O projeto de orçamento 2026 chama a atenção para um fenômeno preocupante nas finanças públicas.
Os números impressionam. Em 2023, a arrecadação do Estado ligada aos radars automáticos na França chegou a 965 milhões de euros; já neste ano, esses equipamentos renderam apenas 889 milhões de euros. Em um intervalo de doze meses, isso representa 76 milhões de euros a menos - e a principal explicação para a queda é clara: as depredações praticadas contra esses sistemas.
Queda na arrecadação com radars automáticos e custo das reparações
Como destaca a TF1, se 88% dos radars automáticos estavam operacionais em 2023, esse índice caiu para 81% no ano passado, segundo um anexo do projeto de lei de finanças para 2026. Ouvido pelo canal, Éric Champarnaud, diretor-geral da consultoria de estratégia C-Ways, fala sem rodeios:
"Temos um pouco mais de 2 bilhões de euros em multas no total, e as multas automáticas são 43%. Não é uma alavanca importante para reduzir o déficit, mas já não estamos numa fase em que dá para se permitir ignorar pequenas economias."
Para entender esse movimento, vale citar as mobilizações do setor agrícola ocorridas no ano passado, nas quais esses dispositivos foram frequentemente escolhidos como alvo. Depois disso, os consertos costumam demorar e custam entre 500 e 200.000 euros (quando é preciso substituí-los por completo).
Mobilizações sociais miram os radars
Como a TF1 também observa, quem se manifesta a favor dessas depredações assume um risco elevado. Na prática, os responsáveis por destruir ou danificar um radar podem pegar até 75.000 euros de multa e 5 anos de prisão - com penalidades ainda mais pesadas quando os atos são cometidos em grupo.
Em breve, novos radars na França
Hoje, as forças de segurança contam com uma rede de radars automáticos e equipamentos especializados para garantir o cumprimento do Código de Trânsito. Porém, como já comentamos recentemente, a Direção do Controle Automatizado trabalha agora nos “radars do futuro” dentro de um plano de modernização 2026-2030.
Esses modelos em estudo poderiam identificar muitas infrações além do excesso de velocidade e do avanço do sinal vermelho: uso do smartphone ao volante, não uso do cinto de segurança, trafegar na contramão ou desrespeitar a distância de segurança. Essas soluções de alta tecnologia incorporariam IA e LiDAR para interpretar todo o ambiente viário.
Privacidade e confiabilidade dos algoritmos em debate
A adoção desses novos aparelhos também levanta uma série de questões. Se eles forem capazes de filmar o interior do veículo, podem representar uma ameaça à privacidade das pessoas. Por isso, será necessário criar salvaguardas para evitar abusos. Outra preocupação é a confiabilidade dos algoritmos, tema que também precisará ser antecipado. Mais detalhes sobre isso estão no nosso artigo anterior.
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