Depois de muito tempo com pouca atenção ao segmento dos citadinos, as montadoras parecem ter entendido, enfim, que nem todo mundo precisa de um SUV com 500 quilômetros de autonomia e mais de 2 toneladas para ir ao trabalho, levar as crianças à escola ou fazer as compras da semana.
Aproveitando a categoria M1E - voltada a veículos elétricos com menos de 4,2 m de comprimento -, diversas marcas já articulam uma nova leva de citadinos elétricos com preços mais acessíveis. Opções como os futuros Citroën 2CV e Dacia Spring querem ajudar a popularizar a mobilidade elétrica nos próximos anos.
Só que, enquanto essa nova geração não desembarca nas concessionárias, o mercado de usados segue cheio de citadinos bem interessantes para quem passa a maior parte do dia em cenário urbano.
Foi por isso que entramos no Piscapisca.pt e selecionamos cinco citadinos que continuam sendo uma escolha segura para enfrentar o trânsito do dia a dia.
Citroën C1 (2014-2021)
O que é? Criado em parceria com Peugeot 108 e Toyota Aygo, o C1 é praticamente idêntico aos seus “irmãos” em quase tudo. Leve, econômico, simples de estacionar e, segundo os testes da época, mais divertido de dirigir do que se imagina, segue sendo um citadino que merece atenção.
Dentro da gama, o motor 1.0 de três cilindros de origem Toyota costuma ser a alternativa mais sensata. Além de beber pouco, pede pouca manutenção e construiu, ao longo do tempo, uma reputação muito sólida de confiabilidade. Existia também um 1,2 l da família Puretech, mas a fama de durabilidade dele não chega aos "calcanhares" do motor menos potente (68 ou 72 cv contra 82 cv do propulsor francês).
O que ter em atenção? Vale checar o nível de desgaste da embreagem e do câmbio, principalmente em unidades que viveram no anda-e-para da cidade. Também é recomendável confirmar as condições da bomba d’água e ficar atento a ruídos vindos da suspensão dianteira.
Fiat 500 (2007-2025)
O que é? Poucos carros atravessaram os anos tão bem quanto o FIAT 500. Apresentado em 2007, permaneceu quase sem mudanças por perto de duas décadas - um sinal claro do acerto do projeto.
O visual ainda passa por atual, há muita oferta no mercado de usados e os motores 1,2 l Fire seguem se destacando pela robustez, pela simplicidade e pela confiabilidade. Para quem preferir, existiram também versões a diesel com o 1.3 Multijet e, nas configurações mais recentes, um 1,0 l com sistema mild-hybrid.
Compacto e esperto, está entre os citadinos usados mais disputados, o que ajuda a sustentar um bom valor de revenda. Só não conte com muito espaço interno; se isso for essencial, a FIAT tem outro modelo nesta lista que vale conhecer.
O que ter em atenção? Nos exemplares mais antigos, compensa verificar a direção elétrica, a embreagem e a suspensão dianteira. Já os motores TwinAir pedem manutenção mais cuidadosa e tendem a ser menos indicados para quem busca máxima confiabilidade e baixo custo de uso.
FIAT Panda (2011-presente)
O que é? Há motivos de sobra para o Panda seguir entre os modelos mais populares da FIAT. Ele combina simplicidade, bom espaço para um citadino, custos de manutenção contidos e condução fácil.
Em linha desde 2011, a terceira geração recebeu muitos conjuntos mecânicos - de opções a diesel a versões mild-hybrid - e diferentes variantes (algumas até com tração 4×4). Ainda assim, certas qualidades fazem parte do Panda, independentemente da versão ou do motor.
A posição de dirigir mais alta do que a média, a visibilidade muito boa e a forma como ele se vira em ruas apertadas continuam sendo pontos fortes. As cinco portas e o desenho com inspiração de minivan reforçam a vocação de carro ideal para uma família que vive a cidade intensamente.
As unidades com motor 1.2 Fire costumam ser as mais recomendáveis. É um dos motores mais conhecidos da indústria automotiva europeia e, também por isso, um dos mais simples de manter.
O que ter em atenção? Apesar de robusto e, no geral, confiável, o FIAT Panda não está livre de falhas típicas. Nos 1.2 a gasolina, os problemas mais citados envolvem a junta do cabeçote; já nas versões a diesel, podem aparecer desgastes precoces da corrente de distribuição e dos injetores. Também não é raro ver embreagem gasta e algumas panes no câmbio automatizado Dualogic.
Na parte elétrica, surgem relatos de falhas na direção elétrica e avisos de erro ocasionais no painel. Quanto à suspensão, é comum o desgaste de coxins e apoios, gerando ruídos e folgas quando o uso urbano é mais pesado.
Smart fortwo (2014-2024)
O que é? Não existe carro que ocupe tão pouco espaço na rua quanto o Smart Fortwo. Ele segue como referência para quem mora em grandes cidades e coloca a facilidade de estacionar acima de tudo.
Na terceira geração, desenvolvida com a Renault, o modelo ficou bem mais refinado do que antes, sem abrir mão do jeito irreverente que sempre o caracterizou. Para o uso urbano, os motores a gasolina dão conta do recado, e o câmbio automatizado de dupla embreagem ajudou a afastar parte das críticas feitas às gerações anteriores.
O diâmetro de giro continua praticamente imbatível e, para quem quiser entrar de vez na eletrificação, existe inclusive uma versão 100% elétrica.
O que ter em atenção? A confiabilidade do Smart fortwo é boa no conjunto, especialmente quando comparada às gerações passadas. Ainda assim, é prudente checar possíveis vazamentos de líquido de arrefecimento nos motores a gasolina, o estado dos coxins do motor e o funcionamento do câmbio automático.
Nas versões elétricas (EQ), merece atenção extra o sistema de recarga e a condição da bateria de 12 V. Em qualquer versão, podem ocorrer pequenas falhas eletrônicas ligadas a sensores, vidros elétricos e central multimídia.
Volkswagen up! (2011-2023)
O que é? Poucos citadinos envelheceram tão bem quanto o Volkswagen up!. Mesmo depois de mais de uma década do lançamento, ele ainda soa como uma proposta atual. O motivo principal é a simplicidade: nada foi exagerado e quase tudo trabalha de forma competente.
O interior continua passando uma impressão de qualidade acima da média do segmento, a posição ao volante agrada e os motores 1,0 l aspirados são tão econômicos quanto agradáveis de usar.
Elogiado pelo comportamento de “carro maior” e pelo ótimo aproveitamento de espaço, não é surpresa que ainda figure entre os usados mais procurados da categoria.
O lado menos favorável é fácil de entender: com tanta procura, os preços seguem relativamente altos. Ao escolher um de seus “irmãos”, SEAT Mii e Skoda Citigo, talvez dê para ter as mesmas virtudes gastando menos - mas, nesse caso, há ainda menos unidades disponíveis.
O que ter em atenção? O Volkswagen up! é um dos citadinos mais equilibrados da sua geração, mas tem alguns pontos fracos conhecidos.
O principal envolve a transmissão: o câmbio manual pode apresentar ruído em ponto morto e resistência para engatar a ré, enquanto o automatizado ASG é mais lento e tende a ser mais sujeito a falhas. Também são comuns infiltrações de água por conta de drenos e borrachas que se deterioram.
Nos motores aspirados, pode haver algum consumo de óleo e barulho a frio; já os 1.0 TSI são mais sensíveis ao acúmulo de carvão. No e-up! elétrico, podem acontecer falhas na recarga em AC. Em suspensão e freios, aparecem com certa frequência ruídos nos apoios dos amortecedores e desgaste nos freios traseiros.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário