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Stopira brilha: Torreense vence Sporting na Taça de Portugal e Cabo Verde vai ao Mundial de 2026

Jogador de futebol do Cruzeiro celebrando com braços abertos durante partida, com torcida ao fundo.

O capitão do Torreense foi quem assinou o gol do título na Taça de Portugal diante do Sporting, mas a semana já vinha carregada de momentos marcantes. Dias antes, o zagueiro cabo-verdiano Stopira também comemorou a convocação inédita de Cabo Verde para a Copa do Mundo de 2026 - e as imagens da reação do elenco correram as redes.

Ianique dos Santos Tavares, mais conhecido no futebol como Stopira, atravessa uma sequência de lembranças que devem ficar para sempre. Neste domingo, o experiente defensor entrou para a história do clube de Torres Vedras ao marcar, em cobrança de pênalti aos 113 minutos, o gol que garantiu a vitória por 2-1 sobre o Sporting, na final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional do Jamor.

Stopira decide a Taça de Portugal no Jamor pelo Torreense

A penalidade convertida na prorrogação fechou uma das maiores zebras recentes do futebol português e colocou o capitão como o principal símbolo da conquista. E, para Stopira, a carga emocional não começou no Jamor: ela vinha crescendo ao longo de toda a semana.

A convocação para a Copa do Mundo de 2026 e o vídeo que viralizou

Durante a semana, o zagueiro virou personagem central de um vídeo que se espalhou rapidamente nas redes sociais. Nas imagens publicadas pelo Torreense, o vestiário aparece reunido, em silêncio e expectativa, enquanto os jogadores aguardavam a divulgação da lista de convocados de Cabo Verde para a Copa do Mundo de 2026. Assim que o nome de Stopira foi anunciado, o time explodiu em comemoração.

Abraços, gritos e emoção tomaram conta do ambiente. A cena ganhou repercussão internacional, e muitos torcedores destacaram o clima de união vivido dentro do grupo da Segunda Liga portuguesa. Com isso, o defensor se tornou o primeiro atleta da história do Torreense a ser convocado para uma fase final de um Campeonato do Mundo.

O sonho de uma nação

A classificação de Cabo Verde para a Copa do Mundo de 2026 foi um marco histórico para o país africano, que disputará pela primeira vez a principal competição de seleções.

Stopira também teve papel decisivo na partida de 13 de outubro de 2025, contra Essuatíni, que confirmou a vaga inédita cabo-verdiana. Os "tubarões azuis" venceram por 3-0, na Praia, e o capitão marcou o terceiro gol já nos acréscimos.

Em declarações à agência Lusa, o internacional cabo-verdiano disse ter realizado "o maior sonho" da carreira. "Cabo Verde está apenas a celebrar 50 anos de independência e, como país que somos - pequeno, mas com um coração gigante - é, sem dúvida, o realizar de um sonho para a nossa nação", afirmou.

Mesmo chegando ao Mundial com 38 anos, o zagueiro garantiu que quer seguir brigando por um lugar no torneio. "Nunca vou abdicar disso. Foi o meu sonho e agora que o realizei, é claro que vou querer estar presente e vou trabalhar para isso", sublinhou.

Stopira contou ainda que o gol diante de Essuatíni foi "o mais bonito" da carreira, principalmente pelo peso emocional da ocasião. "A emoção e o arrepio... não só eu, mas todo o povo cabo-verdiano, os meus amigos, a minha família, toda a cidade da Praia, Cabo Verde no geral e a diáspora", recordou.

O apelido que o consagrou no futebol surgiu ainda na infância. Ianique dos Santos Tavares passou a ser chamado de Stopira no bairro onde cresceu, na cidade da Praia, como referência ao ex-atacante francês Yannick Stopyra, que defendeu a França na Copa do Mundo de 1986. "Como me chamava Ianique, associaram-me a ele e fiquei conhecido por Stopira", relembrou em entrevista.

Nascido na cidade da Praia, na ilha de Santiago, Stopira começou a jogar no Sporting da Praia e no Boavista da Praia antes de se mudar para Portugal, em 2008, para vestir a camisa do Santa Clara. A carreira seguiu depois pelo Deportivo da Corunha, pelo Feirense e pelo futebol húngaro, onde atuou por vários anos no Videoton, atual MOL Fehérvár.

De volta a Portugal, ele assumiu um papel central no Torreense, dentro e fora de campo. Respeitado como capitão no vestiário, agora vive uma reta final de carreira marcada por dois feitos improváveis: levar Cabo Verde à primeira Copa do Mundo de sua história e conduzir o Torreense a uma conquista histórica no Jamor.

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