A frase “a esperança é a última a morrer” parece se encaixar bem no momento da divisão esportiva N da Hyundai. Mesmo depois de apostar forte em modelos 100% elétricos - com o IONIQ 5 N já nas ruas e o futuro IONIQ 6 N no horizonte - há sinais de que a marca pode estar pronta para mexer nas “regras do jogo”.
No ano passado, a Hyundai comunicou que encerraria, para a Europa, a produção dos modelos N com motor de combustão interna e que assumiria o papel de “pioneira dos veículos elétricos de alto rendimento”. Só que, ao que tudo indica, o plano não é tão definitivo quanto parecia.
O que a Hyundai N está sinalizando sobre além dos 100% elétricos
Em conversa com a Autocar, Joon Park, chefe da divisão N da Hyundai, não descartou a chance de ver, mais adiante, esportivos N com outras opções de motorização. Como ele resumiu: “Estamos a avançar com os elétricos, claro, mas também com outras propostas que conseguirmos concretizar”.
A fala ajuda a explicar por que, mesmo com o foco recente em EVs, a marca não quer ser vista como limitada a um único caminho.
É o regresso dos Hyundai N a combustão?
Vale lembrar de onde a linha começou: o primeiro modelo a carregar a letra N foi o Hyundai i30 N (2017), lançado para bater de frente com rivais como Volkswagen Golf R, Mercedes-AMG A35 e BMW M135i. Depois, a família cresceu com a chegada do i20 N (2021), mais compacto, e do elétrico IONIQ 5 N, em 2023.
Pouco tempo depois, os dois N a gasolina saíram de cena, e a oferta ficou restrita ao IONIQ 5 N.
Com a apresentação do IONIQ 6 N marcada para o Goodwood Festival of Speed, é natural que muitos entusiastas tenham passado a enxergar o futuro da marca como exclusivamente elétrico. Só que, pelo que se desenha agora, esse cenário pode ter sido mais uma exceção do que uma regra.
“O problema com que nos temos deparado é a perceção, tanto dos media como dos fãs, de que a Hyundai N só está focada nos 100% elétricos, o que não é verdade”.
Joon Park, chefe da divisão N da Hyundai
Eletrificação mais lenta e espaço para híbridos na estratégia
A própria Hyundai, inclusive, já admitiu que a transição global rumo à eletrificação será mais lenta do que o previsto no início. Com isso, a gama da marca deve passar por uma aposta forte em modelos híbridos.
Nesse contexto, é plausível que essa orientação também chegue à área mais “apimentada” da Hyundai. Como destacou o executivo, “para a N, imaginação e coragem são palavras-chave”. Se isso significa a volta dos Hyundai N com motor a combustão, resta aguardar para ver.
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