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Desprogramação do A-4AR Fightinghawk na Força Aérea Argentina
A última terça-feira, 14 de maio, encerrou uma incerteza prolongada em torno do sistema de armas A-4AR Fightinghawk da Força Aérea Argentina. A decisão veio após quase dois anos sem registros de voos dessas aeronaves, período que se seguiu ao trágico acidente de julho de 2024.
Foi o próprio comandante da instituição, o Brigadier General Gustavo Valverde, quem comunicou primeiro aos integrantes da V Brigada Aérea e, depois, ao público, a desprogramação dos caças-bombardeiros. Com isso, foi colocado um ponto final na trajetória do modelo na defesa dos céus argentinos - uma história cuja origem remonta aos A-4B e A-4C Skyhawk.
O que o programa A-4AR Fightinghawk deixa como aprendizado
Apesar de ser um fato recente e ocorrer no contexto atual de incorporação de uma nova plataforma de combate pela Força Aérea Argentina, o encerramento do programa A-4AR Fightinghawk deixa lições que precisam ser levadas em conta - e, com toda a certeza, estão sendo - diante do processo de entrada em serviço dos F-16AM/BM adquiridos ao Reino da Dinamarca.
Infelizmente, os pontos levantados aqui são justamente aqueles que precisam ser corrigidos para evitar a repetição de erros do passado, algo reconhecido tanto por especialistas em aviação militar quanto por integrantes da própria Força Aérea Argentina.
Apoio logístico e financeiro: o fator central
De forma breve - e sem entrar em detalhes que não cabem neste texto -, o aspecto mais importante é o suporte à plataforma, tanto no plano logístico quanto no financeiro. Ao longo de toda a sua trajetória, desde a incorporação no fim dos anos 90 até o encerramento definido no dia 14 de maio, o A-4AR Fightinghawk da Força Aérea Argentina conviveu permanentemente com dificuldades que impediram extrair da aeronave todo o seu potencial.
Basta lembrar a quantidade quase mínima de aeronaves efetivamente disponíveis, algo associado em parte à falta de apoio orçamentário, além da necessidade de sustentar uma plataforma antiga, com décadas de uso, e que já não era mais produzida pelo fabricante. Soma-se a isso o fato de que o A-4AR Fightinghawk foi concebido, originalmente, como uma solução de transição rumo a outra plataforma em curto prazo - como o F-16, discutido naqueles anos 90 - e, ao mesmo tempo, como forma de recompor parcialmente perdas sofridas na guerra das Malvinas.
Mesmo assim, a combinação de condicionantes políticos e econômicos - e sabe-se lá o que mais, além do escopo deste texto - acabou por impedir o pleno aproveitamento do sistema e a manutenção de uma linha de voo consistente. Nos seus últimos anos de operação, no melhor cenário, o efetivo disponível na plataforma não passava de cerca de meia dúzia de aviões.
Pacotes logísticos e armamentos que ficaram pelo caminho
À parte, merece destaque a questão dos pacotes logísticos e, principalmente, de armamento que não foram comprados conforme previsto no desenho original do programa - algo admitido inclusive por altos comandos da Força Aérea.
O A-4AR Fightinghawk tinha capacidade para empregar armamento guiado em ataques a alvos terrestres e, além disso, abria espaço para a integração de outras capacidades relevantes, que também não chegaram a ser consideradas.
A transição para os F-16 no Programa Peace Condor
Como mencionado, os pontos acima representam apenas parte dos fatores que, na etapa final de vida do sistema de armas, transformaram sua operação em uma espécie de quimera, enquanto se aguardava um substituto que nunca se concretizava - até a compra e a atual incorporação dos F-16 provenientes da Real Força Aérea da Dinamarca.
Conforme vem sendo informado, por fontes oficiais e também por especialistas, a Força Aérea Argentina, dentro do Programa Peace Condor, está empenhando esforços humanos, materiais e orçamentários para assegurar que a trajetória do A-4AR não se repita com os F-16. Nesse ponto, existe também a responsabilidade do comando político, que - sempre - é quem dá a palavra final e autoriza, ou não, os meios necessários para garantir e executar o planejamento elaborado pela condução militar.
Reconhecimento ao A-4AR Fightinghawk e a quem o manteve em voo
Com a baixa agora oficialmente confirmada, resta prestar uma homenagem simples e sincera à aeronave e, igualmente, a todos os seus pilotos, equipes de solo e engenheiros mecânicos - em Reynolds, na Área Material Río Cuarto e em outros locais do país - que tornaram possível manter os A-4AR em serviço. Ao longo dessas décadas de operação, esse esforço sustentou a formação de centenas de efetivos.
A expectativa é que essa experiência seja aplicada e valorizada, para que a República Argentina não repita erros e não se cumpra aquela máxima de que "a história primeiro acontece como tragédia e depois se repete como comédia".
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