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KF-21 Boramae e a modernização da frota
A Força Aérea da Coreia do Sul vem conduzindo, de forma constante, um amplo processo de modernização. Esse movimento inclui tanto a atualização de caças já consolidados, como os KF-16 e os F-15K, quanto a chegada de novas plataformas - com destaque para o KF-21 Boramae, desenvolvido e produzido no próprio país. Na prática, esse esforço exige substituir aeronaves que acumularam décadas de serviço operacional: em 2024, foi a vez dos F-4E Phantom II deixarem a linha de frente, e em 2027 será a despedida do último “veterano” da Guerra Fria ainda em operação no país asiático, os F-5E/F Tiger II.
Retirada dos F-5E/F Tiger II em 2027
A confirmação de que 2027 vai encerrar a vida operacional dos Tiger II sul-coreanos - uma família cuja trajetória remonta até mesmo aos primeiros F-5A/B recebidos nos anos 60 - foi anunciada pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea da República da Coreia, general Son Seok-rak, durante uma coletiva de imprensa realizada dias atrás em Seongnam, na província de Gyeonggi.
Sobre o tema, o oficial declarou aos jornalistas: “Vamos avançar rapidamente para retirar o F-5”, e acrescentou: “Estamos preparando sua aposentadoria honrosa antes do fim do próximo ano.”
Essa atualização sobre o futuro do F-5E/F Tiger II ocorre ao mesmo tempo em que seu sucessor, o KF-21 Boramae - também planejado para substituir os já citados F-4E - segue avançando na etapa final de testes e ensaios em voo, buscando as certificações necessárias. Paralelamente, a Korean Aerospace Industries (KAI) progride com a produção em série dos primeiros exemplares. Inclusive, dias atrás ocorreu o roll-out do primeiro caça de produção que saiu das linhas de fabricação da empresa sul-coreana.
A retirada do F-5 Tiger II, um verdadeiro ícone da Guerra Fria, acompanha um padrão que vem se tornando visível em outras partes da região e do mundo: modelos de aeronaves de combate que marcaram a segunda metade do século XX estão, gradualmente, passando o bastão para uma nova geração de caças.
Basta lembrar que os F-4E Phantom II foram desativados em 2024 após mais de 55 anos de serviço. E, no caso específico da família F-5 Freedom Fighter/Tiger II, o mês de julho de 2025 também assinalou o fim dos RF-5E Tigergazer da Força Aérea de Taiwan.
Como o F-5 virou símbolo na Coreia do Sul
No caso sul-coreano, a história do F-5 Tiger II tem raízes nos anos 60, quando o país comprou seus primeiros F-5A/B, tornando-se um dos primeiros operadores internacionais da aeronave. O modelo havia sido concebido pelos Estados Unidos como um caça de exportação para nações aliadas e entrou em serviço na Coreia do Sul em 1965.
Naquele período, marcado pela Guerra do Vietnã, a Força Aérea da Coreia do Sul mantinha uma frota relevante de Freedom Fighters nessas versões, além de aeronaves de reconhecimento RF-5. Porém, em função de acordos com o governo dos Estados Unidos, Seul decidiu transferir 36 de seus F-5A e também todos os seus RF-5 para a Força Aérea do Vietnã do Sul.
Como compensação, Washington concordou em equipar a Força Aérea da Coreia do Sul com os potentes F-4 Phantom II e, mais adiante, com os Tiger II mais modernos e capazes - abrindo um novo capítulo para o F-5 em suas variantes “E” e “F”.
O primeiro lote de F-5E/F passou a operar em 1974, vinculado à Ala de Caça N.º 1, nos Esquadrões Táticos de Caça 115.º, 122.º e 123.º, sediados na base aérea de Kwangju.
Depois disso, uma nova série de Tiger II foi fabricada sob licença dentro do próprio país, elevando o total de aeronaves disponíveis. Essa produção, organizada em diversos lotes, ficou a cargo da Hanjin Corporation, com apoio e instalações da Korean Air, além da participação da Samsung, responsável pela montagem dos motores General Electric J85.
Embora a Força Aérea da Coreia do Sul tradicionalmente mantenha discrição sobre os índices de disponibilidade de suas aeronaves, após a desativação dos F-5A/B em 2007 a instituição opera um total estimado de 170 caças F-5E/F. Esses aviões estão distribuídos por diferentes esquadrões de caça, incluindo os já mencionados em Kwangju, além dos esquadrões 102.º e 103.º, baseados em Suwon, e também Kunsan, com o 111.º esquadrão.
Por fim, esse combatente da Guerra Fria - assim como ocorreu com os Freedom Fighter em 2007 - dará lugar às plataformas mais recentes incorporadas pela Força Aérea da Coreia do Sul nas últimas décadas, como os KF-16, F-15K, F-35 e os KAI FA-50, tendo como expressão mais recente do avanço da indústria aeroespacial do país o KF-21 Boramae.
Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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