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Reino Unido planeja comprar 72 obuseiros autopropulsados RCH 155 sobre Boxer por cerca de £1 bilhão

Dois homens analisam projeto ao lado de tanque militar dentro de fábrica com braços robóticos e equipamentos.

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O Reino Unido está prestes a dar um passo importante no programa de modernização das suas forças terrestres ao planejar a compra de 72 obuseiros autopropulsados sobre rodas RCH 155 para o Exército Britânico, em um acordo estimado em aproximadamente £1 bilhão. A decisão vem após meses de avaliações realizadas na Alemanha no âmbito do Acordo Trinity House, enquanto Londres aprofunda a cooperação industrial de defesa com Berlim e fortalece capacidades de artilharia alinhadas à OTAN.

Contrato via OCCAR e a participação da ARTEC

De acordo com o Ministério da Defesa do Reino Unido, a aquisição será conduzida por meio da Organização para Cooperação Conjunta em Armamentos (OCCAR), que concedeu o contrato, em nome do Exército Britânico, à ARTEC GmbH - joint venture formada pela Rheinmetall e pela KNDS. O acordo abrange não apenas a entrega dos sistemas de artilharia, como também pacotes de treinamento para o efetivo e suporte logístico integrado, com o objetivo de viabilizar o emprego operacional completo.

Produção no Reino Unido e base industrial de defesa

Um ponto central do programa é a forte participação industrial em território britânico. A Rheinmetall deverá fabricar canos, mecanismos de culatra e sistemas de recuo em sua unidade de Telford. Já a Sheffield Forgemasters, também no Reino Unido, fornecerá aço, dentro de uma estratégia mais ampla para reforçar capacidades da indústria pesada nacional. Em paralelo, a KNDS UK produzirá, em Stockport, componentes relevantes da plataforma do veículo blindado Boxer, incluindo partes do chassi, motores e sistemas de transmissão.

RCH 155 sobre Boxer: mobilidade e impacto em empregos

O próprio RCH 155 é instalado sobre o Boxer, um veículo de combate sobre rodas de alta mobilidade, projetado para permitir desdobramento rápido e reduzir a carga logística em comparação com a artilharia tradicional sobre lagartas. A expectativa é que o programa sustente cerca de 500 empregos qualificados em toda a base industrial de defesa do Reino Unido.

Lideranças políticas em Londres e Berlim ressaltaram tanto a relevância estratégica quanto o impacto econômico do acordo. O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, afirmou: “Este importante investimento em defesa beneficia tanto o campo de batalha quanto a economia britânica. Ao garantir, com a Alemanha, a aquisição de artilharia de próxima geração, não estamos apenas nos rearmando para fortalecer a OTAN diante da crescente agressão russa, como também criando empregos altamente qualificados aqui no Reino Unido.” Seu homólogo alemão, Boris Pistorius, também apontou o acordo como um marco na cooperação bilateral em defesa e na interoperabilidade entre forças aliadas.

Adoção europeia e variantes do sistema

O RCH 155 já se consolida como uma solução escolhida por diferentes operadores europeus. Além do Exército Britânico, o sistema foi selecionado pela Suíça e pela Ucrânia, bem como pelo Exército Alemão (Bundeswehr). No caso suíço, o sistema está sendo integrado para substituir obuseiros M109 KWEST envelhecidos, incorporando um chassi Mowag Piranha IV 10×10 no lugar do Boxer empregado em outras configurações. Já a Ucrânia começou a empregar o sistema em suas unidades de artilharia como parte da assistência militar alemã, com entregas iniciais relatadas em janeiro de 2025.

Substituição do AS90, solução provisória Archer e cronograma

Para o Reino Unido, a compra representa um caminho direto de substituição da frota legada AS90, parte da qual foi transferida à Ucrânia em 2023 para apoiar o esforço de guerra do país. Enquanto a integração completa do RCH 155 não é concluída, o Exército Britânico tem utilizado o sistema Archer para cobrir lacunas de capacidade.

O Exército Britânico informou que pretende alcançar a capacidade operacional inicial em 2028. O tenente-general Simon Hamilton, vice-chefe do Estado-Maior do Exército, comentou: “A Grã-Bretanha respondeu ao pedido de ajuda ao fornecer sistemas de artilharia à Ucrânia quando a guerra começou. Estávamos cientes do risco que isso acarretaria: a lacuna na nossa capacidade de combate. A concessão bem-sucedida do contrato do RCH 155, destinado ao desenvolvimento da nossa artilharia de apoio aproximado de 155mm, em colaboração com a Alemanha, marca o primeiro grande marco na restauração dessa capacidade.”

O programa evidencia uma mudança mais ampla na Europa em direção a soluções de artilharia automatizadas e altamente móveis, capazes de operar com equipes reduzidas, ao mesmo tempo em que reforçam a interoperabilidade entre parceiros da OTAN e consolidam a cooperação industrial de longo prazo entre o Reino Unido e a Alemanha.

Imagens usadas apenas para fins ilustrativos

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