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Motores Ferrari em modelos italianos que não são Ferrari

Carro esportivo cinza metálico com design aerodinâmico exposto em salão de automóveis.

Ver um motor Ferrari instalado em um carro que não traz o célebre cavallino rampante no capô não é algo comum - mas já aconteceu, e talvez mais vezes do que muita gente imagina.

Há exemplos relativamente recentes e bem conhecidos, como o V6 biturbo que equipa os Alfa Romeo Giulia e Stelvio Quadrifoglio. Ainda assim, outros casos nos obrigam a abrir o baú da história do automóvel, como o pouco lembrado ASA 1000 GT.

Em todos os modelos que levantamos, havia um ponto em comum: a nacionalidade italiana.

ASA 1000 GT

Hoje, a presença de motores V8 - e, mais recentemente, até V6 - dentro da linha Ferrari já parece algo normal. Só que, nas décadas de 1950 e 1960, a marca de Maranello era muito mais “seletiva”.

Nos seus carros de rua, não havia espaço para nada menos do que um V12, o que naturalmente se refletia no caráter exclusivo e no preço elevado dos modelos.

Como alternativa mais “acessível” aos seus V12, Enzo Ferrari considerou a possibilidade de criar um novo produto para preencher essa lacuna.

Foi assim que nasceu o ASA 1000 GT, um esportivo compacto desenvolvido pela Ferrari e equipado com um pequeno quatro-cilindros de apenas 1,0 litro - que, na prática, correspondia a 1/3 do V12 de alumínio de 3,0 litros da Ferrari.

E por que ele não se chamou Ferrari? Além de Enzo Ferrari não querer ver o símbolo do cavallino rampante associado a um carro que não tivesse um V12, ele também não pretendia ampliar as instalações para dar conta de uma produção prevista acima de 3000 unidades por ano.

Por isso, aproveitou a boa relação com a família de industriais Nora para produzir o pequeno esportivo e, nesse processo, nasceu a ASA (Autocostruzioni Società per Azioni).

Apresentado no Salão de Turim de 1961, o ASA 1000 GT só entraria em produção em 1964. O desenho era assinado por Giorgetto Giugiaro (na época, na Bertone), enquanto o chassi ficou a cargo de outro grande nome da indústria italiana: Giotto Bizzarrini.

Fabricado até 1967, o ASA 1000 GT logo ganhou o apelido de Ferrarina (“pequena Ferrari”), deixando evidente a ligação com a Ferrari.

Apesar da intenção de oferecer algo mais acessível, ele chegou ao mercado com preço alto - também trazia “luxos” como quatro freios a disco e um motor Ferrari - e ficou bem longe do êxito esperado.

No fim das contas, apenas 90 unidades foram produzidas.

Entra o Dino V6

Criado em conjunto por Alfredo ‘Alfredino’ Ferrari e por Vittorio Jano - o “pai” do primeiro V6 de produção (Lancia) -, o primeiro V6 da Ferrari, conhecido como Dino V6, surgiu com um único propósito: ser usado na Fórmula 2.

No entanto, as regras exigiam que, para homologação, esse motor também equipasse carros de rua e fosse produzido em pelo menos 500 unidades ao longo de 12 meses.

Sem capacidade de fabricar tantos carros em Maranello dentro desse prazo, a Ferrari recorreu à Fiat - que, com isso, recebeu um V6 para dar vida a um de seus modelos mais especiais: o Fiat Dino.

O Fiat Dino era oferecido como Dino Spyder (com desenho da Pininfarina) ou Coupé (assinado pela Bertone). Tinha tração traseira e utilizava o mesmo 2,0 V6 do Dino 206 GT (um mini-Ferrari ao qual só faltava o emblema), entregava 160 cv e vinha ligado a um câmbio manual de cinco marchas.

Em 1969, o Dino V6 evoluiu: saiu dos 2,0 litros originais e do bloco de alumínio para 2,4 litros e um bloco de ferro forjado, com a potência subindo para 180 cv.

Além de continuar no Fiat Dino e nos Dino 246 GT e GTS, esse motor também apareceu em um dos modelos mais icônicos da indústria: o Lancia Stratos, lançado em 1973.

O restante, bem, é história. O Stratos foi o primeiro carro concebido especificamente para ralis e, com o V6 em posição central-traseira - aqui com 190 cv -, ajudou a Lancia a conquistar três títulos consecutivos de construtores.

Outra vez a Lancia

Entre 1975 (o último ano de produção do Stratos) e 1986, os motores Ferrari voltaram a aparecer apenas em outros Ferrari. Isso mudou com o Lancia Thema 8.32.

Com um V8 Ferrari de 2927 cm3, o Thema 8.32 marcou o retorno dos motores da marca de Maranello aos modelos da Lancia.

Compartilhado com o Ferrari 308 Quattrovalvole, esse motor, na versão sem catalisador, entregava 215 cv. Com isso, o sedã executivo da Lancia fazia de 0 a 100 km/h em 6,8s e alcançava 240 km/h de velocidade máxima.

Quanto ao nome 8.32, ele vinha diretamente da configuração do V8: “8” de V8 e “32” de 32 válvulas.

A vez da Maserati

Nos anos 1990, quando Luca di Montezemolo assumiu o comando da marca de Maranello e, algum tempo depois, também o da Maserati, era questão de tempo até os motores Ferrari aparecerem nas propostas do tridente.

Isso se confirmou em 2002, quando os Maserati Coupe e Spyder (também chamados de 4200 GT) passaram a usar o mesmo V8 aspirado do Ferrari F430, o F136.

Para se adequar melhor ao perfil dos Maserati, o V8 de 4,2 litros (4244 cm3) adotava virabrequim cruzado (funcionamento mais suave e maior foco em torque), em vez do virabrequim plano (mais leve, mais equilibrado e capaz de girar mais alto) usado nos Ferrari.

Além do Coupe e do Spyder, o V8 também equipou o Quattoporte e evoluiu para uma versão de 4,7 litros, presente em modelos como o GranSport e, mais tarde, nos GranTurismo e GranCabrio - com esses dois se aposentando em 2019.

Fora da Maserati, o 4.7 V8 aspirado ainda encontraria lugar nos belíssimos Alfa 8C Competizione e 8C Spider.

Alfa Romeo mantém a tradição

O 8C abriu o caminho, mas foi com os Alfa Romeo Giulia e Stelvio Quadrifoglio que o vínculo entre Alfa Romeo e Ferrari se tornou ainda mais próximo.

O “responsável”? O V6 2,9 litros biturbo, by Ferrari, capaz de entregar 510 cv e 600 Nm de torque. Já nos Giulia GTA e GTAm, a potência subiu para impressionantes 540 cv, número que faz deles os Alfa Romeo mais potentes de todos os tempos.

Qual será o próximo não-Ferrari a receber um motor Ferrari?

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