O Renault 4 E-Tech Plein Sud aparece com um toque extra de charme e uma proposta mais “leve” ao volante - desde que você não pare para encarar o preço.
Num mercado em que o apelo emocional conta (e muito), a Renault tem tirado partido da nostalgia. Os Renault 4 e 5 E-Tech são um bom exemplo: o menor R5 vende como “pão quente”, enquanto o Renault 4 não repete o mesmo sucesso. Ainda assim, quem conhece o nome sabe que ele nunca foi um carro de uma só fórmula - já foi furgão, ferramenta de trabalho, parceiro de aventura e até conversível.
É justamente essa faceta mais descontraída que serviu de ponto de partida para o modelo de agora. Entre 1969 e 1974, a marca vendeu o Renault 4 Plein Air, uma versão sem teto e sem portas.
Agora, mais de 50 anos depois, essa ideia inspirou o novo Renault 4 E-Tech Plein Sud. E nós fomos até Barcelona, na Espanha, para entender se este teto de lona realmente acrescenta algo à experiência ou se é só um exercício de nostalgia.
Igual a si mesmo
Por fora, a menos que você tenha olhos de águia, é difícil notar diferenças. A novidade principal está, claro, no teto. No lugar da solução convencional, o Renault 4 E-Tech Plein Sud usa um teto solar elétrico em lona que abre até 92 cm de comprimento, mudando o clima a bordo sem exigir os mesmos compromissos de um conversível de verdade.
Para acomodar essa solução, as barras de teto desaparecem e a antena tradicional deixa de existir, passando a ficar integrada ao vidro traseiro.
No restante, continua sendo um modelo com visual “retro-futurista” muito bem resolvido e que faz um ótimo trabalho ao aproximá-lo do Renault 4 original. Basta olhar para os faróis redondos dentro da moldura preta, o desenho das janelas laterais ou as lanternas traseiras verticais, tão características.
Por dentro, as mudanças também são quase invisíveis. Tirando um botão dedicado ao comando do teto solar, tudo segue exatamente como no Renault 4 E-Tech que já conhecemos e já testamos - leia ou releia o ensaio completo do Renault 4.
Seguimos, portanto, com duas telas de 10″, uma para o painel de instrumentos e outra para o sistema multimídia - que continua contando com a integração de serviços do Google.
Em paralelo, o espaço interno também não muda. Em outras palavras, o Renault 4 E-Tech Plein Sud entrega mais espaço do que o “irmão” R5, mas ainda sem chegar ao nível de referência do segmento.
Ainda assim, dá para usar sem drama em família ou em viagens mais longas. Ajuda bastante o porta-malas de 375 litros, um dos trunfos mais fortes deste B-SUV elétrico.
Em estrada com o cabelo ao vento
Ao volante, nada se transformou. O Plein Sud se comporta exatamente como os outros Renault 4. O foco, aqui, é outro.
Basta abrir o teto de lona para o ambiente interno ganhar outra cara. A entrada de luz e a sensação de conexão com o lado de fora deixam a condução mais relaxada, sem trazer os compromissos que normalmente vêm no pacote de um conversível.
Mesmo com o teto totalmente aberto, o ruído do vento não chega a incomodar a ponto de cansar os ocupantes ou nos obrigar a fechá-lo depois de poucos quilômetros. Esse resultado vem do defletor de vento instalado na parte dianteira do teto.
Mais curioso é notar que, com o teto fechado, quase nada muda. Até em autoestrada, em velocidades mais altas, a cabine segue bem isolada e o conforto fica praticamente igual.
Autonomia pouco afetada
Segundo a marca, o Renault 4 E-Tech já nasceu preparado para acomodar esta versão. Por isso, os 19 kg extras do teto de lona e do mecanismo não exigiram mudanças estruturais nem grandes concessões. O B-SUV elétrico continua ágil, confortável e, quando a estrada pede, até relativamente divertido.
Mesmo assim, há um pequeno efeito colateral: a autonomia. Disponível apenas com a bateria de 52 kWh, o Renault 4 E-Tech Plein Sud anuncia até 395 km entre recargas (WLTP), menos 7 km do que a versão convencional. Na prática, porém, essa diferença tende a passar despercebida. Até porque a eficiência segue como um dos pontos fortes do modelo.
Embora a marca indique consumo médio de 15,7 kWh/100 km, é bem possível ficar abaixo disso no uso real. Contribuem para isso os diferentes níveis de regeneração de energia e, principalmente na cidade, o modo One-Pedal Drive, que permite dirigir praticamente sem usar o pedal do freio.
Um problema chamado preço
Este B-SUV elétrico “conversível” só pode ser comprado nos níveis de equipamento Techno e Iconic, os mais altos da linha. O Renault 4 E-Tech Plein Sud oferece exatamente os mesmos itens dos outros R4 nessas versões. A diferença é que o teto solar de lona acrescenta 1800 euros ao preço final.
E isso leva este Renault 4 para valores pouco razoáveis de 37 040 euros e 39 040 euros, nas versões Techno e Iconic, respectivamente. Fique a conhecer os preços da restante gama:
Mesmo trazendo sempre a bateria de maior capacidade e o motor elétrico mais potente, com 110 kW (150 cv) e 245 Nm de torque, o preço coloca o R4 entre as propostas mais caras do segmento.
Para comparar, o FIAT 600e entrega marginalmente mais potência e autonomia por 37 200 euros na sua versão topo de linha. É claro que não tem teto de lona, mas também aposta na nostalgia e numa imagem simpática.
Se a ideia for algo mais conservador, como o BYD Atto 2, por perto de 38 mil euros você leva um B-SUV elétrico com 204 cv e 430 km de autonomia.
O Citroën ë-C3 Aircross leva essa lógica ainda mais longe. Embora seja menos potente, oferece mais espaço interno e autonomia semelhante por 33 mil euros na versão mais equipada. No fim, é uma questão de escolher qual caminho seguir: o racional ou o emocional?
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário