja a pintura mais viva. Ou talvez não seja nada disso.
Ao volante do VW Polo Dune na cidade
Na cidade, ele aparenta se virar numa boa com o minúsculo 1.2-litre FSi de três cilindros soprando feliz. E aquela resposta de acelerador estranha e “fofinha” do FSi me faz dar uma ou duas aceleradas antes de sair. Ele não é rápido, mas gosta de girar e passa a sensação de ser bem difícil de quebrar. O câmbio VW de cinco marchas - leve, porém com engates um pouco “secos” - também ajuda, desde que você conduza com decisão.
A diferença que realmente chama atenção está no comportamento dinâmico, meio esquisito. Ele absorve as irregularidades muito bem, só que inclina bastante. Isso não é tão ruim quanto parece, porque ele “deita” de um jeito bizarro, estilo 2CV, que vira uma diversão meio precária. Não chega a dar trancos; apenas rola mais a carroceria do que você esperaria de um supermini.
Interior, uso diário e veredito do Polo Dune
Por dentro, é simplesmente um Polo - nada de surpresas; bem montado, ainda que um tanto utilitário. É até desagradável admitir, mas a altura extra do assento muda bastante a mecânica de entrar e sair do carro: pular para dentro e para fora fica visivelmente mais fácil.
Na Top Gear, também temos um estacionamento de cascalho que se acessa subindo um meio-fio grande. Em geral, ele fica reservado aos nossos 4x4 - mas, por algum capricho esquisito do cérebro primitivo, eu fiz questão de estacionar lá. O Dune encarou tudo com confiança, o que sugere que ele aguenta bem o serviço urbano e até uma dose de “guerra” leve fora de estrada. Pena que não exista uma versão com rodas de aço que dê para amassar e um interior lavável com mangueira - seria um excelente veículo de ataque suburbano.
Veredito: parece um brinquedo da Tonka. Só que menos deprimente. Um tipo de esquisitice útil que, de algum jeito, faz sentido…
- 1.2-litre 3cyl
- 64bhp, FWD
- 0-62mph (0-100 km/h) in 16.5 secs, max speed 97mph (156 km/h)
- 1,143kg
- £12,495
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