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A Marinha da China finalmente confirmou o início de um novo deslocamento do porta-aviões Liaoning (CV-16) no Pacífico Ocidental, depois que, dias antes, fontes de informação aberta identificaram o navio navegando no Mar do Sul da China por meio de imagens de satélite Sentinel-2. Conforme o comunicado divulgado pela Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN), o Grupo de Tarefas liderado pelo Liaoning deixou o porto na terça-feira, 19 de maio, rumo a “águas relevantes” do Pacífico Ocidental para cumprir uma nova etapa de adestramento em alto-mar.
Das imagens de satélite ao comunicado oficial
O pronunciamento chinês ocorre após os deslocamentos observados na semana passada, quando o porta-aviões Tipo 001 foi localizado a cerca de 700 quilômetros a leste da base naval de Sanya, na ilha de Hainan, acompanhado por rastros na água compatíveis com possíveis escoltas e com tráfego civil nas proximidades. Esse registro já sugeria que o navio havia se afastado da área de Hainan para iniciar um deslocamento mais amplo; agora, a própria Marinha chinesa confirmou que o grupo segue para o Pacífico Ocidental - um espaço que Pequim vem utilizando com frequência crescente para treinamento de longa distância, operações com o seu grupo aéreo embarcado e navegação além da Primeira Cadeia de Ilhas.
Atividades de adestramento do Liaoning no Pacífico Ocidental
De acordo com a nota oficial, o plano de atividades inclui voos táticos, exercícios com fogo real, manobras de apoio e cobertura, e treinamento integrado de busca e salvamento. A menção explícita a exercícios de tiro real é um dos trechos mais relevantes do comunicado, pois indica um nível de complexidade maior do que um simples trânsito ou uma navegação de presença.
Essas movimentações, como é esperado, são acompanhadas de perto por Japão, Taiwan e Estados Unidos, especialmente devido a precedentes de operações chinesas nas áreas próximas ao estreito de Miyako e ao Mar das Filipinas.
Um porta-aviões veterano que segue central
O Liaoning continua sendo uma peça central para a Marinha do Gigante Asiático. Incorporado em 2012 a partir do casco soviético Varag, o navio opera em configuração STOBAR, com rampa ski-jump e recuperação por cabos de parada, empregando principalmente caças embarcados J-15, além de helicópteros Z-18 e Z-9 para alerta, guerra antissubmarino, ligação e busca e salvamento. Embora a China já tenha incorporado o Shandong (CV-16) e colocado em serviço o mais moderno Fujian (CV-18), o Liaoning permanece em uso para sustentar ciclos de treinamento, formar tripulações e validar procedimentos do grupo em águas cada vez mais distantes do litoral.
Além disso, o deslocamento acontece em um período no qual a China procura normalizar operações de porta-aviões além do Mar Amarelo, do Mar da China Oriental e do Mar do Sul da China. Em 2025, Liaoning e Shandong já haviam conduzido atividades simultâneas no Pacífico - um episódio acompanhado pelo Japão e apontado por Tóquio como um marco na expansão da atividade aeronaval chinesa.
Composição provável do Grupo de Tarefas
Por outro lado, essa atualização também não apresentou a composição completa do Grupo de Tarefas, embora imagens de satélite tenham mostrado rastros atribuídos, em caráter preliminar, a navios acompanhando o CV-16. Nesse contexto e considerando deslocamentos anteriores, pode-se inferir que o grupo seja formado por destróieres Tipo 055 e Tipo 052D, fragatas Tipo 054A e navios logísticos de apoio, como os reabastecedores Tipo 091.
Até o momento, a China não informou a duração prevista do deslocamento nem a área exata das manobras. Ainda assim, o fato de a Marinha ter divulgado o início da operação já nas primeiras horas sugere que Pequim pretende conduzir a narrativa de uma atividade que provavelmente será monitorada pelo Japão e por outros atores regionais.
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