Pular para o conteúdo

Hyundai Tucson: é um mini-Urus? Teste do crossover

SUV cinza da Hyundai circulando em estrada sinuosa cercada por vegetação e céu nublado.

Visual e interior do Hyundai Tucson

A primeira reação pode até ser: “Ué, a Lamborghini fez um mini-Urus?” Não. Mas dá para entender a confusão. Este crossover vem carregado de elementos de estilo: chapas cheias de vincos e recortes, um verdadeiro esquadrão de LEDs de luz diurna, e aquele “sabre” cromado sob o teto bicolor. É um carro feito para chamar atenção - e, sim, é um Hyundai.

A Hyundai já ousou bastante no design no começo dos anos 2000 (Tiburon Coupé de primeira geração, Veloster e até o ix35), só que quase sempre com um resultado meio esquisito. O Tucson, por outro lado, mira quem compra um carro familiar comum, mas quer se diferenciar sem parecer estranho. E, pelo conjunto, ele provavelmente acerta esse ponto.

Por dentro, a conversa é menos extravagante - ainda que o ambiente tenha presença. O destaque do painel é uma barra metálica dupla, longa e “varrida”, que liga o painel às portas e integra visualmente as saídas de ar. Além disso, uma faixa de tecido atravessa quase toda a largura e solta mais ventilação em forma de brisa difusa.

Há duas telas grandes e de alta resolução: uma para o quadro de instrumentos e outra no console central. As duas são nítidas e simples de operar.

O ar-condicionado é comandado por botões sensíveis ao toque, e aí nem tudo funciona tão bem: a sensação lembra mais o painel liso e fácil de limpar de um micro-ondas do que um conjunto de comandos táteis realmente pensado para um carro.

Motores, híbridos e tração

Na parte mecânica, nada de loucuras.

O carro avaliado aqui é o 1.6 turbo a gasolina, automático, com tração dianteira, entregando 150bhp. Ele ainda reduz algumas gramas de CO2 graças a um sistema híbrido leve de 48V - e tudo indica que essa será uma das configurações mais procuradas.

Também existe uma opção híbrida plena com 230bhp. Esse conjunto mecânico já foi testado por nós no Kia Sorento.

Em toda a gama, só um modelo oferece tração integral (4x4): um 1.6 mild-hybrid com câmbio DCT.

E, num “Sinal dos Tempos”, como o falecido Prince provavelmente chamaria, não há nenhuma versão a diesel.

Ao volante, conforto e preço no Reino Unido

Então o dianteiro é só aparência, sem conteúdo? Não exatamente. Afinal, quando foi a última vez que você viu um crossover familiar fazendo curva no limite? A dinâmica do Tucson parece muito bem calibrada para o jeito como esse tipo de carro é usado. Não chega a empolgar, mas é coerente e bem resolvido.

A direção surpreende por ser bem pesada, com uma resposta que tem certa inércia, porém com pouquíssimo atrito. E o carro reage de forma progressiva em guinada e rolagem. Traduzindo: é fácil conduzir numa trajetória suave e controlada, sem enjoar ninguém.

Em rodovias, ele se mostra estável tanto “na mão” quanto com o auxílio competente de centralização e acompanhamento de faixa.

Já em trechos mais fechados, sinuosos, ou em rotatórias suburbanas, as reações são mais pesadas e deliberadas: é um crossover sólido, não um carro ágil. E você também vai sentado alto.

O motor tem variação de duração das válvulas (não apenas de comando/tempo). Ele entrega bom torque e, graças ao sistema de partida 48V, faz o liga-desliga no trânsito de modo bem silencioso. Mas, quando você estica o giro, o funcionamento fica um pouco áspero. Melhor evitar o modo esportivo do câmbio e deixar a transmissão escolher marchas mais longas.

E os passageiros? A suspensão tem um acerto relativamente firme, o que ajuda a controlar os movimentos da carroceria para quem dirige. Ela também é um pouco elástica. Ainda assim, dá para imaginar que o carro fique mais assentado com alguns ocupantes a mais - e, de todo modo, suspensão e pneus nunca soam duros nem barulhentos.

O espaço para pernas no banco traseiro é apenas mediano para a categoria. Já o porta-malas é longo no sentido frente–traseira, mas não tão profundo. Em outras palavras, ele se comporta mais como o de uma perua do que como o de um crossover. Então (desculpe insistir): por que não comprar logo uma perua?

Agora que ele chegou ao Reino Unido, vale o que custa? A Hyundai claramente aposta que a cabine bem pensada e o visual desejável colocam o Tucson em um patamar mais “adulto”. Do jeito testado, na versão Ultimate, ele fica na casa de £35 mil. Dá para economizar trocando o automático de dupla embreagem por um câmbio manual. E a versão Premium corta mais de £2.500 em relação à Ultimate. Tudo isso com garantia de cinco anos, sem limite de quilometragem.

Mesmo assim, se você está atrás de um emblema premium, esse valor já encosta em Volvo XC40 e Audi Q3 - ou até em um BMW 318i Touring se a prioridade for ser premium e gostar de dirigir.

Por outro lado, o Hyundai oferece um pacote bem pensado de tecnologias fáceis de usar, além da garantia de cinco anos sem limite de milhas. Se o estilo dele te agrada, é um carro que tende a ser simples de conviver e de manter no dia a dia.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário