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TAI inicia variante naval do HÜRJET e fecha contrato com a Espanha de €2.600 milhões

Caça militar em um porta-aviões com equipe de solo em ação ao pôr do sol no mar.

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A Turkish Aerospace Industries (TAI) deu início, de forma oficial, ao desenvolvimento de uma variante naval do HÜRJET - seu jato nacional de treinamento avançado e ataque leve - conforme noticiado pelo portal turco TRT Haber em 15 de maio. Essa nova configuração foi pensada para operar a partir de porta-aviões e de plataformas com pista curta, dentro do conceito estratégico marítimo “Mavi Vatan” - “Pátria Azul” - que direciona a doutrina naval turca para a projeção de controle no Mediterrâneo oriental, no Mar Egeu e no Mar Negro. A divulgação ocorre enquanto o HÜRJET alcança seu primeiro grande marco de exportação: um contrato com a Força Aérea e Espacial da Espanha para 30 aeronaves, no valor total de €2.600 milhões, o maior acordo de exportação aeronáutica já registrado pela indústria de defesa da Turquia.

O HÜRJET é um monomotor, com dois assentos em tandem, de quarta geração, equipado com um motor General Electric F404-GE-102. Sua velocidade máxima é Mach 1.4, o teto de serviço fica em torno de 13.700 m, e a capacidade de carga útil chega a 3.400 kg distribuídos em nove pontos externos de fixação. Projetado tanto para o treinamento avançado de pilotos de caça quanto para missões de ataque leve, ele realizou o primeiro voo em 2023 e atualmente está na fase de produção dos lotes iniciais para a Força Aérea Turca.

Mudanças estruturais para o HÜRJET naval

A versão naval parte da mesma base, mas demanda uma reengenharia estrutural relevante. O trem de pouso e a estrutura do fuselagem serão redesenhados para suportar os impactos associados às maiores taxas de descida nos pousos embarcados, em que os esforços impostos à célula são bem superiores aos de operações em pistas terrestres convencionais. A alteração mais evidente será a instalação de um gancho sob a fuselagem - item que permite interromper a corrida de pouso no espaço limitado do convoo ao enganchar os cabos estendidos transversalmente na popa do porta-aviões.

Navalização do HÜRJET e funções previstas

A adaptação ao ambiente marítimo - conhecida tecnicamente como navalização - exige blindar todos os componentes críticos contra a corrosão acelerada provocada pela exposição prolongada à água salgada e pela alta umidade. No HÜRJET naval, isso envolve o conjunto do motor, as ligas metálicas da célula, os sistemas aviônicos e toda a eletrônica embarcada. Não se trata apenas de aplicar camadas superficiais de proteção, mas sim de revisar materiais e tratamentos de maneira que impacta a fabricação desde a escolha das ligas até os processos de vedação e os revestimentos dos sistemas elétricos.

Segundo o planejamento das Forças Armadas turcas, a variante naval do HÜRJET deverá assumir funções de formação de pilotos navais, ataque leve, apoio aéreo aproximado (CAS) e atividades de suporte a missões marítimas. Com isso, a Marinha da Turquia passaria a contar com uma capacidade orgânica de asa fixa embarcada que, hoje, não possui em plataformas de produção nacional.

TCG Anadolu, STOL e o cenário operacional

O contexto de emprego do programa está ligado diretamente ao TCG Anadolu, navio-capitânia da Marinha turca que, no projeto original, foi concebido como um porta-aviões de decolagem curta para operar o F-35B. Após a exclusão da Turquia do programa em razão da compra do sistema russo de defesa antiaérea S-400, o Anadolu foi redirecionado para atuar como porta-aviões de drones, com foco na operação do Bayraktar TB3. Um HÜRJET naval com capacidade STOL ampliaria de forma expressiva o perfil de missões do Anadolu e de qualquer plataforma com convoo que a Turquia venha a desenvolver ou adquirir no médio prazo.

O contrato espanhol e a projeção exportadora do HÜRJET

Ao mesmo tempo em que o programa naval começa, o HÜRJET firmou seu primeiro contrato de exportação de grande porte. O acordo assinado com a Espanha em dezembro de 2025 prevê 30 aeronaves que a Força Aérea e Espacial Espanhola chamará de SAETA II, destinadas a substituir os veteranos Northrop F-5M na função de treinamento avançado de pilotos de combate. A Airbus Defence & Space lidera o consórcio como prime contractor, enquanto a TAI responde pela fabricação da célula, com a indústria espanhola concentrando 60% do valor do programa.

O cronograma de entregas foi estruturado em duas etapas: primeiro, um lote de 21 aeronaves em configuração inicial entre 2028 e 2029 - incluindo uma unidade que servirá como protótipo para a integração de aviônicos espanhóis -; depois, a conversão para o padrão SAETA II completo e a entrega das 30 aeronaves definitivas entre 2031 e 2035. O centro de conversão será instalado na Espanha, e o sistema de treinamento em solo - com simuladores de missão, inclusive, desenvolvidos em parceria com a Indra - passará a operar a partir de 2028 na Base Aérea de Talavera la Real, na Extremadura. Em setembro de 2025, o governo espanhol autorizou a aquisição de até 45 HÜRJET, mantendo aberta a possibilidade de um segundo lote com 15 unidades adicionais.

Conforme declarou Haluk Görgün, chefe da Presidência de Indústrias de Defesa da Turquia (SSB), o acerto com a Espanha vai além da compra de aeronaves: ele funcionaria como uma base de cooperação tecnológica, com potencial para viabilizar o desenvolvimento conjunto de versões futuras e para apoiar exportações a terceiros países via o ecossistema industrial hispano-turco. Com a variante naval em desenvolvimento, a TAI passa a posicionar o HÜRJET como uma família com ao menos três configurações operacionais distintas: o treinador avançado terrestre já em produção, a versão de exportação SAETA II ajustada a padrões OTAN, e o derivado naval voltado a operações embarcadas. Trata-se de uma expansão alinhada à lógica das famílias de treinadores mais bem-sucedidas no mercado internacional, colocando o HÜRJET como uma plataforma de longo prazo, e não como um produto de nicho.

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