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RAF integra foguetes guiados APKWS nos caças Typhoon em tempo recorde

Homem em uniforme militar realiza manutenção em avião de caça estacionado em pista de aeroporto.

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Diante da ameaça contínua de drones no Oriente Médio, a Royal Air Force (RAF) colocou em serviço, em tempo recorde, os foguetes guiados APKWS em seus caças Typhoon. Para isso, foi necessário acelerar ao máximo a compra e a campanha de testes, em um esforço conduzido pelo Ministério da Defesa do Reino Unido em conjunto com as empresas britânicas BAE Systems e QinetiQ.

A ameaça de drones e a lógica custo-benefício

Há anos vem sendo discutida a relação custo/benefício para enfrentar veículos aéreos não tripulados. Plataformas como os Shahed iranianos exigem um investimento relativamente baixo para serem produzidas, mas podem causar danos significativos quando conseguem penetrar defesas.

Esse efeito ficou evidente tanto nas ações recentes no Oriente Médio quanto na guerra na Ucrânia. Nesse cenário, o desafio não é apenas abater o alvo, e sim fazê-lo sem consumir, de forma desproporcional, munições mais caras e de reposição mais lenta.

Por que o APKWS virou uma escolha frequente contra drones

O Sistema Avançado de Armas de Precisão - conhecido pela sigla APKWS e também pela designação AGR-20F Falco - passou a figurar entre as soluções mais procuradas para enfrentar drones. O motivo está na combinação entre desempenho já comprovado em diversos conflitos e vantagens práticas, como custos menores e prazos mais curtos para aquisição e reposição.

Na prática, os APKWS tendem a ser uma alternativa econômica e eficaz quando comparados a sistemas ar-ar mais sofisticados e caros, como os mísseis AIM-9 Sidewinder, ASRAAM e AIM-120 AMRAAM, entre outros.

Vale lembrar que, em 6 de março, um caça de 5ª geração F-35B Lightning II da RAF derrubou dois drones sobre a Jordânia. As vitórias foram obtidas com mísseis ASRAAM e com o apoio de caças Typhoon.

Trabalhos de integração

Segundo o Ministério da Defesa britânico, a adaptação dos foguetes APKWS aos caças Typhoon da RAF foi viabilizada por um “…rápido processo de aquisição e testes conduzido pelo Ministério da Defesa e seus parceiros industriais BAE Systems e QinetiQ…”, o que fez com que “…o sistema passasse da fase de testes para o emprego operacional em menos de dois meses…”.

Ainda de acordo com a pasta, “…em março foi realizado um ataque de teste bem-sucedido contra um alvo terrestre e, em abril, pilotos de Typhoon da RAF do 41º Esquadrão de Testes e Avaliação executaram lançamentos ar-ar bem-sucedidos, demonstrando a capacidade do sistema de se defender de ataques com drones…”.

Com as experiências de combate mais recentes no Oriente Médio, outros países europeus também passaram a acelerar iniciativas comparáveis às do APKWS. A Bélgica, por exemplo, avançou com seus F-16AM e os foguetes guiados a laser FZ275; a França vem fazendo movimentos semelhantes com o Rafale.

O caso francês ganhou atenção porque, após os primeiros dias de combate no Oriente Médio, veículos de imprensa locais relataram um consumo elevado de mísseis ar-ar MICA para lidar com drones iranianos. O episódio acendeu alertas em função dos estoques das Forças Armadas da França, além dos custos e do tempo necessário para recompor esse tipo de material.

No Reino Unido, por sua vez, a RAF levou adiante a integração do APKWS em ritmo acelerado, o que permitiu colocar a capacidade em campo rapidamente para operações no Oriente Médio, com “…missões realizadas por caças Typhoon do 9º Esquadrão da RAF como parte das tarefas para defender a população, os interesses e os parceiros britânicos das ameaças…”.

O Comodoro do Ar Donal McGurk, subdiretor de operações do Grupo Aéreo 11, afirmou: “…Celebramos a rapidez do desenvolvimento e os testes meticulosos realizados para o emprego desses sistemas de mísseis em nossos Typhoons. Eles são uma valiosa incorporação ao pacote de defesa aérea que já estamos destacando com agilidade no Oriente Médio…”.

APKWS

De forma geral, o APKWS é um foguete Hydra de 70 mm (2,75 pol.) ao qual foi adicionado um kit de guiagem a laser. Essa solução aumenta a precisão e a letalidade do projétil e, ao mesmo tempo, oferece um caminho mais barato para neutralizar alvos no solo e no ar.

A BAE Systems, fabricante do sistema guiado a laser, ressalta que a versão do APKWS destinada a aeronaves de asas fixas tem alcance mínimo de 2km e alcance máximo de 14km. O foguete trabalha em conjunto com pods designadores como o AN/AAQ-33 Sniper, o PANTERA e o AN/AAQ-28(V) LITENING, em suas diferentes variantes.

Além do custo e da flexibilidade, o APKWS também permite que um único caça leve pelo menos 7 foguetes guiados - a carga máxima para um lançador LAU-131A. Caças F-16C da Força Aérea dos EUA já foram vistos com 2 a 4 lançadores LAU-131A em operações de combate, o que evidencia a relevância que esse sistema ganhou nos últimos tempos.

Imagem de capa: MoD – Direitos autorais da Coroa


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