Os franceses recorrem cada vez mais a ferramentas de IA para fazer pesquisas na Internet - especialmente os mais jovens. Ainda assim, o Google continua a ser o ponto de partida mais comum.
Afinal, será que a tradicional busca do Google por palavras-chave está perto de perder espaço de vez? Um estudo conduzido pela Eskimoz em parceria com o Ipsos indica que a pesquisa feita por ferramentas conversacionais vem ganhando força e já se tornou um comportamento perceptível no dia a dia.
Google ainda é majoritário, mas parou de avançar
Mesmo com a mudança em andamento, o Google segue como o uso predominante: 85 % dos franceses entrevistados, de todas as idades, afirmam fazer pesquisas diariamente por esse caminho. Esse dado, porém, precisa ser relativizado, porque ele deixou de crescer desde 2025 - ao contrário do que acontece com as ferramentas de IA.
Hoje, 83 % dos participantes dizem conhecer soluções de IA como ChatGPT, Claude ou Gemini, um nível 17 % acima do observado em 2025. Um salto rápido e expressivo.
A IA, o novo Google
Embora as inteligências artificiais sejam utilizadas em diferentes faixas etárias, é entre os mais jovens que a adoção aparece com mais intensidade. Entre 18-34 anos, 88 % conhecem as IAs (contra 77 % na faixa de 55-75 anos), e 52 % afirmam usá-las diariamente.
Outro dado chama a atenção: na região de Paris, as IAs têm maior adesão, com 43 % de uso entre os entrevistados, enquanto fora dela o índice cai para 24 %. No sentido inverso, 66 % dos parisienses recorrem ao Google, ante 75 % dos moradores das demais regiões.
Da busca por palavras-chave ao diálogo com chatbots e agentes de IA
A principal conclusão do levantamento é a velocidade com que a IA vem se incorporando aos nossos hábitos. Enquanto o Google se mantém estável, os chatbots avançam e alteram de forma profunda a maneira de procurar informação - algo que muitos já viveram, às vezes sem perceber.
Há alguns anos, em meio a uma conversa mais acalorada, o gesto automático era abrir o Google ou a Wikipédia para checar um dado. Agora, para muitos, o impulso é abrir o Gemini e perguntar diretamente. Entre os jovens, 28 % já usam uma IA para encontrar uma informação, e 14 % chegam a utilizar um agente de IA diariamente.
Por enquanto, essa virada começou, mas ainda não se concretizou por completo. O Google continua amplamente dominante nos usos. Soma-se a isso a particularidade francesa, que ainda permite recorrer ao “velho” Google, e não à busca do Gemini que já foi disponibilizada em versões estrangeiras. As IAs estão presentes o tempo todo - nos hábitos, na comunicação das marcas e na tecnologia -, o que ajuda a explicar por que os utilizadores as adotam. Resta saber se esse tipo de uso vai se manter ao longo do tempo ou se a bolha da IA pode estourar nos próximos anos.
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