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Japão planeja defender o litoral com o sistema SHIELD no Livro Branco de Defesa 2026

Homem em farda analisando mapa digital em sala de controle com vista para o mar e barcos ao fundo.
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As Forças de Autodefesa do Japão pretendem proteger o seu litoral com um sistema multicamadas chamado SHIELD, composto por milhares de veículos não tripulados aéreos, de superfície e submarinos. A proposta aparece entre os pontos destacados no Livro Branco de Defesa 2026, publicado recentemente por Tóquio.

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Fortalecimento das Forças de Autodefesa do Japão e prioridades de modernização

O país quer consolidar as Forças de Autodefesa por meio da iniciativa Fortalecimento Fundamental das Capacidades de Defesa. O programa prevê a construção de um sistema defensivo que integre veículos não tripulados, além de mísseis superfície-superfície de longo alcance e sistemas de defesa aérea, com o objetivo de formar um “guarda-chuva” protetor em múltiplas camadas. Segundo o Livro Branco, “…Isso permitirá fazer frente ao inimigo minimizando as baixas entre o pessoal das Forças de Autodefesa…”.

Com a meta de elevar a dissuasão e a capacidade de reação diante dos desafios impostos por diferentes adversários regionais, o Japão decidiu avançar em sete frentes:

  • “Capacidade de Defesa a Distância”
  • “Capacidade Integrada de Defesa Aérea e Antimísseis”
  • “Capacidade de Defesa de Ativos Não Tripulados”
  • “Capacidade de Operações Multidomínio”
  • “Funções de Comando e Controle/Informação”
  • “Capacidade de Desdobramento Móvel/Proteção Civil”
  • “Sustentabilidade/Resiliência”

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SHIELD, Defesa Litorânea Sincronizada, Híbrida, Integrada e Reforçada

No eixo voltado ao emprego de ativos não tripulados, um dos objetivos das Forças de Autodefesa do Japão é erguer uma defesa costeira multicamadas baseada nesse tipo de plataforma. A iniciativa recebeu o nome de Sistema de Defesa Litorânea Sincronizada, Híbrida, Integrada e Reforçada (SHIELD).

Cronograma, compras em massa e orçamento para 2026–2027

A expectativa é atingir os primeiros marcos em 2027, com a compra - em grande quantidade e a baixo custo - de veículos aéreos não tripulados (UAV), veículos de superfície não tripulados (USV) e veículos submarinos não tripulados (UUV). Para isso, no ano fiscal de 2026 foram destinados 277.300 milhões de ienes (cerca de USD 1.800 milhões) para ampliar as capacidades de defesa com ativos não tripulados. O pacote inclui plataformas de inteligência, vigilância, reconhecimento e localização de alvos (ISRT), além de pesquisa e desenvolvimento vinculados a veículos não tripulados.

Ainda em 2027, o SHIELD deverá progredir em diferentes subprogramas voltados à aquisição de variados tipos de sistemas não tripulados. Entre os itens citados estão: UAV FPV e FPV de ataque; UAV e USV multipropósito operados a partir de navios; UAV multipropósito lançável de terra para ataque e reconhecimento; UAV interceptadores posicionados ao redor de estações de radar; e UUV multipropósito para missões de ISR.

O Livro Branco de Defesa 2026 descreve a lógica do conceito: “…Ao longo da costa do Japão, utilizaremos uma grande quantidade de diversos veículos não tripulados para contrabalançar de forma eficaz as forças inimigas que tentem desembarcar. Isso criará um sistema de defesa capaz de implementar contramedidas assimétricas e multicamadas, maximizando as características dos recursos não tripulados…”.

ISRT integrada e MQ-9B Sea Guardian

Em paralelo ao SHIELD, o Japão também pretende fortalecer a sua capacidade ISRT integrada por meio da aquisição de novos drones de longo alcance MQ-9B Sea Guardian. As unidades que passarão a ser operadas pela Força Marítima de Autodefesa do Japão a partir do ano fiscal de 2028 se somam ao plano de deslocar duas dessas aeronaves para a Base Aérea de Kanoya a partir do ano fiscal de 2027.

Outro resultado esperado com esse projeto é viabilizar uma capacidade aerotransportada C-UAS voltada a responder a violações do espaço aéreo.

Como serão os veículos não tripulados do SHIELD

Veículos aéreos não tripulados (UAV) da Força Terrestre de Autodefesa do Japão (JGSDF)

  • UAV modular tipo FPV. Executa vigilância e coleta de inteligência. É simples de montar e usa peças substituíveis.
  • UAV de ataque pequeno tipo I. Localiza, identifica e engaja veículos e outros alvos que tenham desembarcado ou pousado. É muito pequeno e fácil de transportar.
  • UAV de ataque pequeno tipo II. Projetado para atuar sobre os mares ao redor das ilhas, detectando, identificando e atacando embarcações e outros alvos.
  • UAV de ataque pequeno tipo III. Destinado a operar a grandes distâncias, com a função de detectar, identificar e atacar navios e outros alvos.

UAV da Força Marítima de Autodefesa do Japão

  • UAV lançado de navios de superfície. Ataca navios inimigos e outros alvos em cenários de guerra de superfície.
  • UAV embarcado (pequeno). Empregado a partir de navios; além de vigilância e coleta de inteligência, também realiza ataques contra navios inimigos.

UAV da Força Aérea de Autodefesa do Japão

  • UAV para ataque a navios inimigos. Voa por longas distâncias para detectar, identificar e atacar navios inimigos.
  • UAV para defesa de instalações de radar. Detecta, identifica e ataca UAVs que se dirigem às instalações de radar.

USV/UUV

  • USV pequeno multipropósito (Força Terrestre de Autodefesa do Japão/Força Marítima de Autodefesa do Japão). Detecta e identifica navios inimigos em áreas litorâneas ou em alto-mar e os ataca com UAVs embarcados ou por abalroamento.
  • Veículo submarino não tripulado (UUV) pequeno e multipropósito (Força Terrestre de Autodefesa do Japão). Detecta e reúne informações sobre navios inimigos no mar ao redor das ilhas e em outras áreas.

Imagem de capa: Ministério da Defesa do Japão

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