Mais do que um «Yaris de saltos altos»
Apesar de dividir o nome com o bem-sucedido compacto, o Yaris Cross consegue afirmar uma identidade própria - ainda mais na unidade testada, com pintura bicolor dourado e preto, que acho particularmente interessante (opinião pessoal, claro). Some-se a isso a distância ao solo de 160 mm, que reforça a proposta com um ar mais aventureiro.
Por dentro, o painel é praticamente igual ao do Yaris, com destaque para a sensação de robustez e para a quantidade de porta-objetos. Também merece elogio a manutenção dos comandos físicos do ar-condicionado e das teclas de atalho para o novo sistema multimídia da Toyota, que funciona melhor do que em outros modelos da marca, embora ainda pudesse ser mais rápido nas respostas.
Se até aqui o Yaris Cross joga de igual para igual com os rivais - seja no nível de equipamentos, seja na solidez e nos materiais (em sua maioria rígidos) -, o mesmo já não se aplica à habitabilidade.
Mesmo com o aumento de medidas em relação ao Yaris, o Yaris Cross fica devendo espaço nos bancos traseiros quando comparado à concorrência. Não ajuda a menor abertura das portas, o que também complica a vida na hora de instalar cadeirinhas infantis nesses lugares.
Ainda sobre a segunda fileira: apesar de confortáveis, os apoios de cabeça são fixos e altos, o que acaba por prejudicar a visibilidade para trás.
Já o porta-malas é onde o Yaris Cross se “redime”: são 397 litros, um número bem positivo. Além disso, há boa modularidade, com piso duplo - dividido em duas partes - que permite baixar apenas um dos lados do compartimento.
O «novo normal» da Toyota
Cada vez mais empenhada em fazer carros “não entediantes” - como Akio Toyoda, presidente da Toyota, tem repetido com frequência -, a marca conseguiu tornar o Yaris Cross uma das opções mais agradáveis de dirigir no segmento.
A combinação de suspensão mais firme (sem chegar a ser desconfortável) com rodas de 18” e pneus de perfil mais baixo dá ao Yaris Cross um comportamento muito competente e até… divertido.
Ok, a direção é leve e não tão bem resolvida quanto a do Puma, mas é precisa e direta. E, na prática, o modelo japonês não fica tão distante assim da proposta da Ford quando o assunto é dinâmica.
Ainda assim, não há “bela sem senão”: o isolamento acústico poderia ser melhor. Os pneus de perfil mais baixo aparecem no som, assim como ruídos aerodinâmicos e o barulho do motor a combustão, especialmente em rodovia.
O valor da experiência
Falando no motor, o três cilindros 1,5 l vem associado a um motor elétrico e ao câmbio e-CVT, formando o conjunto híbrido. Longe de ser referência em desempenho (nem era o esperado com 116 cv de potência combinada), ele impressiona principalmente pela eficiência e pela suavidade em uso urbano.
Como prova da experiência da Toyota no universo dos híbridos, este 1.5 Hybrid - já conhecido do Yaris - permitiu médias de 4,7 l/100 km (curiosamente em trajetos feitos majoritariamente em autoestrada e estrada nacional), enquanto na cidade os números ficaram entre 5,5 l/100 km e 5,7 l/100 km.
Isso se deve, em grande parte, ao fato de este motor ser capaz, segundo a Toyota, de rodar até +70% do tempo em cidade no modo 100% elétrico. Evidentemente, não consegui medir com precisão a porcentagem de quilômetros feitos em modo elétrico, mas admito que, no uso urbano, raramente ouvi o motor a combustão entrar em ação.
Diante da concorrência - que na maioria das vezes recorre apenas a motores a combustão (às vezes com sistema mild-hybrid) ou até híbridos plug-in -, o Yaris Cross surge como uma “solução de compromisso”. E atenção: no bom sentido.
Afinal, esse híbrido entrega economias reais sem “exigir” recargas frequentes da bateria, como acontece nos híbridos plug-in.
É o carro certo para si?
A Toyota demorou um pouco para entrar de vez no segmento dos B-SUV, mas quando o fez colocou toda a sua experiência em SUV a serviço do seu “benjamim”.
Mesmo não sendo o mais espaçoso da categoria, o Toyota Yaris Cross compensa isso com um conjunto mecânico que o torna uma das opções mais interessantes para quem roda principalmente na cidade.
Fora desse cenário, o SUV japonês também não decepciona, sendo apenas “traído” pela insonorização - sobretudo do motor - em giros mais altos. Ainda assim, basta olhar o computador de bordo e ver os consumos registrados para rapidamente esquecer esse detalhe.
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