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Audi S6 V10: teste da Top Gear (2006)

Carro Audi S3 azul em uma curva de estrada sinuosa, com motorista usando óculos escuros.

Esta avaliação foi publicada pela primeira vez na Edição 153 da revista Top Gear (2006).

Um histórico irregular da Audi entre os mais rápidos

A Audi nem sempre acertou a mão quando o assunto é colocar nas ruas os seus carros mais velozes. Só que “irregular” aqui não deve ser lido como “por vezes um desastre”: há tentativas muito boas no meio do caminho. O RS4, por exemplo, é um desses momentos de ouro - a ponto de entrar no meu top 3 de sedãs esportivos. Já outros Audis de alto desempenho não chegaram a acender o pavio. Até o S8 atual, que, contra toda a lógica, consegue juntar na mesma frase “de algum jeito, um pouco sem graça” e “V10 da Lamborghini”.

Audi S6 e o V10 5.2: potência grande, proposta mais tranquila

Pois bem: esse mesmo tipo de motor aparece aqui, no S6. E num carro do tamanho de um M5. Hum… com a mesma quantidade de cilindros também. Concorrentes diretos? Talvez não, porque o Audi é cerca de £8,000 mais barato; embora pese mais em quilos - em parte por causa da tração integral e do câmbio automático. Ele também entrega 70 cv a menos, mas compensa com mais torque.

O resultado é um carro de temperamento mais sereno: menos “afiado”, menos desesperado. E a perua Avant é tão boa de dirigir quanto o sedã; na verdade, vira um carro-coringa, capaz de levar praticamente qualquer carga, em praticamente qualquer clima.

O V10 “maravilhoso” e por que ele não é o mesmo da Lamborghini

A Audi faz bem em se orgulhar desse V10 impressionante. Ele, de fato, não é idêntico ao conjunto da Lamborghini. Diâmetro e curso, injeção direta, distância entre cilindros, coletores e outras peças foram modificados. Aqui ele cresce para 5,2 litros e ganha torque, mas sobe menos de giro - assim o conversor de torque não se transforma em estilhaços ao lado do seu joelho esquerdo.

É menos “motor de supercarro”, mas, no contexto de uma perua grande, isso é exatamente o que faz sentido. E é algo para exibir mesmo: daí os emblemas V10 meio cafonas nas laterais e as 10 luzes de rodagem diurna em LED no para-choque dianteiro.

Na estrada: entre o AMG e o M5, com tração quattro a favor

Em movimento, esse motor delicioso fica numa faixa intermediária: entre a fanfarronice do V8 supercharged AMG de um E55 e a histeria de giros do V10 do M5. É uma coisa rara e poderosa ligada diretamente ao seu pé direito.

E, se você estiver preocupado que talvez esta não seja a perua com a arrancada mais forte do mundo, eu praticamente garanto que ela chega antes do E-Wagen do Herr AMG. O motivo é simples: ela consegue colocar a força no chão sem interrupções, enquanto a luz amarela no velocímetro do Mercedes faz aquele pisca-pisca irritante.

Potência só serve quando dá para usá-la, e o sistema quattro é uma ferramenta e tanto - sobretudo com a nova e sutil distribuição de torque mais voltada para trás, que ajuda a manter o carro equilibrado quando ele dispara por uma curva feita no limite. Você não consegue “puxar” a dianteira para dentro de uma curva muito fechada porque há muito motor lá na frente, mas isso raramente vira problema.

Conforto: o grande ponto fraco é o rodar

Um problema enorme é a suspensão: o S6 vai quicando e pulando pela maioria das estradas. Motor, câmbio e tração estão no ponto. Eles fazem você se sentir no controle, e de um jeito ótimo. Só que todo esse pula-pula acaba cansando.

Veredito: combinação imbatível de desempenho, aderência e espaço. Mas avalie o conforto da suspensão antes de assinar.

5.2-litre V10
435bhp, 398lb ft, 4WD
0-62mph in 5.3secs, max speed 155mph
1,970kg
£56,600

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